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Catas Altas

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

  • Catas Altas - Matriz N. Sra da Conceição  - Maria Lucia Dornas
  • Catas Altas - Igreja - Maria Lucia Dornas
  • Catas Altas - Anjo - Maria Lucia Dornas
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  • Catas Altas - Altar - Maria Lucia Dornas
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  • Catas Altas - Anjo - Maria Lucia Dornas
  • Catas Altas - Detalhe do Púlpito - Matriz de N.S. da Conceição - Maria Lucia Dornas
  • Catas Altas - Detalhe do Retábulo - Matriz N.S. da Conceição - Maria Lucia Dornas
  • Catas Altas - Detalhe do Púlpito - Matriz N.S. da Conceição - Maria Lucia Dornas
  • Catas Altas - Detalhe do Púlpito - Matriz N.S. da Conceição - Maria Lucia Dornas
  • Catas Altas - Detalhe do Retábulo - Matriz N.S. da Conceição - Maria Lucia Dornas
  • Catas Altas - Matriz de Catas Altas - Diego Gazola
  • Catas Altas - Matriz N. Sra da Conceição  - Maria Lucia Dornas
  • Catas Altas - Matriz N. Sra. da Conceição - Maria Lucia Dornas
  • Catas Altas - Matriz N. Sra. da Conceição - Maria Lucia Dornas
  • Catas Altas - Matriz N. Sra. da Conceição - Maria Lucia Dornas
  • Catas Altas - Matriz Nossa Senhora da Conceição - Divanildo Marques
  • Catas Altas - Matriz Nossa Senhora da Conceição - Divanildo Marques

Um dos mais importantes templos setecentistas de Minas Gerais. O significante conjunto da talha faz do templo uma aula de história da arte colonial mineira.


O primeiro documento referente ao templo é um batizado realizado em 1712. "Lê-se no ‘Livro de Lotação das Freguesias deste Bispado' (Arquivo Eclesiástico de Mariana), fls. 104, que "consta do 1º batismo que se celebrou na capela de N. Sra. da Conceição de Catas Altas, no ano de 1712, que sua fundação havia sido muito anterior ao tempo em que começou a ser provida de vigários encomendados" (Dicionário Histórico Geográfico de Minas Gerais, 1995).


Em 1729, começaram as obras, em substituição à capela da década de 10. O frontispício da igreja apresenta dois elementos raros na arquitetura mineira - as torres mouriscas e o galilé - espaço entre a parede do frontispício e as portas da nave.


A decoração interior apresenta altares das fases do colonial mineiro - nacional português, joanino e influências do rococó.


É uma profusão de anjos, douramentos, elementos fitomorfos, antropomorfos, pinturas e chinesices. Um detalhe curioso e raro é o fato de possuir retábulos em diversos estágios de construção, na madeira crua, brancos, ou seja, já preparados para receber o douramento, e prontos, com pinturas, marmorização e douramento.


É possível para o visitante acompanhar os estilos do século 18 e as fases de edificação de um retábulo.


Retábulos


Retábulo-mor
Datado de meados do século 18, arrematado por Manoel Gonçalves Valente em 1746 e concluído pelos entalhadores Francisco Vieira Servas, Martinho Gonçalves Ferreira entre outros. Apresenta estrutura de gosto D. João V composta de colunas salomônicas, quartelões, coroamento em dossel e grupo escultórico de grandes proporções com vocabulário decorativo tendendo para o rococó destacando-se o uso generalizado da pintura em forro branco com relevos dourados típica daquele estilo. Segundo Germain Bazin "é provável que Francisco Xavier de Brito tenha fornecido o risco do retábulo-mor, pois, este é semelhante ao do Pilar (matriz de Ouro Preto) embora seja de gosto mais moderno".


Retábulo de São Miguel e Almas
Presumidamente datado de meados do século 18. Apresenta estrutura joanina solucionada com colunas salomônicas e quartelões dispostos em pares de grande proporções. Com vocabulário decorativo do estilo D. João V representado por anjos, conchas, palmetas, flores e acanto, mas que, no entanto observa-se a ausência do dossel no coroamento, elemento que é característico deste estilo. A monumentalidade escultórica deste retábulo é notada pela presença de atlantes e alegorias da fé, esperanaça e caridade.


Retábulo de Nossa Senhora do Rosário
Retábulo datável do segundo quartel do século 18 de proporções monumentais, inserido na arcada do braço do arco-cruzeiro, ocupando todo o espaço em dois andares. O andar superior compõe-se de grande baldaquino com a figura alegórica da Igreja e óculo central. Apresenta talha de gosto joanino com policromia em cores fortes. Retábulo incomum pela solução de deslocamento da parede com chanfros laterais simulando outras faces.


