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Caeté

Igreja Matriz Nossa Senhora do Bom Sucesso

  • Caeté - Matriz Nossa Senhora do Bom Sucesso - Lívia Ferreira
  • Caeté - Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso - Sérgio Freitas
  • Caeté - Matriz N. Sra. do Bonsucesso - Diego Gazola
  • Caeté - Interior da Matriz de N. Sra. do Bonsucesso - Vinícius Horta

Não vi, em toda a Província de Minas, uma só que fosse tão bela, mas duvido que exista no Rio de Janeiro alguma que se lhe possa comparar.” Saint Hilaire, 1817.


Histórico
Construída entre os anos 1752 e1758, a Matriz de Nossa Senhora de Bonsucesso é um marco da arquitetura religiosa em Minas Gerais. Foi o primeiro templo construído em alvenaria, e na decoração interior estão os primeiros retábulos executados em estilo rococó da capitania. 


Segundo o historiador Diogo de Vasconcelos, “essa igreja veio inaugurar em Minas o novo estilo que se estava libertando o barroco jesuítico puro e constitui a obra-prima da época”. O projeto provavelmente foi desenvolvido por Manoel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, e executado pelo construtor José Coelho Noronha. No frontispício está gravada a data de 1757, talvez o ano do término dessa obra. A grandiosidade das proporções e a suntuosa decoração a fazem uma das mais belas igrejas de Minas Gerais.


Arquitetura e decoração
O belo frontispício lhe proporciona aspecto de sobriedade e solidez. A portada tem trabalhos em alto relevo, executados em pedra-sabão. Os pilares e os cunhais são de cantaria. No frontão de linhas curvas está o óculo.


A planta é retangular, de nave única, separada da capela-mor por um imponente arco-cruzeiro composto de pilastras com capitéis compósitos. O grande destaque da decoração são duas cabeças de anjos, assim analisadas pelo historiador da arte Germain Bazin, “verdadeira chave morfológica do Aleijadinho – que permitem, ainda uma vez, distinguir-lhe a mão em algumas das esculturas desses altares. Os dois anjos que encimam o dossel do altar de Santo Antônio mostram, em sua gênese, a tipologia angeológica do artista, com o ‘topete’ característico que espantava Saint Hilaire e esse tratamento monumental do rosto que acentua o volume do queixo, das faces e dos olhos; quanto ao resto, esses dois anjos, bastante desajeitados, atestam que o artista tinha ainda muito a aprender“.


Foi aqui que o mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, iniciou sua carreira como um dos discípulos do entalhador José Coelho Noronha. Na nave estão oito altares laterais primorosamente executados ao gosto joanino e rococó com inéditos arcos interrompidos no coroamento dos retábulos. Todo o conjunto, capela-mor, nave, púlpitos, arco-cruzeiro são ornamentados com talhas e ornatos dourados. A imaginária também é de altíssima qualidade, tendo como destaque Nossa Senhora do Bom Sucesso, São Caetano, Nossa Senhora do Rosário, Santa Rita de Cássia, Santo Antônio, São Francisco Xavier, São Francisco, Nossa Senhora do Carmo, São Miguel e Senhor dos Passos. O assoalho ainda preserva a divisão em campas.


A Sacristia
O lavabo em pedra-sabão, decorado com dois peixes, é datado de 1757. Um arcaz, um oratório em talha dourada e um forro em caixotão, tendo ao centro a representação de São Nepomuceno, completam a decoração.


A matriz é tombada pelo IPHAN.
Registrada no livro de Belas Artes
Inscrição: 115
13 de junho de 1938

 

 

 

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