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Diário de Bordo - Ações preparatórias - (SxM)

1.   Ações Preparatórias
Em janeiro de 1999, recebi uma correspondência do Evandro Sathler, Diretor da FUNIVALE (Universidade Livre, Experimental e Comunitária do Vale do Jequitinhonha). Nessa, ele expunha interesse de que eu, em função da minha experiência em Turismo Eqüestre, envolvesse-me no Projeto Spix & Martius, desenvolvido por aquela universidade. Sua intenção era de que eu conduzisse a tropa e guiasse o grupo de expedicionários que refariam o mesmo percurso daqueles dois naturalistas.


A essência do projeto, conforme idealizara, era de realizar uma pesquisa naquele caminho, coletando dados e confrontando-os aos descritos até então, a fim de comparar os ambientes naturais e avaliar seu comprometimento, identificar as influências e valores culturais – notadamente do tropeirismo–, promover o Ecoturismo, avaliar aspectos socioeconômicos e incentivar o desenvolvimento.


Além de homenagear Spix e Martius, ao refazer o mesmo caminho que percorreram e, ainda, prever a passagem pela Serra do Caraça, a FUNIVALE, como objetivo específico, buscava chamar atenção para a comemoração de seus 10 anos de atividades.[1]


Dado meu envolvimento com a política do Ecoturismo em nosso Estado, e especialmente com a Estrada Real, não hesitei em responder ao Evandro, colocando-me à disposição. Desde então, ocorreram diversos contatos entre nós, via cartas, e-mails, telefonemas... até que, juntamente com Martin Willian Kuhne, presidente da FUNIVALE, fizeram-me uma visita em Belo Horizonte.


“Acertamos os ponteiros” quanto à possibilidade de oferecer meus préstimos como Guia Regional e Tropeiro da Expedição. Contudo, as coisas permaneceriam em compasso de espera, pois em nenhuma das investidas da FUNIVALE havia confirmação de patrocínio, sem o qual o projeto tornava-se inexeqüível.


Percebi que aquela era uma oportunidade estratégica para efetivar os planos de capacitação do setor turístico na Estrada Real, de tão rico acervo decorrente do Ciclo do Ouro. Resolvi abraçar a causa. Compreendi que, além da função de guia/mateiro, o que mais precisavam era de alguém que abrisse o caminho (não simplesmente com um facão, quebrando galhos na trilha como os tropeiros de antigamente) e que elaborasse um plano para que se seguisse o rumo do projeto, o que exigiria muito mais de mim. Outra seria a função: a de operacionalizar a Expedição. Era preciso que se viabilizassem recursos para alcançar aquela meta. E, para articular e se empreender contatos, propus ao Evandro um maior envolvimento meu e liberdade de redimensionar os aspectos turísticos do projeto.  Propondo a realização de um livro e de um documentário,  como matéria-prima de interesse mercadológico, à luz do marketing, poderia “correr atrás” de um patrocinador.


Refizemos os cálculos da parceria e patrocínio, minimizando-os ao extremo. Primeiramente, consideramos a necessidade de que a participação dos expedicionários fosse de caráter voluntário, podendo assim reduzir substancialmente os custos. Teríamos que tornar possível a hospedagem e alimentação de toda a equipe em forma de cortesia, em troca da promoção da região e das empresas que nos acolhessem. O mesmo se daria com o transporte, para o qual buscaríamos apoio... e, assim, enxugamos ao máximo os valores anteriormente pretendidos.


Parti, então, na busca de possíveis interessados. Procurei aqueles que se proclamavam ligados ao propósito de desenvolver o turismo na Estrada Real. Aguardei ansiosamente, pois corríamos contra o tempo. Era junho, e teríamos que nos valer do período das férias de julho para contar com a disponibilidade dos voluntários que se envolveriam no projeto.


Alguns encontros ocorreram, mas “decidir mesmo que é bom, nada”! Até que, de maneira pronta e eficiente, o Diretor Regional do SENAC-MG, Dr. Sebastião dos Reis e Silva, convocou-me para apresentar um maior detalhamento do projeto. Conhecendo a eficiência daquela instituição, onde fiz – e recomendo – o curso de Guia Regional de Turismo, “botei a maior fé”! Aí, com seus assessores, Dr. Sebastião concluiu por tornar o SENAC-MG nosso principal parceiro.