Retábulo de Sant'Ana
De origem mineira da primeira metade do século 18, em estilo D. João V, estruturado em quartelões com presença de dossel. A pintura simula embrechados de mámore. Apresenta douramento total, usual no período. Talha bem elaborada, de fatura erudita, observável nos detalhes escultóricos das figuras antropomorfas e na águia.


Retábulo Nossa Senhora da Conceição
Datavél de meados do século 18. Apresenta estrutura e vocabulário decorativo ao gosto joanino, com quartelões, conchas, palmetas, profusão de elementos fitomorfos (acantos, folhagens, flores). Este tratamento ornamental é semelhante ao dos demais retábulos da igreja, registrando-se, contudo nesta peça o douramento mais contido. Observa-se também a semelhança do conjunto escultórico da Santíssima Trindade no coroamento com o do altar-mor.


Retábulo de São Gonçalo
Datável da primeira metade do século 18, em estilo D. João V. Apresenta fatura erudita, com vocabulário ornamental ao gosto barroco (conchas, flores, palmeta, anjos, acanto) enriquecida pela presença das figuras humanas de grande proporções. A composição estrutural é semelhante aos demais retábulos, com quartelões dispostos em pares, com atlantes e coroamento em dossel. Destacam-se a sanefa superior e a escultura da águia, que arremata superiormente o retábulo.


Retábulo de Santo Antônio
Presumivelmente datado da primeira metade do século 18. Apresenta talaha de tratamento erudito, destacando-se estrutura típica do estilo D. João V (quartelões e dossel), embora seu vocabulário decorativo apresente ainda elementos do estilo nacional-português, de datação anterior (chinesises, acantos e entrelaçados vigorosos) ao lado de outros tipicamente joaninos, como a concha, a palmeta, plumagens e elementos antropomorfos. Há de se destacar ainda a presença de ornato do estilo rococó no trono (rocalhas).


Nas laterais do arco-cruzeiro, estão quatro painéis com pinturas que retratam os quatro doutores da Igreja: São Gregório, Santo Agostinho, São Jerônimo e Santo Ambrósio.


A imaginária de ótima execução merece ser observada com atenção. O Cristo dos Perdões é atribuído a Aleijadinho, e a imagem de São Miguel atribui-se a Francisco Vieira Servas.


Sobre datas, artífices e artistas envolvidas na construção, têm-se os seguintes dados:


Manoel Fernandes Pontes - mestre de obras.


1738 - execução do altar de São Gonçalo, risco de Francisco Antônio Lisboa (homônimo do Aleijadinho).


1740 - pagamentos realizados a Francisco Antônio Lisboa, a Manoel Rodrigues Rates e a Manoel Gonçalves Valente, entalhador da capela-mor pela modificação do projeto primitivo.


1745 e 1746 - problemas com o altar da irmandade São Miguel e Almas, projetado por Francisco Antônio Lisboa e executado por Domingos Marques. A Irmandade do Santíssimo Sacramento considerava que os anjos do coroamento do retábulo interferiam na estética da igreja.


1745 - os carpinteiros Manuel Rodrigues Rates e Antônio André Rates arremataram obras faltantes que estavam sob a responsabilidade do "defunto Manoel Fernandes Pontes".


1745 - douramento de um dos altares laterais.


1746 - contratação do oficial Manoel Gonçalves Valente para realizar diversos serviços na matriz. Prazo de entrega da obra: três anos e meio.


1748 - Manuel Rabelo recebeu 32 oitavas de ouro para estofar o Arcanjo Miguel.


1749 e 1750 - douramentos executados por Miguel Liz.


1750 e 1751 - Francisco de Assis de Faria Xavier foi contratado pelas irmandades do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora da Conceição para concluir os trabalhos da talha da capela-mor. Os trabalhos se estenderam até 1760.


1755 a 1757 - Sebastião Francisco e seus ajudantes trabalharam em diversas obras.


1761 - Manuel Luiz Pereira recebeu os pagamentos relativos ao emadeiramento da capela-mor e ao conserto do consistório.


1779-1780 - a Irmandade de São Gonçalo realizou pagamentos a Manoel Pereira por obras em seu altar.


1821 - D. Frei José da Santíssima Trindade solicita ao vigário da matriz "para que se mude o cemitério da Matriz, por não estar em lugar sagrado, assim aberto, exposto à profanação". E que empregasse todos seus esforços para o término da obra e douramentos.


1827 - pagamento pelas obras de douramento do altar-mor.


A Matriz de Catas Altas é tombada pelo Iphan
Registrado no livro das Belas Artes, inscrição 267, em 8 de setembro de 1937.


Fonte: Folder "Desvendando seus Retábulos". Prefeitura de Catas Altas

 

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