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01. Estrada Real - Caminhos Antigos

As estradas reais no interior brasileiro


A história da penetração, do povoamento e da ocupação econômica do vasto interior brasileiro está intimamente vinculada à abertura e à expansão das rotas terrestres e fluviais que varreram o território nos quatro séculos da colonização. Desde a chegada do português até as últimas décadas do século XIX, foi aberta uma infinidade de caminhos terrestres e rotas fluviais de circulação, num esforço verdadeiramente titânico de apropriação, pelo colonizador europeu, da massa territorial representada pelo conjunto de terras da porção oriental da América do Sul, onde hoje está o Brasil.


Não é novidade que nesse processo foram dizimados ou escravizados os primeiros povos ocupantes dessas terras, representados pelos cerca de cinco de milhões de indígenas que constituíam, no momento da chegada dos portugueses, a população indígena original do atual território brasileiro, paraguaio e do rio da Prata. Milenares rotas indígenas foram utilizadas para o avanço das bandeiras e entradas de preação de índios e de pesquisa mineral. Somando-se aos jesuítas, responsáveis pela descaracterização cultural dos povos ameríndios, ainda que tenham se esforçado para preserva-los fisicamente, os bandeirantes e entradistas foram os principais agentes da destruição das tribos indígenas do território colonial.


Com a chegada dos africanos os caminhos de penetração passaram a ser também obra do escravo negro. Incontáveis trilhas e estradas foram abertas e assentadas pela mão-de-obra escrava; os poucos calçadões de pedra que ainda hoje podem ser encontrados no interior brasileiro dão uma pálida idéia do árduo esforço que representou a sua construção pelo braço afro-brasileiro. A história dos caminhos antigos brasileiros tem, assim, as cores da guerra contra o indígena e da escravidão africana.


Mas também do comércio. Pelas vias antigas trafegou o que já foi denominado 'o navio das Minas Gerais', que eram as tropas de muares, responsáveis pela intensa circulação mercantil no interior da colônia. Especificamente quanto à região mineradora do interior de Minas Gerais, formada no final do século XVII e consolidada na primeira metade do seguinte, foram as tropas de burros e mulas os responsáveis pelo transporte do ouro e do diamante nela extraídos para os portos do litoral e, no sentido inverso, pelo abastecimento da capitania de alimentos, armas, pólvora, aguardente, ferramentas, roupas, produtos importados da Europa e outras mercadorias. O gado bovino, criado nos famosos currais do rio São Francisco, de lá chegava às minas, pelas vias terrestres, para abastecer de carne a sua população. Os comboios de escravos índios e negros eram trazidos das vilas paulistas e do litoral para o trabalho nas minas pelos caminhos que varavam a serra da Mantiqueira e chegavam ao centro da capitania pelo sul.


Há registros de que até 1721 os três grandes caminhos coloniais de ocupação da região mineradora da capitania das Minas Gerais - o Caminho Velho, o Caminho Novo e o Caminho da Bahia - tenham rendido, em média, 27 arrobas de ouro anuais em tributos recolhidos ao longo do seu leito. Esses três caminhos, aos quais se somou a via para o antigo Distrito Diamantino, hoje a estrada que liga Ouro Preto a Diamantina, constituíram as primeiras e principais rotas de ocupação e exploração econômica do território da capitania. Eram eles as estradas de ligação entre a região mineradora e as vilas paulistas, o Rio de Janeiro e a 'cidade da Bahia' (Salvador).


Texto de Márcio Santos - Pesquisador de rotas antigas, autor de Estradas Reais - Introdução ao estudo dos caminhos do ouro e do diamnte no Brasil, licenciado em Filosofia, especializado em Formação Política e Econômica da Sociedade Brasileira, consultor em Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

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