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Ouro Preto

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

  • Ouro Preto - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Altar Lateral - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Altar Lateral - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Altar Lateral - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Teto da Nave - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Altar Lateral - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Altar Lateral (imagem de São Benedito) - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Altar Lateral - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Capela-mor - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Igreja de N.S do Rosário - Sérgio Freitas
  • Ouro Preto - Portão Igreja Nossa Senhora do Rosário - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Igreja Nossa Senhora do Rosário - Maria Lucia Dornas

Histórico
Essa esplêndida construção de autêntica arquitetura barroca é, tradicionalmente, conhecida como Rosário dos Pretos. Sua planta e fachada curva a transformam em uma das maravilhas da arte mineira setecentista. Apenas ela e a São Pedro dos Clérigos, em Mariana, possuem essa característica em Minas Gerais, a de serem verdadeiramente barrocas em sua arquitetura.


A Irmandade surgiu em 1715, na Matriz de Nossa Senhora do Pilar, e 1716, já estava instalada em uma capela própria no Bairro do Caquende. Em 1733, para a celebre
Procissão do Triunfo Eucarístico, a Irmandade abriu uma rua que ganhou o nome Sacramento (hoje, Getúlio Vargas), para a passagem do magnífico cortejo. Em agradecimento, o Senado da Câmara, em 1761, doou um espaçoso terreno próximo à capelinha para a construção do novo templo.


Existe um sério problema de falta de documentação sobre a construção. Sabe-se que, em 1762, as obras já estavam adiantadas. Em 1767, Dom José I autorizava aos irmãos escravos a pedirem esmolas pela Capitania, exceto no Distrito Diamantino, para angariar dinheiro para a construção.  O risco foi elaborado pelo bacharel em Cânones e construtor português, Antônio Pereira Sousa Calheiros. A Irmandade do Rosário dos Homens Pretos possuía um dos mais belos templos de Vila Rica .


Arquitetura e decoração
 
O adro da igreja foi construído em 1820 por Manuel Antônio Viana e José Veloso do Carmo .


A fachada foge completamente às retilíneas e às plantas retangulares das construções mineiras no século 18. Seu frontispício completamente curvo, o frontão imponente e sua planta elíptica marcam a influência do barroco italiano. “É considerada pelos especialistas como a expressão máxima do barroco colonial mineiro” (IPHAN). Essas obras foram executadas pelo mestre pedreiro, José Ribeiro Carvalhaes. Em 1784, teve início a decoração interna .


Altar-mor

De talha extremamente simples, é valorizado pela pintura de José Gervásio de Souza Lobo. Deve-se observar a decoração da mesa do altar-mor: “sensibilidade tocante aos motivos locais, por exemplo, ao representar recém-nascidos no retábulo-mor (por haver morrido inocentes – anjinhos -, contam com asas), com feições mulatas, dentro de um pequeno esquife”. (Adalgisa A. Campos).  No alto do trono, a imagem de Nossa Senhora do Rosário. Nos nichos laterais, São Domingos Gusmão e Santa Catarina de Siena . 


Altares laterais 
O douramento e as pinturas foram executados por Manuel Ribeiro Rosa e José Gervásio de Souza Lobo. José Gervásio, desconhecido do grande público, tem uma obra de excepcional qualidade. Todo visitante deve observar com cuidado suas pinturas presentes não só nos altares laterais, mas também no altar-mor. Os anjos são extremamente bem feitos e graciosos, as flores delicadas e de leve colorido. A decoração é de uma simplicidade emocionante .


Nos dois primeiros altares, junto ao arco-cruzeiro, têm-se invocações a Santo Antônio do Noto, à esquerda, e a São Benedito, à direita. Nos dois altares centrais: Santa Efigênia, à esquerda, e São Elesbão, à direita. Nos dois últimos, tem-se: Santa Helena, à esquerda, e Nossa Senhora Mãe dos Homens, à direita .


À esquerda, começando do arco-cruzeiro em direção do coro, têm-se as seguintes invocações: Santo Antônio do Noto, Santa Efigênia e Santa Helena. Na mesma seqüência, do lado direito: São Benedito, São Elesbão e Nossa Senhora Mãe dos Homens. Com exceção de Santa Helena e Nossa Senhora Mãe dos Homens, os outros são negros. As devoções a estes santos negros foram extremamente populares entre a população negra e mulata da Colônia . 


As obras do coro, tapa vento e portas almofadadas foram concluídas entre 1822 e 1823 . 


Restaurações foram realizadas nos anos de 1869 e 1882, graças a verbas concedidas pelo Governo da Província. Outras obras foram realizadas nos anos de 1935 e 1936, sob a coordenação da antiga Inspetoria de Monumentos Nacionais. As obras mais significativas foram as grades de ferro para a galilé desenhadas pelo pintor paulista, J. Wasth Rodrigues. O sistema de fechamento do galilé era feito, até então, por portões feitos em madeira . 


A devoção a Nossa Senhora do Rosário 
A origem do culto a Nossa Senhora está ligada à história de São Domingos que, em 1216, fundou da Ordem Dominicana. Um dia, a Virgem Maria apareceu ao santo, entregou-lhe um rosário e o ensinou um método de oração. O rosário tem o significado de uma guirlanda de rosas oferecidas a Nossa Senhora .


Existe, também, a versão de que Alain de La Roche, um monge dominicano bretão, seria o iniciador e divulgador da crença .


Iconografia

A Nossa Senhora do Rosário é representada sobre um bloco de nuvens com querubins. Em um dos braços, carrega o Menino Jesus e, na mão direita, segura o rosário ou terço. Pode aparecer também entregando o rosário a São Domingos. Uma outra variante é Nossa Senhora oferecendo o rosário a São Domingos e o Menino Jesus a Santa Catarina de Siena .  


O motivo de Nossa Senhora do Rosário ter sido escolhida como protetora dos escravos ainda precisa ser esclarecida. Para alguns, a escolha se deve ao fato de que os senhores brancos, menosprezando o intelecto dos negros, acreditavam que esses não tinham capacidade de assimilar as abstratas orações católicas. Assim, com o rosário ou o terço, tinham algo tátil na mão que lhes facilitava as orações. Existe uma versão que explica que, como algumas tribos já utilizavam búzios e contas em seus rituais, o rosário ou terço tornaria mais fácil a compreensão das orações .


A Igreja de Nossa Senhora do Rosário é tombada pelo IPHAN
Regiastrada no livro de Belas Artes
Inscrição: 248    Data: 8 de setembro de 1939.


Horário de funcionamento: terça a domingo de 9h às 11h e de 12h30 às 16h45

 

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