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Ouro Preto

Alberto da Veiga Guignard

© Guignard Belo Horizonte - Retrato de JK 1944 - Guignard Retrato de JK 1944

Guignard

Alberto da Veiga Guignard



Cronologia

Nasceu: 1896   
Faleceu: 26 de junho 1962
Natural de Nova Friburgo/Rio de Janeiro


Formação

Aluno da Real Academia de Belas Artes de Munique - 1915 a 1923
Graduado em desenho -Paris.
Curso de a perfeiçoamento em Florença.


Atividade
Artista Plástico
Ilustrador
Professor de desenho e gravura.


Trajetória de Vida

Em 1907, após o segundo casamento da mãe, muda-se para a Europa. A partir de 1915, começa o curso na Real Academia de Belas Artes de Munique, onde teve oportunidade de ser aluno de Hermann Groeber e Adolf Hengeler. Casou-se em 1923 com  Anna Doring, uma estudante de música, que era  filha da dona da pensão onde residia. Ana faleceu em 1930, logo depois de tê-lo abandonado. Esse fato marcou profundamente sua vida e obra. Já havia perdido a mãe e a irmã em 1926.


Ao retornar ao Brasil, em 1929, faz contato com a vanguarda artística brasileira, como Ismael Nery,  Cândido Portinari e Di Cavalcanti. Foi considerado por Mário de Andrade coma a revelação do Salão Revolucionário, que aconteceu em 1931.


Por doze anos, de 1931 a 1943, foi professor de desenho e gravura na Fundação Osório, no Rio de Janeiro. ”Nos seus últimos anos, lecionou no Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal. É “nomeado” por  Manuel Bandeira com o título de  A Nova Flor da Abacate.


No ano de 1944, acontece o fato profissional mais marcante na sua vida: o convite do prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitscheck, para organizar, dirigir e lecionar uma Escola de Belas Artes em Belo Horizonte, sendo seu diretor até 1962. Nessa escola, muitas gerações de artistas mineiros se formaram, como Lygia Clark, Amílcar de Castro, Sarah Ávila, Yara Tupinambá e outros. 


Faleceu devido a uma insuficiência cardíaca. Como era do seu desejo, foi sepultado no cemitério da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, em Ouro Preto


Principais Obras

Suas obras abrangem paisagens, retratos, pinturas de gênero e de temática religiosa. Guignard nasceu com o chamado lábio leporino, o que influenciou muito sua obra, nunca o escondeu em seus inúmeros auto-retratos,  assim como seus Cristos também traziam os lábios marcados pela deformidade.


Títulos de  algumas telas:
Visão de um Parque
Retrato de  Pedrinho
Marília de Dirceu
Cristo
As Gêmeas
O Parque Municipal
Paisagem de Sabará
Fantasia de Minas
Ouro Preto 


Homenagem

Em justa homenagem, seu nome foi dado:
Escola de Belas Artes de Belo Horizonte  passa a se chamar Escola Guignard.  


Exposições

Exposições comemorativas pelo centenário de seu nascimento em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.


Obras fizeram parte da “Exposição Brazil: body and soul”, no Solomon R. Guggenheim Museum, New York, EUA, em 2001.


Museu
Inauguração do Museu Casa Guignard, em Ouro Preto - 1985


Livro

Alberto da Veiga Guignard  de Frederico Morais - 1979
“Guignard: arte e vida” de Lélia Coelho Frota - 1997


A Guignard

'Caro pintor Guignard, que estás enfermo:
daqui desta cidade, onde perdura
o eco fantasista de teus passos
pelos caminhos claros da pintura;


Do Rio, onde teus quadros mais festivos
evadindo-se às lindes da matéria
à prisão dos museus, ao pobre tempo,
voam livres no céu, em luz etérea;


(...)


daqui, onde retratos de meninas
continuam meninas, murmurando
um segredo infantil de seiva e bruma
desvendado por ti, anjo pintando;


Deste Rio amoroso e cristalino,
onde algum raro banco de azulejo
e casas de ilusão abrem cenários
para as moças que pintas, e que eu vejo;


Sem registro civil, incorporadas
ao puro mito poético da Jovem,
que a todo mal resiste, e resplandece
quando, em torno de nós, os males chovem;


Daqui te mando, amigo, esta mensagem
à casa de saúde onde repousas
do teu muito pensar em nuvens e anjos,
que, entre todos os bens, são tuas cousas.


Aníbal e Rodrigo - dois apenas
citarei, mas são muitos, e o flamante
fuzileiro naval e sua noiva
comigo confraternizam neste instante.


Amigos e modelos, em conjunto
afetuoso, por sobre a Mantiqueira,
fazem-te esta visita sem palavras,
fruto de simpatia verdadeira.


Volta, Guignard, de corpo restaurado,
ao mundo material, de onde extraías
o delicado mundo guignardiano
entre balões, nas altas serranias.'

                           Carlos Drummond de Andrade