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São João del-Rei

Igreja Nossa Senhora do Carmo

  • São João del-Rei - Igreja de N.S do Carmo - Sérgio Freitas
  • São João del-Rei - Igreja de N.S do Carmo - Sérgio Freitas
  • São João del-Rei - Imagem de Cristo Inacabado ( Igreja do Carmo ) - Sérgio Freitas
  • São João del-Rei - Det. N. Senhora do Carmo - Portada igreja do Carmo - Maria Lucia Dornas
  • São João del-Rei - Deus Pai - Portada da igreja do Carmo - Maria Lucia Dornas
  • São João del-Rei - Detalhe da portada da igreja do Carmo - Maria Lucia Dornas
  • São João del-Rei - Igreja N. S. do Carmo - Divanildo Marques
  • São João del-Rei - Igreja N. S. do Carmo - Divanildo Marques
  • São João del-Rei - Igreja N. S. do Carmo - Divanildo Marques
  • São João del-Rei - Igreja N. S. do Carmo - Divanildo Marques
  • São João del-Rei - Igreja N. S. do Carmo - Divanildo Marques
  • São João del-Rei - Igreja N. S. do Carmo - Divanildo Marques
  • São João del-Rei - Igreja N. S. do Carmo - Divanildo Marques
  • São João del-Rei - Igreja N. S. do Carmo - Divanildo Marques

Histórico
Um dos mais marcantes templos de São João del-Rei, é a Igreja da Ordem 3ª do Carmo. As primeiras referências à sua construção são de 1734, quando se deu a benção da capela-mor. Dom Antônio de Guadalupe, bispo do Rio de Janeiro, havia autorizado a construção em dezembro de 1732. A partir daí, tem-se uma sucessão de datas que se estendem até 1879. Isso demonstra que as obras foram lentas e as diversas reformas, executadas ao longo dos dois séculos.


Arquitetura e decoração

De aparência sólida, seu frontispício é harmonioso e apurado. A planta arquitetônica segue um padrão retilíneo, como quase todas as igrejas mineiras, tendo como diferencial as torres octogonais. 'Em 1787, foi acertada a execução do frontispício com o mestre Francisco de Lima Cerqueira, cujas obras se estenderam até 1816, cabendo ao mesmo, em 1790, a opção pela forma octogonal das torres, em substituição às formas arredondadas, como previa o projeto original.' (IPHAN)


O destaque fica para a portada trabalhada em pedra sabão, que apresenta um trabalho de delicada execução e ótima referência iconográfica à ordem carmelita. Quanto a sua execução, as dúvidas são diversas. Para Germain Bazin, aqui temos obras de três artistas. O querubim junto à verga da porta é de um autor. Os anjos acima das pilastras segurando as tarjas, com certeza, são do mestre Aleijadinho, 'mas o próprio Aleijadinho esculpiu os dois anjos que seguram as tarjas e os escapulários e que encimam as pilastras: eles estão entre os melhores de sua obra – o modelado dos corpos é quase sensual, os rostos sorridentes têm vida e estão descontraídos, e os panejamentos são leves.' E no medalhão, um terceiro artista, qualificado pelo pesquisador como excelente e muito próximo do estilo de Antônio Francisco Lisboa. Inclusive considera a figura de Deus Pai como plágio da figura do profeta Naum, em Congonhas. Nota-se, com nitidez, que esse medalhão foi inserido posteriormente. Há quem sustente a ideia que o Mestre Antônio Francisco Lisboa nada tem haver com esse trabalho.


O visitante que já tiver passado por várias igrejas setecentistas mineiras será tomado por uma grande surpresa ao visitar essa igreja. Sua talha de excelente qualidade é toda revestida de branco, causando impacto e uma sensação de tranqüilidade. Não foi possível concluir os altares com pinturas e douramento.


Os altares laterais eram dedicados a cenas da paixão de Cristo, como se pode verificar nas tarjas. Hoje, esses altares são dedicados a vários santos como: Santa Teresa do Menino Jesus, Nossa Senhora de Fátima e Sagrado Coração de Jesus.