“OBA”!!!


Daí para frente, as coisas se tornaram mais simples. Empolguei-me e investi no projeto: equipamentos, funcionários, carro e até recursos financeiros de minha empresa de Turismo Eqüestre (Tropa Serrana). Em seguida, a Lis Produção & Comunicação envolveu-se no projeto como realizadora do documentário. A Editora Estrada Real passou a integrar a parceria, apresentando o levantamento da trilha. Convidei, lá em Carmo do Rio Claro, o pessoal da Fazenda Novo Horizonte, que disponibilizou sua tropa de burros. A BELOTUR, identificando que boa parte do caminho que percorreríamos encontra-se na região metropolitana de Belo Horizonte, ofereceu-nos sua contribuição, preenchendo uma quota de patrocínio. Para completar, o Governo do Estado de Minas Gerais nos ofereceu apoio institucional e de uma série de Secretarias (SEPLAN e SETUR), institutos e órgãos públicos, que nos apoiaram de várias maneiras, criando condições e credibilidade ainda maiores ao projeto.


Assim, comuniquei à FUNIVALE que: “fomos”!


Então, de Guia transformei-me em Coordenador-geral da Expedição,  investido inclusive da função e responsabilidade de garantir a todos os agentes associados, que confiaram em minha intermediação à proposta, os resultados almejados.


Entraram, ainda, apoiando-nos, a AMO-TE (Associação Mineira de Ecoturismo), e outras ONGs, prefeituras, operadoras em Ecoturismo, hotéis, pousadas, associações comunitárias, restaurantes, clubes de cavalos e pessoas que, solidariamente, compartilharam de nossa iniciativa. Esses vários agentes foram fundamentais ao êxito da Expedição, e seus nomes serão focalizados em sinal de agradecimento e justa homenagem nesta obra.


O êxito de nosso projeto dependeu fundamentalmente da eficiência dos profissionais que conosco se envolveram: os expedicionários. Eles se dividiram em uma equipe a pé, outra a cavalo e em burros (a turma do “abre-alas”, encarregada da logística) e, deslocando-se nos veículos de apoio, estavam a assessora de imprensa (Sônia Pessoa), Hélio Rabello e as mobilizadoras sociais (Andréa Labruna e Vânia Gomes).


O grupo foi escolhido e selecionado por critérios nos quais considerávamos: (i) a resistência física e o conhecimento necessário ao cumprimento da atividade proposta; (ii) formação profissional adequada aos propósitos da Expedição; (iii) espírito esportivo e humor que permitissem desempenho e sociabilidade com o grupo com o qual o expedicionário viria a se entrosar e conviver nas condições peculiares daquela “aventura”.


Escalado o grupo, multidisciplinar, éramos inicialmente 08 caminhantes, 10 cavaleiros, 06 em veículos de apoio (os quais viremos a conhecer através de seus relatos). Firmamos o propósito de gerar relatórios que revelassem nossas percepções, experiências, emoções, pesquisas, inventários, diagnósticos, para serem publicados neste livro.


Ocorreram três reuniões preparatórias com o grupo. Planejamos o básico. Contaríamos com muito improviso. Ah! Havia também a equipe móvel do documentário (Paulo Polonio e Marcelo Miranda) e um câmera (Toni Nogueira), vindo de São Paulo, que embarcaria conosco a cavalo. Honrando o combinado, muitos dos expedicionários, com suas considerações escritas da viagem, estarão se apresentando, dizendo a que vieram e como podem contribuir para o desenvolvimento da região – nossa meta comum.


Texto de Tullio Marques - graduado em Direito, consultor em Ecoturismo, especializado em Turismo Eqüestre, proprietário da Tropa Serrana, cineasta e coordenador-geral da Expedição Spix & Martius – 1999.


 [1] Para mais informações sobre a FUNIVALE e suas atividades, conferir o texto de Evandro Sathler, Breves considerações sobre a atividade tropeira, que se encontra no capítulo 'Estrada Real: Enfoques do Potencial Ecoturístico' deste livro.

 

 

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