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Ouro Preto

Capela de São José

  • Ouro Preto - Igreja São José - Maria Lucia Dornas
  • Ouro Preto - Igreja São José - Maria Lucia Dornas

Histórico
Da Praça Tiradentes, avista-se, em uma elevação, o perfil de uma capela que dá um toque muito especial à paisagem ouropretana. É a Capela da Irmandade de São José dos Homens Pardos ou Bem Casados, irmandade esta, constituída antes de 1726 e composta por homens pardos, cuja grande maioria era ligada às artes liberais, aos ofícios mecânicos e à música. “Congregou músicos de destaque como Marcos Coelho Neto, Ignácio Parreira Neves, Francisco Gomes da Rocha, Felipe Nunes Vieira e o Padre Antônio de Souza Lobo” (Adalgisa A.Campos). Em seus quadros, também estava Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.


O Imperador D. Pedro II concedeu-lhe o título de Capela Imperial, em 1889. Quando o Brasil se tornou República, as Armas do Império, que ficavam na portada e no trono do retábulo-mor da igreja, foram retiradas e atualmente encontram-se guardadas na sacristia.


No cemitério localizado nos fundos da igreja, está sepultado o escritor ouropretano, Bernardo Guimarães.


Arquitetura e decoração 
Como a capelinha estava em péssimo estado de conservação, a Irmandade decidiu pela construção de um novo templo, em 1746. O responsável pela obra foi um construtor bastante atuante na região, José Pereira dos Santos.  O mestre pedreiro, Antônio Rodrigues Falcato, foi o responsável pelas obras de pedra.


Só no início do século 19 eram executadas as obras do frontispício, cujo projeto foi elaborado por João Machado de Souza. ”Trouxe a portada para frente, sobre um plano, enquadrado de pilastras de pedra e com cantos arredondados onde foram colocadas falsas janelas. Sobre essa espécie de nártex existe um terraço, com balaustrada” ( Wladimir A. de Souza). Esse frontispício que avança  é algo bem distinto  dos demais da cidade. 


Antônio Francisco Lisboa, elaborou o risco do retábulo-mor, que foi executado por Lourenço Rodrigues de Souza, entre os anos de 1775 e 1778. Segundo o estudioso G. Bazin, “a primeira obra pessoal do Aleijadinho da qual se tem um esboço documentado no domínio da arte de entalhador é o altar de São José, de Ouro Preto, cujo plano o artista entregou em 1772. A obra é muito simples - talvez tenha sido simplificada durante a execução, sendo atribuída a um outro artista – mas é bem ordenada, e sua monumentalidade aparece  se comparada, por exemplo, com o desenho confuso do altar do pai do artista para a Matriz de Congonhas e que é basicamente composta dos mesmos elementos.”


Lourenço Rodrigues de Souza também foi o responsável pela fatura dos altares laterais. No altar lateral esquerdo, junto ao arco-cruzeiro, estão Nossa Senhora do Parto e São José de Botas; no do lado direito, Santa Cecília.  Nos altares mais ao meio da nave, estão São João Nepomuceno e Nossa Senhora da Boa Morte, no lado esquerdo, e Santa Bárbara e Nossa Senhora de Guadalupe, no direito.


Na ilharga da capela-mor, há um quadro mostrando cenas da vida do Rei Davi, de autoria do pintor Manuel Ribeiro Rosa.


O douramento e a pintura da capela aconteceram tardiamente, em 1875, e foram executados por Ângelo Clerici.


A Devoção a São José
   
“E Jacó gerou a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chamava Cristo” (Mt.1,16). A devoção a São José é muito antiga, mas o culto litúrgico é do século 15, quando o Papa Gregório XV, em 1621, escolheu a data de 19 de março para a celebração de sua festa. Os jesuítas, no século 17, começaram a celebração da “Trindade-JMJ”, ou seja, Jesus, Maria e José. Tornou-se patrono da Igreja da Igreja Católica em 1850, e patrono dos operários e dos casamentos em 1955.


“No Brasil colonial, São José foi associado ao patriarca, ao senhor de engenhos e escravos, ao “homem de bem”. Esse culto se desenvolveria em Minas Gerais, criando verdadeiras raízes de fé, que fazem fervilhar a criatividade popular, possibilitando o surgimento de inúmeros presépios, onde São José é importante personagem, contando, muitas vezes, com um quadro especial, onde aparece exercendo sua profissão”. (Cristina Ávila). 


A iconografia

É geralmente representado como um homem de meia-idade com barba e bigode. Segura o menino Jesus em um dos braços e, em uma das mãos, carrega um cajado florido, na maioria das vezes lírios, que é referente a sua escolha para esposo de Maria e ao casamento virginal.


Uma outra representação é chamada de Sagrada Família - composta pelo Menino Jesus ladeado por Maria e José. Nas cenas da natividade, São José aparece em atitude de adoração. A cena da fuga para o Egito também foi muito retratada; ele aparece vestido para viagem, com capa, chapéu de abas ou turbante e botas. Nessa representação é conhecido popularmente de São José de Botas.


As iconografias anteriores ao século 16 mostravam São José em idade já avançada.


A Capela de São José é tombada pelo IPHAN
Registrada no livro de Belas Artes
Inscrição: 244   Data: 8 de setembro de 1939.

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