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Ouro Preto

Igreja de Santa Ifigênia ou de N. S. do Rosário do Alto da Cruz

  • Ouro Preto - Igreja de Santa Ifigênia - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Igreja de Santa Ifigênia - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Igreja de Santa Ifigênia - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Igreja de Santa Ifigênia - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Det. da portada da Ig. Santa Ifigênia - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Det. Foto Ig. Santa Ifigênia - Maria Lucia Dornas

Histórico
A Igreja de Santa Ifigênia, também conhecida como Nossa Senhora do Rosário por estar no alto de um morro, destaca-se muito na paisagem urbana da cidade, dando um toque muito especial no cenário colonial ouropretano.


A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos da Freguesia de Antônio Dias teve seu início em 1718, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, dando origem à construção da Capela do Padre Faria, que reunia brancos e pretos. Após uma cisão, os homens pretos da Irmandade decidiram se estabelecer em um templo próprio, no Alto da Cruz. Com o tempo, a Capela do Rosário do Alto da Cruz passou a ser chamada de Santa Ifigênia. Sua história também está ligada ao lendário Chico Rei.


Arquitetura e decoração
Foram arrematadas por Antônio Coelho Fonseca, em 1733, e provavelmente concluídas em 1785. Esta é a data inscrita na peanha da cruz, que se encontra no frontão. Do ano de 1730 a 1780 são vários os artistas que aprecem no Livro de Receita e Despesa da Irmandade. “Entre eles figura o nome de Manuel Francisco Lisboa como responsável por diversas vistorias da obra e ainda como um dos principais fornecedores de madeira”.(IPHAN).


O frontispício apresenta um tímido e sóbrio trabalho em cantaria; na portada, um nicho com a imagem de Nossa Senhora do Rosário. Provavelmente, essas obras foram realizadas de 1777 a 1780, e nesse mesmo período a escadaria estava sendo concluída.


Em 1747 têm início os trabalhos decorativos do templo. Francisco Branco de Barros Barrigua foi o administrador da obra e também quem executou o risco dos altares, todos eles do estilo Joanino que predominou em Minas por volta de 1730 a 1760. Na imaginária, trabalharam Manuel Gomes da Rocha e o extraordinário entalhador português, Francisco Xavier de Brito.


Algo que desperta a curiosidade são os elementos africanos inseridos na decoração: búzios, chifres de carneiro e cabra, presentes em rituais de iniciação de cultos afros.


Capela-mor

A talha do altar-mor foi executada por Jerônimo Félix Teixeira e Felipe Vieira. Os painéis laterais são de autoria de Manuel Rebelo de Souza e trazem a temática de cenas da vida cotidiana. No trono, a presença de Santa Ifigênia e Nossa Senhora do Rosário. Dois painéis a óleo completam  a decoração das paredes da capela-mor, representando São Domingos e São Francisco orando aos pés de Cristo.


Altares
-laterais
Os altares-laterais junto ao arco-cruzeiro são do estilo Brito, que se caracteriza por: “pencas de querubins; tarja e medalhões ladeados por anjos, grande profundidade e movimentação das figuras, coroamento do altar e do arco-cruzeiro com grupo escultórico, destacando-se a Santíssima Trindade.” (Adalgisa A. Campos).


Estes altares são dedicados a: Santo Antônio do Noto e São Benedito, juntos ao arco-cruzeiro,  e em seguida, os de Santa Rita de Cássia e Nossa Senhora do Carmo.    


 “No decorrer do século 19, a igreja passou por obras de reforma e restauração, algumas delas descaracterizantes, como a de 1894 a 1896 que consistiu na repintura da talha da capela-mor, de dois quadros a óleo e de imagens de madeira. Também, no corpo da igreja, as paredes, tarja, púlpitos, tapa vento e teto receberam pintura a óleo branca. Na década de 60 deste século, foram realizadas obras de restauração pelo IPHAN, que consistiram na remoção das repinturas sucessivas e na recuperação da pintura original dos painéis laterais da capela-mor (Manuel Rabelo de Souza), dos forros da capela-mor, corpo da igreja e sacristia. Quanto à talha dos altares, a solução foi eliminar a pintura nova, deixando uma espécie de decapê, visto que a pintura original não mais existia”. (IPHAN).


A velha Santa Ifigênia dos Pretos do Alto da Cruz é, hoje, uma paróquia que tem sob sua responsabilidade a Capela de Nossa Senhora do Rosário do Padre Faria e as Capelas do Morro da Queimada. 


A Igreja de Santa Ifigênia é tombada pelo IPHAN
Registrada no livro de Belas Artes
Inscrição: 241   Data: 8 de setembro de 1939.


Horário de funcionamento: terça a domingo 08h30 às 16h30

 

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