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Minas são outros 500 - A Estrada Real - (SxM)

Caminhos reminescentes da época do nosso descobrimento aos séculos 17,18 e 19. Um legado do passado. Trilhas do futuro. Em torno delas, nasceu Minas Gerais, suas vilas e suas histórias. Antes da vinda dos europeus (especialmente os portugueses colonizadores) e dos africanos (trazidos como escravos), aqui habitavam os índios. Esses, conhecedores do território, foram os guias dos caminhantes e tropeiros que primeiro surgiram por aqui. Contribuíram também para nossa formação cultural e racial, mesclando-se com brancos e negros, e originando o povo brasileiro.


Nos caminhos traçados pelas chamadas "Entradas e Bandeiras", passaram os mais variados interesses desde 1500. Foram os bandeirantes e aventureiros, na busca do ouro e de pedras preciosas, das ricas reservas e diversidade mineral aqui encontradas, que motivaram tantos na conquista destas terras. Instalaram-se fazendas, vieram missionários, comerciantes, fidalgos, tropas imperiais. Nasciam, no curso do caminho, postos de fiscalização e controle de escoamento do ouro, do diamante e da entrada de víveres, aos quais a Colônia imputava taxas e impostos. Com a criação das vilas, foi se definindo um estilo de arquitetura colonial, até hoje presente nos casarios desta região.

As artes têm berço nestas paragens, onde a dificuldade, naqueles tempos, de transportar as delicadas obras barrocas de além-mar inspirou criações autênticas de pintores e entalhadores, que aqui se empenharam na construção de importantes obras nas igrejas: imagens, tetos e retábulos dos variados períodos do movimento Barroco mineiro ainda podem ser notados nos patrimônios conservados.

* Os textos produzidos por Tullio Marques foram desenvolvidos com base em observações pessoais e dados colhidos pelo caminho, estando sujeitos a equívocos e eventualmente à omissão de algum dado ou nome.

** Tullio Marques é formado em Direito, consultor do Projeto de Ecoturismo do SENAC-MG, especializado em Turismo Eqüestre, proprietário da Tropa Serrana, cineasta e coordenador-geral da Expedição Spix & Martius - 1999.

Pressionada pela cobrança de impostos da Coroa, a sociedade inicia movimentos de revolta e, por esta Estrada, correm conflitos, que sedimentam o ideal de uma conquista, que por aqui insurge como Inconfidência Mineira. Nos rastros de nossos heróis, planta-se o ideal da independência. Assim, nossa história vai sendo escrita por estas trilhas, pelos caminhantes, tropeiros, mineiros e brasileiros, ao longo do tempo. Revoluções, abolição dos escravos, República... e a Estrada Real desenha o mapa que marca nosso desenvolvimento e nossa nação.

Outro tesouro pretendido pelos colonizadores era a informação. Aqueles que nos tempos das descobertas retivessem maior acervo em seus museus detinham certo poder. Foram muitos os pesquisadores que aqui estiveram, descobrindo verdadeiros tesouros. Pesquisando em muitas cavernas e grutas, o dinamarquês Peter Lund, na região de Lagoa Santa, identifica registros do homem primitivo, confirmando a importante teoria de Darwin sobre a evolução das espécies. Sua descoberta torna-se decisiva para a concepção da origem do mundo. O Brasil projeta sua imagem nas pesquisas de notáveis cientistas que aqui se debruçaram em seus trabalhos e buscas. O Barão de Eschwege, em Congonhas, e o Intendente Câmara, em Morro do Pilar, criaram o alicerce de nossa indústria, iniciando a fundição do ferro em ações patrióticas para o nosso "desenvolvimento".

Essas propostas fluem no leito da Estrada Real. Da mistura de raças e de interesses diversos nasce um contingente de valores. Festas religiosas e pagãs se tornam tradição e folclore em nosso Estado. A culinária mineira adquire características próprias, sendo hoje muito apreciada em todo o mundo. O artesanato, nas suas mais variadas formas, vale-se de uma criatividade gerada neste berço esplêndido das artes brasileiras. A imprensa experimenta seus primeiros registros no próprio movimento da Inconfidência, fecundando uma pulsante veia literária, muitas vezes revelada em "causos" tão costumeiramente narrados pelos mineiros. Historiadores, como Saint-Hilaire e Richard Burton, deixaram registros coletados em suas andanças pelas estradas reais. A primeira escola superior no Brasil instala-se em Ouro Preto e, por nossos caminhos, Henrique Gorceix desenvolve as pesquisas geológicas de sua Escola de Minas.

Valores como esses que aqui se formavam foram acrescidos pela obra dos naturalistas bávaros Spix e Martius. Transportando-se por tropas através do Brasil, às vezes a pé ou mesmo em canoas, transitaram de Ouro Preto a Diamantina, por volta de 1817. Sua missão científica gerou a importante obra Viagem pelo Brasil, na qual fizeram o levantamento de centenas de espécimes de nossa fauna (especialmente da avifauna) e de 40% da nossa flora.

Em homenagem à memória desses cientistas, em consideração à cultura tropeira - fatores que contribuíram para nossa formação -, e, ainda, por identificar condições de enorme interesse aos viajantes e aventureiros contemporâneos é que nos reunimos em um grupo multidisciplinar, para coletar dados, buscando transmitir, de forma discutida e planejada, uma perspectiva de mercado para se instalarem produtos e atividades ligadas ao segmento do Ecoturismo. Percebemos, na Estrada Real, uma natureza ainda exuberante com riquíssimo patrimônio hídrico que indica condições decisivas para essa vocação. Esse destino, desenvolvido com respeito aos ambientes humano, natural, cultural e social, reflete um passado e aponta para um futuro que garante que Minas são outros 500.

 

Texto de Túlio Marques

 

 

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