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Tiradentes

Capela de Nossa Senhora do Rosário

  • Tiradentes - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Altar lateral dedicado a Santo Antônio de Catejiró - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Interior Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Altar -mor da Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Forro da nave da Ig. N.Sra.do Rosário - Sérgio Freitas
  • Tiradentes - Igreja Nossa Senhora do Rosário - Maria Lucia Dornas
  • Tiradentes - Detalhe do frontão da Igreja N. Sra. do Rosário - Maria Lucia Dornas
  • Tiradentes - Detalhe da portada da Igreja de N. Sra. do Rosário - Maria Lucia Dornas

Histórico
As Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foram as primeiras a se instalarem em Minas Gerais. Reflexo do grande número de escravos na região das minas foram também as mais numerosas. No censo de 1808, Vila Rica do Pilar (Ouro Preto) registrava que  83,6% da sua população era constituída de negros e mulatos, e 16,4% de brancos. Na Vila de São José del Rei, enquanto  30,7% da população era  constituída de brancos, 69,3% eram pretos e mulatos.


A capela é um dos melhores exemplares de templos construídos pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário em Minas Gerais e um dos principais bens históricos de Tiradentes.


A primitiva capela começou a ser construída em 1708 e foi concluída em 1719. Ao longo do século,  foi passando por diversas modificações, quando a arquitetura e a decoração foram aprimoradas. “A privilegiada localização da igreja de Nossa Senhora do Rosário – num grande adro, bem no centro geográfico da área urbana – comprova sua importância histórica como núcleo de onde se propagou a urbanização da cidade.” (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN).


Arquitetura e ornamentação
A construção teve início na primeira metade do século 18. Provavelmente, foi a partir de 1760 que passou por reformas na parte arquitetônica e decorativa. A construção foi refeita em alvenaria, e a posição do sino manteve a solução tradicional de Tiradentes, com a sineira incorporada ao corpo da igreja. Devido ao trabalho de cantaria, não apresenta aparência de fragilidade das capelas de adobe.


A sobriedade da fachada com seu belo frontão terminado em volutas e o trabalho da portada  lhe conferem um certo ar  imponente, apesar de não ser um templo de grandes proporções. Ainda na   fachada, colocada em um nicho, está a imagem de São Benedito, um dos mais populares santos negros na colônia.


A primorosa talha de transição do Joanino para o Rococó, a pintura em tons de bege e o douramento conferem uma atmosfera envolvente ao interior da pequena capela. A execução do douramento é de Antônio da Costa Souza. Completando o conjunto decorativo da capela-mor, o forro traz uma pintura ilusionista que representa São Francisco de Assis e São Domingos recebendo o rosário de Nossa Senhora. Provavelmente foi executado na primeira metade do século 19.


No coroamento do retábulo, há uma tarja com uma lua em baixo-relevo. A representação da lua junto a iconografias de Nossa Senhora tem como referências : a citação da representação da Virgem no Apocalipse - “um grande sinal apareceu no céu, uma mulher vestida de sol, a lua debaixo dos pés, e uma coroa na cabeça” Ap 12, 1 ; a frase do Cântico dos Cânticos - “quae est ista quae progreditur quase aurora consurgens pulchra ut luna electa ut sol terribilis ut ucus ordinata” ou seja  “Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, brilhante como o sol, imponente como um exército com  bandeiras.”


Uma música do século 17 chamada Vespro della Beatta Vergine traz os versos: “ dic nam ista pulchra ut luna electa ut sol, replet laetitia terras,coelos, Maria” - diz-me que esta mulher é bela como a lua, radiante como o sol, que enche de alegria a terra e os céus, Oh Maria!


Os dois retábulos laterais possuem elementos decorativos do Joanino e Rococó e são dedicados a dois santos negros: São Benedito e Santo Antônio de Cartegerona.


O forro da nave é dividido em dezoito caixotões, conforme esquema a seguir, e suas pinturas representam os mistérios do rosário e trechos da ladainha de Nossa Senhora. A execução é do grande pintor mulato da região, Manuel Victor de Jesus, que foi ativo até a data de sua morte, em 1822.


Os 15 mistérios do Rosário de Nossa Senhora
e os t
rechos da Ladainha de Nossa Senhora 

  

           Forro da Nave

 

   

           Arco Cruzeiro

 

Gozozos

Gloriosos

Dolorosos


Jesus entre os doutores

Coroação de Nossa Senhora

Cálice da amargura


Circuncisão

Assunção de Nossa Senhora

Senhor da Coluna


Visitação

Pentecostes

Aparição do Espírito Santo

Senhor coroado de espinhos


Natividade

Ascensão do Senhor

Senhor dos Passos


Anunciação

Ressurreição do Senhor

Crucificação


Casa de Ouro

Arca da Aliança

Chave do Céu



Coro









 

 

Duas restaurações já foram realizadas na Capela de Nossa Senhora do Rosário: a primeira, na década de 50 e, a segunda, na década de 90.
 
A devoção a Nossa Senhora do Rosário
A origem do culto a Nossa Senhora está ligada a história de São Domingos que, em 1216, fundou a Ordem Dominicana. Um dia, a Virgem Maria  apareceu ao santo  e lhe entregou um rosário  e ensinou-lhe um método de oração. O rosário tem o significado de uma guirlanda de rosas oferecidas a Nossa Senhora.


Existe também a versão que Alain de La Roche, um monge dominicano bretão, seria o iniciador e  divulgador da crença. 


Iconografia
A Nossa Senhora do Rosário é representada  sobre um bloco de nuvens com querubins. Em dos braços, carrega o Menino Jesus e, na mão direita,  segura o rosário ou terço. Pode aparecer entregando o rosário a São Domingos. Uma outra variante é a Nossa Senhora oferecendo o rosário a São Domingos e o Menino Jesus a Santa Catarina de Siena.


O motivo de Nossa Senhora do Rosário ter sido escolhida como protetora dos escravos ainda precisa ser esclarecida. Para alguns, a escolha se deve ao fato que os senhores brancos, menosprezando o intelecto dos negros, acreditavam que esses não tinham capacidade de assimilar as abstratas orações católicas. Assim, com o rosário ou o terço tinham algo tátil na mão que facilitava as orações. Existe uma versão que explica que, como algumas tribos já utilizavam búzios e contas em seus rituais, o rosário ou terço tornaria mais fácil a compreensão das orações.




A Capela de Nossa Senhora do Rosário é tombada pelo IPHAN
Registrada no livro de Belas Artes
Inscrição: 344   Data: 6 de dezembro de 1949.

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