No forro da nave, Nossa Senhora do Carmo entrega a Bula Sabatina ao Papa João XXII, que a publicou em 1322 e foi confirmada por Alexandre V, Clemente VII e Paulo III. A Bula Sabatina é um documento que reitera a promessa da Virgem ao Papa: 'Eu, como terna Mãe dos Carmelitas, descerei ao purgatório no primeiro sábado depois de sua morte e os livrarei e os conduzirei ao Monte Santo da vida eterna.'


A capela-mor possui uma elaborada talha que dá um grande vigor a toda parte decorativa do templo. No coroamento do retábulo, estão a tarja e o símbolo da ordem carmelita, constituído do Monte Carmelo e as três estrelas que representam os grande santos da ordem: Santo Elias, Santa Tereza d’Ávila e São Simão Stock.


No trono está a padroeira, Nossa Senhora do Carmo, e nos nichos laterais, Santa Tereza d’Ávila e Santo Elias.


Destaques na capela-mor são as pinturas do alemão George Grimm, executadas em 1879. Grimm foi professor da Imperial Academia de Belas Artes, sendo o responsável pela cadeira de paisagens. Foi o precursor da pintura ao ar livre no Brasil. As cenas aqui executadas por Grimm são: a Transfiguração e Elias subindo ao céu.


Artistas que trabalharam no templo carmelita e dos quais se tem documentação são:


- o entalhador Joaquim Francisco d'Assis Pereira, que executou pelo menos dois altares laterais da nave entre 1884 e 1885;


- o entalhador Manuel Roiz Coelho, que arrematou as obras do retábulo, camarins, trono e púlpitos em 1768;


- o mestre Estevão de Andrade Silva, que fez a pintura do forro da capela-mor em 1759;


- o pintor mestre Braz da Costa, que executou as obras do forro do corpo da igreja;


- o entalhador e mestre de obras, Luis Pinheiro da Silva;


- entalhador, Aniceto Souza Lopes.


O Cristo inacabado

No corredor à esquerda, que dá acesso à sacristia, está a imagem inacabada de Cristo Crucificado, exposta em uma urna de vidro. A imagem foi encontrada no século 20, em uma das dependências da igreja. O motivo de estar inacabada é desconhecido e dá margem a muitas lendas.


A iconografia de Nossa Senhora do Carmo
 
A Ordem Carmelita tem Nossa Senhora do Carmo como padroeira, que é a grande advogada das almas do purgatório. Sua iconografia a traz vestida com manto marrom e uma capa branca. Carrega o Menino Jesus em seus braços e, em uma das mãos, traz o escapulário. Nas pinturas, geralmente Nossa Senhora do Carmo entrega o escapulário a São Simão Stock.


Também conhecido por bentinho, o escapulário é um sinal de devoção Mariana. Segundo o Vaticano II, é 'um sinal sagrado, segundo o modelo dos sacramentos, por intermédio do qual significam efeitos, sobretudo espirituais, que se obtêm pela intercessão da Igreja'. Materialmente, são dois pequenos retângulos de pano unidos por um cordão. Esses retângulos são estampados com o símbolo da Ordem Carmelita e com a imagem da Nossa Senhora do Carmo.


A Virgem do Carmo entregou o escapulário a São Simão Stock, em 16 de julho de 1251, dizendo-lhe: 'este será o privilégio para ti e todos os carmelitas; quem com ele morrer não padecerá o fogo eterno. Quem morrer com ele se salvará'. Esse sinal mariano foi aprovado pela Igreja e amplamente difundido pela Ordem Carmelita como sinal de profunda devoção a Maria.


A Igreja de Nossa Senhora do Carmo é tombada pelo IPHAN
Regidtrada no livro Histórico
Inscrição: 090   Data: 26 de julho de 1938.
Registrada no livro de Belas Artes
Inscrição: 193  Data: 16 de julho de 1938.


Horário de funcionamento: segunda a sábado: 8h às 12h - quarta à sábado: 13h ás 16h - domingo: 8h às 14h

 

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