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Educação Ambiental

Os Caminhos  antigos da Estrada Real o levarão, em meio a paisagens belíssimas, a uma região de riqueza natural e cultural inestimáveis. Entretanto, ao longo do percurso, você terá  a oportunidade de observar ambientes descaracterizados por desmatamentos e reflorestamentos, serras recortadas por minerações, rios assoreados, casarões e fazendas antigas em ruínas.  O contato com esses elementos impactantes que interferem na paisagem acaba por suscitar interessantes reflexões sobre o uso que a nossa sociedade faz de seu ambiente natural e o descaso com a nossa própria história.


Pensando nisso, resolvemos colocar aqui algumas dicas para você aproveitar bem o caminho e ajudar a preservar o patrimônio natural e cultural que há à sua volta.


Lixo

Muitas das comunidades rurais por onde você passará não são servidas de sistemas de coleta de lixo. Portanto, cada viajante deve se responsabilizar pelo destino final do lixo que produzir. Restrinja o uso de material descartável ao mínimo necessário; assim, a quantidade de lixo produzida será menor. Algumas atitudes corriqueiras podem causar problemas sérios, com resultados graves, desconsiderados pela maioria das pessoas. Por exemplo, pontas de cigarro lançadas sobre a vegetação, além de provocar incêndios, podem ser usadas pelos pássaros na preparação de seus ninhos e ocasionar intoxicação dos filhotes; latas e vidros podem funcionar como lentes de aumento, refletindo o sol e provocando incêndios; papéis e plásticos, além de sujarem o ambiente, são de fácil combustão; os plásticos, se ingeridos por animais silvestres, podem levá-los à morte.


Fogueiras

Evite acender fogueiras próximo à vegetação e, se o fizer, limpe a área ao redor para evitar que o fogo se propague (assim como as seriemas fazem ao redor dos seus ninhos, protegendo-os contra os incêndios florestais). O cuidado deve ser redobrado durante a estação seca (de abril a setembro). Não use velas próximo à vegetação ou em barracas. Lembre-se de que o fogo é o maior inimigo da vida silvestre.


Poluição Sonora

Os ambientes naturais e rurais possibilitam descanso aos nossos ouvidos, tão acostumados ao barulho constante das grandes cidades. Por isso, preste atenção ao silêncio e aos sons peculiares ao seu redor. Os altos decibéis e a zoeira, além de afugentar os animais, causam antipatia nos outros turistas e principalmente no pessoal das comunidades locais. O respeito aos costumes do lugar é o primeiro mandamento do turista consciente. A vida no interior oferece sossego, harmonia e muita prosa. Aproveite!


Bebidas Alcoólicas

No interior de Minas são produzidos vinhos, licores e, principalmente, cachaças da melhor qualidade. Deguste e aprecie essas bebidas, especialmente se acompanhadas de uma boa prosa, mas evite misturar cachaças (destilados) e vinhos (fermentados), pois essa é uma combinação explosiva. Não se esqueça de que é preciso muita disposição e atenção para se aproveitar bem a viagem. E lembre-se: bebidas alcoólicas nunca combinaram com direção de automóveis e pedras de cachoeira!


Veículos

Pela lei, em vias da zona rural, a circulação de pedestres tem sempre a preferência. Portanto, nunca exceda a velocidade máxima de 40 Km/h.  Pelos caminhos antigos, são muitos os aclives e declives, curvas e pontes, poeira e barro que dificultam uma ultrapassagem segura e exigem distância de segurança entre os veículos. Planeje os abastecimentos, pois estradas na zona rural dificilmente têm postos de gasolina. Use cinto de segurança sempre, mesmo em baixas velocidades, pois há grandes possibilidades de imprevistos, como encontrar bicicletas e animais soltos na pista. Siga sempre estradas demarcadas, não crie novos caminhos nas laterais, pois esses podem gerar processos de erosão.


Depredação

O maior impacto do turismo sobre os patrimônios natural e cultural é a depredação. Existe uma máxima que deve ser observada por todo turista consciente: “Não tire nada, a não ser fotos. Não deixe nada, a não ser saudades. Não mate nada, a não ser o tempo”.  Escrever ou desenhar em pedras e árvores é um comportamento reprovável. Lembre-se sempre de que os impactos causados por pequenas modificações individuais, com o passar do tempo, transformam completamente um ambiente. Outro hábito comum é a coleta de plantas. Saiba que as plantas nativas estão adaptadas ao seu habitat específico de origem e dificilmente se estabelecem fora de seu ambiente natural. Geralmente, morrem durante o transporte ou logo depois. Quanto ao transporte de animais, além de crime inafiançável, é um ato de crueldade. No tráfico ilegal de animais silvestres, cerca de 85% deles morrem antes de chegar ao seu destino.


Água

Durante todo o percurso, você terá a oportunidade de encontrar belas cachoeiras e cursos d’água agradáveis e limpos. Coopere para a manutenção dessas riquezas naturais cada vez mais raras no mundo de hoje. Evite utilizar sabão e detergente e lembre-se de que muitas vezes existem comunidades vizinhas a essa área que utilizam diretamente essa água para beber. Não provoque o desmoronamento nem a  retirada da cobertura vegetal das margens, pois isso contribui para o assoreamento dos cursos d’água e aumentam a área de inundação, diminuindo o volume de água corrente. Aproveite para pensar que em todo o mundo, a escassez e a qualidade da água estão se tornando uma das maiores preocupações ambientais dos governos.


Texto de  Ângela Christina Lara - bióloga, consultora e Mestre em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre
e Ronildo Araújo - bacharel em Turismo e expedicionário do projeto Spix & Martius - 1999

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