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Juiz de Fora

Museu Mariano Procópio - Parque do Museu

Foi o primeiro museu organizado em Minas Gerais. Seu acervo tem origem na coleção de arte que Alfredo Ferreira Lage iniciou na juventude.


A Villa Ferreira Lage, antiga residência da família, construída entre os anos de 1856 a 1861, sob o projeto de Carlos Augusto Gambs, chefe dos engenheiros e arquitetos da rodovia União e Indústria, foi o local escolhido por Alfredo para abrigar a coleção, mas, como essa não parava de ser acrescida por novas obras, houve a necessidade de se construir um anexo no ano de 1922.


Além de peças adquiridas em leilões no Brasil e no exterior, o acervo possui peças doadas por Duque de Caxias, Afonso Arinos, Rodolfo Bernadelli, Amélia Machado Cavalcanti.


Em 23 de junho de 1921, ano do centenário de Mariano Procópio, Alfredo inaugurou o museu que ganhou o nome em homenagem ao pai. No mesmo ano, a princesa Isabel e o conde d’Eu visitaram o museu durante a primeira viagem que realizaram ao Brasil após o exílio da família imperial. O museu foi aberto oficialmente ao público no dia 13 de maio de 1922.


Para assegurar a conservação do prédio e a proteção do acervo, Alfredo criou a Sociedade Conselho de Amigos do Museu Mariano Procópio. No dia 29 de fevereiro de 1936, foi lavrada a escritura de doação do prédio ao município. Entre as condições para a doação estava a proibição de alteração em sua finalidade cultural, “proibição perpétua de serem retirados do museu os objetos artísticos, históricos e científicos a ele incorporados”. E a permanência “das denominações atuais dadas às salas do museu” e perpetuidade da denominação “Mariano Procópio”.


Alfredo, diretor do museu, também exigiu que ficasse no cargo, até quando assim desejasse e com dispensa de submeter suas contas ao exame do Conselho e com direito de usufruto dos bens doados para poder continuar habitando no imóvel. Quando Alfredo Ferreira Lage faleceu, em 1944, ainda exercia o cargo de diretor, e o museu era um dos mais importantes.


A Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) foi criada em 1978 para administrar o museu de acordo com os termos de doação. Em 2005, foi substituída pela Fundação Museu Mariano Procópio (MAPRO).


Acervo
São cerca de 46.000 peças das áreas de belas artes, história natural, história, e variados objetos que se dividem em artefatos arqueológicos, armaria, peças de arte popular e de arte sacra, cerâmica, cristais, condecorações e bandeiras, esculturas, desenho, documentos, etnologia, fotografia, gravuras, indumentária, minerais, mobiliário, numismática, medalhas, vidros, pintura, prataria, ourivesaria e espécimes botânicos e zoológicos.


Possui um rico acervo do período imperial, muitas peças originárias do Palácio São Cristóvão no Rio de Janeiro.


Armas e indumentárias
Armas de fogo, espadas e sabres são exemplos de peças dessa seção. A peça mais importante é o fardão usado por D. Pedro II na cerimônia da maioridade em 18 de julho de 1841.


Cristais, louças e porcelanas
A base da coleção são as peças vindas do Palácio São Cristóvão no Rio de Janeiro.


Documentos
Coleção formada por doações e aquisições de arquivos particulares e documentos avulsos. São cartas, livros, revistas, jornais, mapas, fotografias e ofícios. Destaque: livro revestido de ouro e prata exaltando os feitos do Duque de Caxias.


Esculturas
Antonin Mercié, Loius Barye, Claude Michel Clodion, Modestino Kanto, José Otávio Correia Lima e Rodolfo Bernadelli.


História Natural
São duas salas dedicadas ao assunto. Foi a primeira coleção de Alfredo que começou a organizá-la quando fez sua primeira viagem à Europa aos sete anos de idade. As salas foram inauguradas em 1931.


Jóias, moedas e medalhas
Coleção de numismática doada pela viscondessa de Cavalcanti. Destaque: moedas cunhadas no Brasil na época da ocupação holandesa na Bahia, em 1624, e em Pernambuco, em1631.


Destaque das medalhas: Imperial Ordem do Cruzeiro, criada em 1822, na ocasião da coroação de D. Pedro I. Ordem do Cruzeiro do Sul, criada em 1932, em homenagem a civis, militares e estrangeiros.


Mobiliário
Coleção composta de “mobiliário de estilo”. Reconstituição do ambiente familiar dos Ferreira Lage.


Destaque: sala de música – toda em madeira, foi construída na Inglaterra e teve que ser desmontada para ser trazida para o Brasil.


Peças sacras
Objetos de ouro, prata, marfim e madeira dos séculos 18 e 19.


Pintura
Entre pinturas, gravuras e desenhos, são quase duas mil obras. Na pinacoteca, destacam-se da pintura européia obras de Jean Honoré Fragonard, Charles-François Daubigny e Willian Roelofs, pintor holandês premiado com medalha de ouro no Salão de Paris de 1888.


O quadro brasileiro de maior destaque é “Tiradentes esquartejado”, do acadêmico Pedro Américo, que pertencia à Câmara Municipal de Juiz de Fora.


Outros artistas brasileiros presentes no museu são: Antônio Parreiras, Belmiro de Almeida, Rodolfo Amoedo, Horácio Pinto da Hora e Henrique Bernadelli.


As obras estão na Galeria Maria Amália, construída no anexo.


Parque do Museu
Projeto do paisagista francês Auguste Glaziou, criador de vários jardins brasileiros no século 19. O parque, de 78 mil metros quadrados, foi reinaugurado em julho de 2008, depois de passar por dois anos de reformas e restaurações.


O parque ganhou nova infra-estrutura: lanchonete; sanitários; parquinho infantil em madeira; cinco novos pedalinhos, que terão o percurso ampliado; oitenta luminárias de última geração; novas placas de sinalização; bancos de descanso em pontos estratégicos; pista de caminhada em saibro. As cinco ilhas do lago também foram recuperadas, e 23 mil mudas foram plantadas.


Os jardins simétricos do projeto original voltaram a ter o aspecto original. Uma pequena gruta ornamental, construída em 1861 com pedras da Estrada União e Indústria, e a primeira escultura em homenagem à princesa Isabel em área pública também foram recuperadas.


O parque, com ambiente perfeito para descanso e contemplação, abriga uma fauna de cisnes, peixes exóticos, jacus, patos, marrecos, preguiças, graças, socós e martins-pescadores.


O Museu e o Parque Mariano Procópio são tombados pelo Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA).


Bem Cultural: conjunto arquitetônico, paisagístico e o acervo do Museu Mariano Procópio.


Tombamento: 28 março de 2005

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