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Ouro Preto

Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo

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Histórico
A Capela da Ordem Terceira do Carmo se impõe na paisagem de Ouro Preto pela sua solidez e beleza. É um dos mais importantes templos da arte colonial mineira.


A Ordem Terceira do Carmo de Vila Rica foi aprovada pelo bispo de Mariana, D. Frei Manoel da Cruz, em 1751, tendo sido o seu estatuto elaborado em 1755. Os irmãos carmelitas se reuniam na Capela de Santa Quitéria, que foi, inclusive, o local de onde surgiu a ordem. A Capela se situava em um dos pontos do chamado Morro de Santa Quitéria, divisor dos arraiais de Ouro Preto e Antônio Dias, hoje praça Tiradentes.


Arquitetura e decoração
 
A decoração deste templo mostra toda a elegância do período barroco-rococó da arte colonial mineira. Suas obras foram arrematadas por José Pereira dos Santos e Manuel Francisco Lisboa, pai do grande mestre Antônio Francisco Lisboa, que foi o responsável pelo risco elaborado em 1766. Provavelmente, foi sua última grande obra, pois veio a falecer um ano depois. “Por ser irmão da ordem, cobrou apenas 50 oitavas de ouro pelo seu trabalho” (Adalgisa A. Campos). Acredita-se que seu filho, anos mais tarde, fez modificações neste risco. Entre 1767 e 1769, o também arrematante, João Alves Viana, executou grande parte da obra de alvenaria comum e cantaria de portas e janelas. A primeira etapa da obra foi a capela-mor, mantendo parte da velha capelinha de Santa Quitéria que, em 1771, já estaria demolida.


Pórtico, lavatório da sacristia, arcos do coro, foram arrematados por Francisco de Lima Cerqueira e, em 1780, estavam concluídos.


Portada

Atribuída ao mestre Antônio Francisco Lisboa, é uma bela obra de escultura, mostrando o símbolo da ordem carmelita, o Monte Carmelo com as três estrelas que simbolizam os três santos da Ordem – São Simão Stock, São João da Cruz e Santa Tereza d’Ávila. Germain Bazin analisa o trabalho: “a morfologia típica do artista das cabeças de anjos, vigorosamente modeladas... a cabeça de querubim que sustenta a coroa é particularmente modelada com vigor”.


Capela-mor e altar-mor
 
O risco e douramento do altar-mor ficaram sob a responsabilidade do mestre Manuel da Costa Ataíde. Sua confecção foi executada pelo entalhador Vicente Alves da Costa, sendo concluídos em 1824. A imaginária que completa a decoração é composta de imagens de roca - Nossa Senhora do Carmo - e de dois grandes santos da Ordem Carmelita - Santo Elias e Santa Teresa d’Ávila. 


Uma pequena imagem de Santa Quitéria, em madeira, foi mantida pela Ordem devido ter sido a primitiva capela do local em sua homenagem. 


Na capela-mor, uma raridade: a única igreja mineira que utilizou azulejos na sua decoração e os quais trazem a representação de diversos santos da Ordem.


Púlpitos

Risco de João Gomes e execução de Justino Ferreira de Andrade, discípulo de Aleijadinho. 


Altares laterais
 
Foram riscados por João Nepomuceno Correia e Castro, e posteriormente modificados. Juntos ao arco-cruzeiro, estão os dedicados a Santa Quitéria e Santa Luzia. Foram terminados em 1795 e a autoria é desconhecida. Depois,  tem-se os de São João e Nossa Senhora da Piedade, executados de 1807 a 1809, por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. 


Na mesa do altar, encontram-se seus dois últimos trabalhos de escultura: no altar de São João, foi retratado o profeta Jeremias na prisão, e no de Nossa Senhora da Piedade, a paciência de Jó. Ambos os relevos são cercados por inscrições alusivas ao tema. Em cada altar, têm-se, também, imagens de Cristo referentes a cenas da Paixão.


A Procissão do Triunfo, realizada no Domingo de Ramos, era de responsabilidade da Ordem Terceira do Carmo. Nesta procissão, os Passos da Paixão eram conduzidos em andores.  Também se responsabilizavam pela Procissão do Enterro. É interessante observar a cor azulada do rosto dessas imagens; o motivo é que elas são de chumbo.    


Os dois últimos altares laterais foram concluídos por Justino Ferreira de Andrade em 1814.


O mestre Manuel da Costa Ataíde pintou e dourou os retábulos laterais


Forro da nave e capela-mor
 
Em estilo acadêmico, as pinturas do forro da capela-mor e  nave foram executadas no século 20 pelo italiano Ângelo Clerici.


Sacristia

Um belo lavabo com a Virgem do Carmo, executado em pedra sabão, é a principal peça da sacristia. Não se tem a documentação da autoria da obra, mas, por análise de estilo, muitos historiadores da arte acreditam que seja do mestre Antônio Francisco Lisboa.  As pinturas do forro são de autoria desconhecida.


Área externa
 
Na lateral, há uma casa do século 18, construída para abrigar a “Casa do Noviciado”, onde os aspirantes à Ordem faziam uma espécie de curso preparatório. O local, hoje, abriga o
Museu do Oratório.


O cemitério foi construído em 1824. Em 1861, iniciou-se uma reforma feita pelo engenheiro Henrique Gerber, que foi concluída em 1868.


A iconografia de Nossa Senhora do Carmo
   
A Ordem Carmelita tem como padroeira Nossa Senhora do Carmo, que é a grande advogada das almas do purgatório. Sua iconografia a traz vestida com manto marrom e uma capa branca, carrega o Menino Jesus em seus braços e, em uma das mãos, traz o escapulário. Nas pinturas, geralmente Nossa Senhora do Carmo entrega o escapulário a São Simão Stock.


Também conhecido por bentinho, o escapulário é um sinal de devoção Mariana. Segundo o Vaticano II, é 'um sinal sagrado, segundo o modelo dos sacramentos, por intermédio do qual significam efeitos, sobretudo espirituais, que se obtêm pela intercessão da Igreja'. Materialmente, são dois pequenos retângulos de pano unidos por um cordão. Esses retângulos são estampados com o símbolo da Ordem Carmelita e com a imagem da Nossa Senhora do Carmo.   


A Virgem do Carmo entregou o escapulário a São Simão Stock, em 16 de julho de 1251, dizendo-lhe: “este será o privilégio para ti e todos os carmelitas; quem com ele morrer não padecerá o fogo eterno. Quem morrer com ele se salvará”. Esse sinal mariano foi aprovado pela Igreja e amplamente difundido pela Ordem Carmelita como sinal de profunda devoção a Maria.


O primeiro convento carmelita no Brasil foi instalado em 1586, em Olinda. Seis anos depois, os carmelitas se estabeleciam também em Salvador. Hoje, no Brasil, existem 106 paróquias dedicadas à Virgem do Carmo.


A Igreja de Nossa Senhora do Carmo é tombada pelo IPHAN
Registrada no livro de Belas Artes
Inscrição: 033    Data: 20 de abril de 1938. 


Horário de funcionamento: terça a domingo 09h às 11h e de 13h às 16h45

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