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Mariana

Museu Arquidiocesano (Antiga Casa Capitular)

  • Mariana - Museu Arte Sacra - Sérgio Freitas

O Prédio

O Museu Arquidiocesano de Arte Sacra está instalado na Casa Capitular, um belo prédio com elementos decorativos do rococó, do final do século 18 e princípio do 19. Sua construção ficou sob a responsabilidade de José Pereira Arouca.


A função de uma Casa Capitular era abrigar as reuniões do Cabido – grupo de cônegos - do bispado. Em 1765, os Cônegos solicitaram autorização e subsídios para a construção do cabido. A autorização foi dada, mas os subsídios foram negados. Em 1770, foi iniciada a construção. ”No decorrer da construção do edifício, José Pereira Aruoca, não se sabe por que motivo, interrompeu a execução dos trabalhos, que iam muito adiantados, em 1771. Mas, somente em 1793 é que o cabido resolveu mover uma ação contra o construtor. Os cônegos acabaram perdendo o processo, decisão final em 1800, cinco anos da morte de José Pereira Arouca (21 de julho de 1795). A obra foi terminada no final do século 18 ou começo do século 19, em data imprecisa”. (Rafael Arcanjo Santos). 


Em 1926, por decisão do Cabido, o prédio passou para o domínio da mitra Arquidiocesana, que ali instalou a cúria Metropolitana e o seu arquivo.


O Museu

O museu foi criado por Dom Oscar em 22 de setembro de 1962 para preservar a memória e a cultura de Minas, através da herança da arte colonial mineira. São cerca de 1500 peças distribuídas pelas salas do museu, que revelam toda a vivência religiosa dos mineiros nos séculos 18 e 19. 


O Acervo
É composto por peças de igrejas sob administração da Arquidiocese de Mariana, do Seminário e do Palácio Episcopal. As peças são divididas em:

- Objetos de Culto religioso (prata, prata dourada, ouro)

- Escultura religiosa

- Pintura Religiosa

- Peças de Indumentária – Paramentos


Térreo

- Hall de entrada: Fonte da Samaritana, obra em pedra-sabão atribuída ao Aleijadinho.

- Sala da Prataria: são duas salas que guardam objetos de culto religioso em prata.


1º Pavimento
- 1ª sala: pinacoteca sacra – quadros com invocações de Nossa Senhora.

- 2ª sala: imaginária sacra - esculturas e talhas.  

- 3º sala: vestes litúrgicas e santos de roca.

- 4º sala: pinacoteca sacra – quadros com representação de vários santos.

- 5º sala: cerimônias religiosas – pias batismais.

- 6ª sala: sala do altar – retratos de papas, altar do Crucifixo e missal.

- 7ª sala: sala dos bispos – mobiliário utilizado para as reuniões eclesiásticas do Cabido, galeria    dos bispos de Mariana. Estão representados ali: Dom Frei Manoel da Cruz, Dom Joaquim Borges de Figuerôa, Dom Bartolomeu Manoel Mendes dos Reis, Dom Frei Domingos da Encarnação Pontavel, Dom Frei Cipriano de São José, Dom Frei José da Santíssima Trindade, Dom Antônio Ferreira Viçoso, Dom Antônio Corrêa de Sá e Benevides, Dom Silvério Gomes Pimenta (9º bispo e 1º Arcebispo), Dom Helvécio Gomes de Oliveira. 


O prédio é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.

Registrado no Livro de Belas Artes. Inscrição: 336. Data: 6 dezembro de 1949.


Peças de destaque

 

A Fonte da Samaritana

Uma das mais belas e criativas peças do Museu é esta fonte atribuída ao Aleijadinho devido a suas características formais. O estudioso de arte colonial brasileira, Germain Bazin, faz uma notável análise: “Pena que esse baixo-relevo esteja também mal conservado, pois deve ter sido uma das melhores obras do Aleijadinho, de grande delicadeza de execução. O Cristo está sentado numa plena de verdade, e parece querer levantar-se; o drapeado da roupa, de pregas quebradas e complicadas, faz pensar nos profetas de Congonhas; o rosto do Cristo, jovem e belo, está impregnado de grande mansidão. A atitude da Samaritana é graciosa – que traço encantador na arte austera do Aleijadinho esta cabeleira amarrada num coque farto! Infelizmente, o rosto está quase completamente destruído, mas, mesmo assim, deixa adivinhar uma expressão comovida; é de lamentar que essa manifestação de feminilidade, tão rara no nosso artista, tenha sido tão cruelmente castigada pelo tempo.”


