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Brumadinho

Serra da Calçada

A Serra da Calçada, situada a cerca de 20 km de Belo Horizonte localiza-se à margem direita da BR/040, sentido Rio de Janeiro, estendendo-se por cerca de 8 km entre os municípios de Nova Lima e Brumadinho. Divide as bacias dos rios Paraopeba e das Velhas, importantes mananciais que abastecem a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Inserida na Área de Proteção Ambiental Estadual (APA-Sul / RMBH), sua extremidade sul encontra-se parcialmente no Parque Estadual da Serra do Rola-Moça e na Área de Proteção Especial Catarina. Sua porção nordeste faz limite com a Estação Ecológica de Fechos. Incorpora uma área verde de aproximadamente 1,1 mil hectares onde vivem e se reproduzem várias e importantes espécies da fauna e da flora nacionais. Originam-se nesta Serra diversos aqüíferos e nascentes que abastecem de água potável muitos municípios vizinhos de Brumadinho.


Contíguas à Serra da Calçada, encontram-se a Serra do Rola-Moça e a Serra da Moeda, todas elas destacadas pelas belezas paisagísticas que apresentam como pela importância geológica e eco-sistêmica.


A denominação de Serra da Calçada deve-se à formação especial de seus solos, compostos basicamente por óxidos de ferro hidratado e cimentado em conseqüência do intemperismo a que foram submetidos. Outra versão, baseada em razões históricas, sustenta que o nome vem dos antigos pisos calçados, ainda hoje existentes em vários trechos da serra, que facilitavam o acesso aos antigos núcleos de mineração e fazendas da região, cuja ocupação remonta ao final do século 17 e início do século 18.


Nos últimos anos tem aumentado sistematicamente o número de pessoas que se dirigem à serra em busca de suas qualidades naturais, paisagem e possibilidades para a prática de esportes.


De acordo com estudos realizados por historiadores, a história da região dessas serras se confunde com a história de Minas Gerais e do Brasil. Mesmo antes da ocupação portuguesa que viria a ocorrer a partir de meados dos anos 1600, a região testemunhou ocupações pré-coloniais, como se vê nas inscrições rupestres que podem ser encontradas nas grutas dessas serras. Esse patrimônio espeleológico-arqueológico reúne diversas grutas cuja identificação, mapeamento e caracterização encontram-se por fazer.


A ocupação "moderna" da serra da região data do século 17, como testemunham os caminhos revestidos de pedra que são encontrados ao longo das encostas, conectando importantes unidades agro-minerais que ali se estabeleceram, muitas delas ainda existentes nas paisagens locais, como é o caso do chamado Forte de Brumadinho, na Serra da Calçada. Segundo alguns pesquisadores, uma estrada com vários trechos calçados atravessa esse trecho do Espinhaço, da Serra da Calçada até o limite sul da Serra da Moeda, passando, inclusive, pela Fazenda da Boa Esperança, no município de Belo Vale, um dos mais importantes monumentos históricos de Minas Gerais, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA). Os caminhos que atravessam as serras da Moeda e da Calçada são registros importantes do processo de colonização de Minas Gerais e do Brasil. Seus trechos, alguns deles ainda preservados, compõem a malha secundária da Estrada Real, construída no século 17, única via de conexão entre Vila Rica e os portos de Parati (Caminho Velho) ou Rio de Janeiro (Caminho Novo) autorizada pela Coroa Portuguesa.


Diversos vestígios e registros de arqueologia histórica podem ser ainda encontrados: calçadas de pedra, aqueduto, galerias, canais, catas e os chamados "mundéus" (grandes tanques receptores), testemunhos da exploração minerária e das técnicas que permitiram o desenvolvimento dessa atividade já naquela época. O Forte de Brumadinho destaca-se entre as ruínas de grande importância histórica.
A despeito do apelido e da forma que revela de uma clara estratégia de defesa, o forte consiste em um magnífico exemplar de arquitetura civil, tendo sido construído, segundo alguns pesquisadores, na primeira metade do século 18. A edificação principal domina a encosta oeste da Serra da Calçada, permitindo o controle visual dos caminhos e trilhas da região e de seus principais marcos naturais, a partir de uma construção de paredes de pedras de grande volume e fechamento hermético, com sua única entrada apontada para leste, o que favorecia a defesa.


Estudos científicos recentes revelam a singularidade do meio natural da Serra da Calçada, que conserva um rico patrimônio biológico e genético: formações vegetacionais como as matas de galeria, os capões, os campos rupestres sobre quartzito e, em especial, os campos rupestres sobre canga. A canga caracteriza-se por afloramentos ferruginosos que ocorrem em topos e encostas de montanhas isoladas no Quadrilátero Ferrífero, oriundos de intensas atividades vulcânicas. No substrato rico em ferro, crescem os campos rupestres sobre canga, também denominados campos ferruginosos. As plantas deste tipo de vegetação são adaptadas para sobreviver em um ambiente estressante, já que no solo da canga existem metais tóxicos e quase não há retenção da água de chuva. Para se ter uma idéia, mais de um terço das famílias botânicas existentes no Brasil estão representadas nos campos ferruginosos.


Tais características fazem da canga um ecossistema favorável à existência de um elevado grau de endemismo - espécies que ocorrem apenas nos campos ferruginosos e em nenhum outro lugar do mundo. Pode-se citar a cactácea Arthrocereus glaziovii, a orquídea Oncidium gracile, as bromélias Dyckia consimilis e Vriesea minarum, além de ervas e arbustos como Mimosa calodendron, Sinningia ripicola, Ditassa aequicymosa, Ditassa linerais, Calibrachoa elegans. Na Serra da Calçada podem ser encontrados aproximadamente dois terços do total de espécies ameaçadas de extinção em Minas Gerais.
A Xylocopa truxali (Apidae), abelha solitária que habita o local, constrói seus ninhos nos ramos da canela-de-ema Vellozia compacta. Devido à grande redução de seu habitat, esta espécie foi enquadrada como vulnerável na Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, editada pelo Ministério do Meio Ambiente.


A fauna da Serra da Calçada não difere daquela existente nas outras Serras congêneres próximas que apresentam eco-sistemas semelhantes. Compõe-se de diversas espécies como: onça-parda, jaguatirica, cachorro do mato, lobo-guará, raposa, macaco prego e mico estrela, tucano, lagarto tiú, ouriço caixeiro, tatu bola, rabo mole (espécie de galinha), chicote e merim, esquilo, coelho, quati, capivara, paca, ave jacu, pomba trocal, gavião pombo e carcará, martim pescador e mergulhão, cobra coral e falsa coral, cascavel, urutu cruzeiro, jararaca, entre outras.
 

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