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São João del-Rei

Igreja São Francisco de Assis

  • São João del-Rei - São João del-Rei - Ig. S. Francisco de Assis - Alexandre C. Mota
  • São João del-Rei - Altar-mor - Igreja de São Francisco de Assis - Sérgio Freitas
  • São João del-Rei - Altar Lateral - Igreja São Francisco de Assis - Sérgio Freitas
  • São João del-Rei - Altar Lateral - Igreja de São Francisco de Assis - Sérgio Freitas
  • São João del-Rei  - Igreja S. Fco. de Assis - Divanildo Marques
  • São João del-Rei  - São João del-Rei - Igreja S. Fco. de Assis - Divanildo Marques
  • São João del-Rei - Igreja S. Fco. de Assis - Divanildo Marques

Histórico
Bela e imponente, a Igreja de São Francisco de Assis é a grande referência da arquitetura religiosa colonial de São João del-Rei.


Em 1749, já existia uma capela dedicada a São Francisco de Assis, mas, em 1772, essa capela encontrava-se em péssimas condições, o que fez com que a Ordem Terceira Fanciscana desse início a um novo templo. "A autoria do projeto original é do Aleijadinho , comprovada pelo risco existente no Museu da Inconfidência de Ouro Preto." (IPHAN).


Mas, para executar o risco, foi contratado o mestre Francisco de Lima Cerqueira, que fez várias mudanças no projeto original, como substituição das torres oitavadas, modificações no desenho dos óculos da nave e alteração do arco-cruzeiro. Os trabalhos arquitetônicos foram concluídos em 1804 .


Arquitetura e decoração
Para a estudiosa de arte colonial mineira, Myriam Ribeiro, o frontispício já tem ares de arquitetura do rococó internacional, com linhas sinuosas, torres chanfradas e ligeiramente arredondadas .


No frontão e na portada, estão os tradicionais símbolos da ordem franciscana. A portada foi executada por Aleijadinho, "onde se percebem as características das obras do mestre, principalmente na rica composição da portada, com destaque para as magníficas talhas que se organizam em elegante desenho." (IPHAN).


Em um dos medalhões, estão os estigmas, mostrados através das mãos, pés e coração, motivo esse que o mestre repetiu, anos depois, no retábulo-mor da São Francisco de Ouro Preto. Belíssima é a face de Cristo, que se encontra na parte interna da verga da porta.


O trabalho de relevo do frontão foi executado em 1809 e é atribuído a Aniceto Souza Lopes. Na composição, estão o Cristo Seráfico e São Francisco ajoelhado, recebendo os estigmas no monte Alverne.


No interior, a capela-mor apresenta uma vigorosa obra decorativa: um retábulo de transição do joanino para o rococó, de autoria de Luiz Pinheiro Souza. No trono, São Francisco, ajoelhado frente a um crucifixo, recebe as cinco chagas de Cristo. No fim deste texto, encontra-se uma interessante lenda sobre este crucifixo.


Um grupo escultórico, representando a Santíssima Trindade, faz o coroamento do retábulo-mor. Nas paredes laterais, duas grandes telas de Alexandre Bierry mostram as cenas: A Última Ceia e A Traição no Jardim. Esses trabalhos são de 1879. No forro, delicados querubins estão envoltos em grandes rocalhas.


Preste atenção no lindo lustre de cristal Bacarat. D.Pedro II ficou tão encantado com a igreja que, ao retornar à corte, o enviou de presente. Esse lustre ficava no Ministério das Relações Exteriores.


Os altares laterais são bem diferentes dos demais altares mineiros do século 18, por não estarem incorporados à parede. É como se avançassem em direção à nave. Foram executados entre os anos de 1800 a 1830. "Os seis altares da nave e os púlpitos, dentre outros, apresentando nítida influência da escola de Antônio Francisco Lisboa." (IPHAN).


Na década de 50 do século 20, o IPHAN retirou a camada de gesso que revestia os altares, deixando-os na cor natural da madeira.


A Iconografia no trono destes altares valoriza os santos da ordem Franciscana como São Luís, rei de França, Santa Margarida de Cortona, São Lúcio, Santa Bona e São Pedro de Alcântara. Traz, também, dois altares dedicados ao próprio patrono do templo, São Francisco de Assis.


O altar do lado esquerdo, junto ao púlpito, é atribuído ao Aleijadinho. Existem autores que atribuem essa obra a Jerônimo da Assunção, João Alves dos Santos e Carlos Alves dos Santos.


Os púlpitos apresentam um ótimo trabalho de talha. O púlpito do Evangelho, à esquerda, traz: no seu tambor, a cena da Anunciação; nas laterais, os evangelistas; e acima do abaixa-voz, a figura de Moisés. O púlpito da Epistola, à direita, traz: no tambor, o Cristo; nas laterais, os evangelistas; e acima do abaixa-voz, o Papa Inocêncio III.


As obras de restauração executadas pelo IPHAN foram: a restauração do soalho do coro e do trono do altar-mor e a instalação elétrica na igreja (1954); junção com cimento da escadaria do adro (1956); revisão e reforma dos degraus do altar (1959).


Localizado na parte posterior da igreja, está o cemitério da Ordem Franciscana. Nele, encontra-se o túmulo do político são-joanense, Tancredo de Almeida Neves.


A lenda do Cristo de Monte Alverne
Esta lenda é narrada por Lúcia Machado de Almeida, no seu livro Minas Gerais Roteiro Turístico-Cultural das Cidades Históricas:


"Terminada a construção da igreja, os membros da Irmandade de São Francisco de Assis estavam reunidos na casa da Ordem, a fim de combinar a quem haveriam de encomendar uma imagem do Senhor de Monte Alverne. Eis que aparece um velho mendigo pedindo pousada por uma noite. Levaram-no a um quarto no porão, onde ele se trancou de janela e porta fechadas. Como durante três dias não deu sinal de si, julgaram-no morto e arrombaram a porta. Não havia ninguém e, em vez da misteriosa criatura, encontraram uma escultura representando o Senhor de Monte Alverne, em tamanho natural. A imagem foi levada para a Igreja de São Francisco e colocada no altar-mor, onde até hoje se acha."


Igreja de São Francisco de Assis é tombada pelo IPHAN
Registrada no livro histórico: 078 Data: 15 de julho de 1938.
Registrada no livro de Belas Artes: 164 Data: 15 de Julho de 1938.


Horário de funcionamento: segunda: 8h às 16h - terça a sábado: 8h às 17 - domingo: 8h às 14h30

 

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