A Fonte é tombada pelo IPHAN.

Está registrada no Livro Belas Artes. Inscrição: 346.

Data: 19 de dezembro de 1949.


São Joaquim
Esta peça de excelente qualidade técnica foi feita originalmente para ficar um nicho lateral do retábulo de Nossa Senhora do Carmo da Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Congonhas. Foi atribuída pelo IPHAN ao Mestre Aleijadinho.


Busto Relicário de Santo Hilário

Busto Relicário de Santo Atanásio

Busto Relicário de São Basílio

Busto Relicário de São Nicolau


Estas peças faziam parte do conjunto de oito bustos relicários executados para a Basílica de Bom Jesus de Matosinhos. Foram executadas em cedro e são atribuídas ao Mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. A policromia foi executada por João Nepomuceno Correia e Castro, conforme recibos assinados pelo pintor. Originalmente, ficavam na sacristia da Basílica de Bom Jesus de Matosinhos.


No que se refere à obra de Santo Hilário, Myriam Oliveira diz: “o belo desenho das longas barbas enroladas e puxadas para o lado, os bigodes sinuosos, a boca pequena de lábios carnudos e recortados, as sobrancelhas esculpidas em linhas contínuas com o nariz afilado, de narinas abertas, os olhos amendoados e a conformação óssea das faces volumosa denunciam o trabalho pessoal de Antônio Francisco Lisboa, assim como a expressividade do rosto, os cortes da capa e o mesmo concheado da base.” 


São João Nepomuceno

Atribuída a Aleijadinho, esta peça foi executada em cedro. Pertencia ao Seminário de Nossa Senhora da Boa Morte, provavelmente fazendo parte de um oratório. “Pertence ao seu período de maturidade, entre 1775 e 1790: mostra-nos um homem de meia-idade com rosto trágico, ascético, e olhar de profunda tristeza. As mãos sustentavam um crucifixo que o santo contemplava. A peça tem todas as características formais do mestre Antônio Francisco Lisboa, no tratamento dos panejamentos de pregas angulosos, na posição de pé, na conformação óssea do rosto, nos traço das sobrancelhas, no nariz e nos olhos amendoados, ou seja, na topologia do conjunto...” (Myriam Oliveira)


Senhor dos Passos
Segundo o estudioso Orlandino Seixas, este Senhor dos Passos foi executado pelo mestre Aleijadinho. Feita em cedro, é uma imagem de vestir articulada, com uma forte expressão fisionômica.


São Francisco de Paula

Em 1967, esta peça foi tombada pelo IPHAN e atribuída ao Mestre Aleijadinho. Mas, segundo análises mais recentes da professora Myriam Ribeiro, a obra é da oficina do mestre. ”O tratamento do rosto largo, o desenho exagerado do recorte dos lábios, a composição da barba e o corte muito aberto das narinas distanciam-na das outras imagens de São Francisco de Paula feitas pelo mestre.”


Ostensório

É uma peça trazida de Portugal por Dom Frei Manoel da Cruz, em prata dourada pesando sete quilos e que possui 160 pedras preciosas.


Cadeira do bispo

Esta bela peça em jacarandá é atribuída ao Aleijadinho. No alto do espaldar, encontram-se trabalhos em rocalhas e anjinhos. Um deles traz na cabeça uma mitra.


Túnica de Nossa Senhora  das Dores
Confeccionada em veludo e bordada com fios de ouro, esta túnica foi presente de D. Pedro II.


Estolas, manípulo, mitra e casula
Fazem parte do acervo do museu ricas alfaias bordadas em fios de ouro de prata e pedrarias.


Funcionamento:
terça à sexta, das 8:30 às 12 horas e das 13:30 às 17 horas. 
Finais de semana e feriados, das 8:30 às 14 horas.

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