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Rio Piracicaba

Grandiosidade e manifestações de fé no Jubileu do Bom Jesus

Sem dúvidas a maior celebração religiosa e demonstração de fé de toda a região do Médio Piracicaba. Assim, podemos definir o Jubileu do Senhor Bom Jesus. Tradicionalmente realizado em maio, o Jubileu, ou a "Festa" do Bom Jesus, como os piracicabense também gostam de se referir, atrai milhares de pessoas de vários cantos do país. Todas atrás de paz espiritual buscada através de agradecimentos por graças alcançadas, pagamento de promessas ou em busca de milagres. A movimentação em torno do Jubileu começa meses antes, com preparativos, e a partir dos últimos dias de abril começa a novena. As procissões, marcos do evento, são realizadas nos dias 1, 2 e 3 de maio, percorrem todo o centro da cidades em um roteiro que inclui a igreja do Bom Jesus, a Matriz, a Igreja do Rosário e a Capela do Senhor do Bonfim.


Hoje, por onde passa, a imagem do Senhor Bom Jesus emociona. Todos querem tocá-la, agradecer ou pedir. Muitos choram. Outros seguem as procissões descalços, como forma de simplicidade, agradecimento ou sacrifício. Na escadaria da igreja do Bom Jesus fiéis sobem de joelhos para pagar promessas. O brilho das velas ilumina as ruas. Em cada esquina, vendedores oferecem partes do corpo esculpidas em cera, que são usadas por fiéis acometidos por doenças que pedem a cura ao Senhor Bom Jesus. Os carregadores de andor também emprestam devoção ao evento. São inconfundíveis vestidos com uma túnica roxa característica.


Como tudo começou

A origem da festa vem de 1811, ainda na época da escravidão. E foi justamente das mãos de um escravo que a tradição começou. A história contada no livro "Bastão de Ouro", e também retratada na igreja do Bom Jesus, conta que havia um capitão chamado Anastácio Corrêa Barros que possuía uma fazenda onde criava cavalos de raça para vender. Um dos cavalos de sua criação era o preferido, que não permitia que nenhuma outra pessoa o montasse.


Naquela época, assim como outros proprietários de terras, o capitão também possuía muitos escravos. Um deles, chamado Jeremias, se destacava pela astúcia e tinha a confiança do senhor Anastácio. Eficiente na arte de domar cavalos, Jeremias foi designado para ser o responsável por cuidar dos animais que, posteriormente eram vendidos. Um dia, o capitão Anastácio viajou com a família para um casamento e sua fazenda ficou sob os cuidados de um capataz. Jeremias, aproveitando-se de uma rápida ausência do feitor, decidiu dar uma volta montando no cavalo preferido do capitão. No entanto, sua esperteza se transformou em falta de sorte e o escarvo foi surpreendido pelo capataz. Temendo ser punido por Anastácio, Jeremias foge levando um canivete e uma bateia.


O escravo se escondeu nas matas onde hoje está a igreja do Bom Jesus. Durante a noite explorava os córregos em busca de ouro e depois trocava por alimentos no comércio do arraial. Já durante o dia trabalhava na produção de uma imagem de Jesus Cristo em madeira. Arrependido, Jeremias voltou à fazenda e ofereceu ao capitão Anastácio que, comovido com a atitude do escravo, mandou construir uma capela no local onde Jeremias talhou a peça.


A capela ficou pronta em 1815 e foi a raiz para toda a devoção que envolve o Jubileu do Senhor Bom Jesus.


Milagres

A igreja do Senhor Bom Jesus possui a Sala dos Milagres, um espaço construído em 1971, por um devoto, juntamente com a paróquia. Quem entra na sala se impressiona. São fotos, peças em cera, cartas e muitos pedidos de ajuda divina, principalmente por pessoas doentes ou que possuem parentes enfermos. Durante o Jublileu, centenas de velas são acessas no entorno da sala em homenagem.

 

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