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Um dia na Estrada Real - Século 19

© ALE Santo Antônio do Itambé - Pico do Itambé - Desenho de Johann Baptist Von Spix - ALE Pico do Itambé - Desenho de Johann Baptist Von Spix

6h

Os viajantes já estão de pé e se preparam para um novo dia de jornada. O pernoite aconteceu em um rancho, que, na realidade, é uma construção simples que parece um avarandado. É comum encontrá-los às margens da Estrada Real, ou pelos caminhos transversais. Um mulato e dois negros que os acompanham cuidam de todos os preparativos. As cobertas de algodão utilizadas para se aquecerem na noite fria, apesar do fogo que havia sido aceso, são guardadas em um baú forrado de couro. Outros objetos e roupas são guardados na bagagem miúda. Um mulato bem jovem, responsável em tocar os burros, cuida para que toda a carga seja bem acomodada e bem amarrada no lombo dos animais.



Não é necessário pagar o pernoite no rancho. A compensação será feita na “venda” que fica ao lado, onde alguns alimentos terão de ser adquiridos para o almoço, bem como o milho para os animais de carga.



9h

Os viajantes passam por um Registro, pagam várias taxas como a do visto no passaporte, a da travessia do rio, dos animais, por indivíduo livre ou escravo.



11h30

Aproveitando o lugar em que a água brota generosamente, param para preparar uma refeição. A água da Província de Minas Gerais é extremamente pura, o que a faz famosa entre os viajantes. Um dos escravos acende o fogo para preparar o feijão com toucinho que será comido com farinha de milho. Os baús servem de mesas improvisadas.



A manhã fora muito cansativa. O sol escaldante, o terreno muito íngreme e desigual os obriga  a fazer inúmeras descidas e subidas, deixando todos fatigados já no final da manhã. Após o almoço, estendem  redes para um repouso e esperam calor melhorar para prosseguir.



17h30

Depois de um percurso de quase três léguas seguindo o curso de um riacho, chegam a um próspero arraial. A paisagem nos arredores é bem desoladora. O morro e o solo de onde já se extraiu o ouro estão esburacados, e, no lugar da vegetação rasteira, encontram-se montes de cascalho. No centro do arraial, está a igreja matriz, toda pintada de branca, com portas e janelas verdes. Seu interior é muito bem decorado com altares de talha caprichada e douramentos. As casas são bem construídas e bem cuidadas; dois sobrados com balcões se destacam do restante das construções.



18h30

A noite é passada em uma hospedaria. No jantar, é servida uma das refeições preferidas dos habitantes da província: galinha cozida, porções de quiabo, angu e feijão com farinha. A sobremesa favorita também é servida – uma canjica cozida na água sem açúcar. Ao terminarem, fazem uma breve oração em ação de graças, e as pessoas se cumprimentam.



Após o jantar, a dona da hospedaria canta algumas canções melancólicas para os hóspedes. No terreiro, os escravos e os mulatos se divertem dançando e cantando o batuque.



20h30

As pessoas se preparam para dormir. Um escravo traz uma bacia de cobre e uma toalha para os hóspedes lavarem os pés. Amanhã, segundo os planos de viagem, será mais um longo dia, mais de cinco léguas serão percorridas.



Texto: Maria Lucia Dornas

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