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12 de julho de 1999 - (SxM) - Saída de Acurui

Saímos pela manhã, não tão cedo quanto os trekkers (caminhantes).


A partir de Glaura, o caminhão de apoio da Fazenda Novo Horizonte, sob condução do Sr. Zé, passou a nos acompanhar mais de perto. Naquele dia, a Suzana telefonou para o pai do Maurício, pedindo que mandasse um peão de reforço para lidar com a tropa. Isso fazia parte das combinações de nossa parceria com a tropa da Fazenda Novo Horizonte e, como ele não havia conseguido providenciar ainda, sentimos que o Geraldo, capataz da Tropa Serrana, estava ficando sobrecarregado. O Geraldo teve até que “acertar” alguns animais, pois a mula que usava sofreu um corte, obrigando-o a mudar de montaria e segurar “altos” pulos! Ferrando, cuidando e até tomando coices, ele estava sendo muito sobrecarregado. Como não é de seu costume reclamar, precisamos apelar para um ajudante de tropa. O Geraldo nem tinha ido com essa finalidade. Mesmo assim, só conseguimos lhe dar folga quando o Sr. Eustáquio, da EMATER, ofereceu-se para “dar uma mão”.


Na cidade seguinte, Rio Acima, chegaria o “Pimba” , que fez o que pôde, sob coordenação do Maurício. Houve muita improvisação, mas acabou dando certo.


A caminho de Rio Acima, passaríamos por Cocho d'Água (não aquele que citei em Itabirito). Já estávamos no município de Rio Acima, tendo transposto a divisa do município de Itabirito, no rio Manso, onde tomamos um bom banho frio. E por falar em banho, venho percebendo que uma das grandes preocupações que devemos ter, para melhorar a qualidade do turismo em toda a viagem, é a questão dos banheiros. Devemos propor e incentivar a criação de pousos rurais, albergues, campings etc., desde que instalem banheiros nas unidades destinadas ao turista. Creio também que o banheiro usado pelos familiares deva continuar no uso exclusivo da família. Mas, havendo um quarto da casa da fazenda que seja disponibilizado para os turistas, esse deverá ter também um banheiro exclusivo dos hóspedes. Devemos exigir a adoção de “fossa seca” ou “fossa séptica” para segurança ambiental.


Em Cocho d'Água, encontrei-me com um conhecido: Gilberto Jardim. No sítio chamado “Sítio do Marco Paulo” (o nome é em homenagem a seu falecido irmão, do qual fui muito amigo), montou um alambique – Cocho d'Água é sua marca, e já produz 300 litros por dia. Como não bebo destilados, ele me ofereceu garapa bem gelada, que desceu super bem. Os companheiros que são chegados à “tindóida” qualificaram aquela cachaça, que provaram “sem miséria”, como a melhor do caminho. Sua fermentação se dá num processo com fubá de milho. O Gilberto, como outros produtores de aguardente que encontramos no caminho, tem o selo de controle da AMPAQ (Associação Mineira dos Produtores de Aguardente de Qualidade).[1]


Logo à frente, a venda do Sr. João Moreira que, com sua esposa, comemoravam 50 anos de casados. Cantamos os “Parabéns” e brindamos com o casal e sua filha. Próximo de seu comércio, há uma cachoeira. O proprietário cobra uma pequena taxa dos freqüentadores. Outras cachoeiras são famosas na região; uma delas é a do Tangará.


Logo à frente, virando à esquerda, vamos para Rio Acima e, à direita, segue-se para  Tangará.


A região é muito freqüentada por pessoas de Belo Horizonte, por estar a 40 km de lá. Em Rio Acima, tem o condomínio Canto das Águas, um empreendimento feito com o bom gosto do arquiteto Maneta e os rigores da construtora Andrade Gutierrez. É um luxo.


A cidade, uma vez mais, recebeu-nos de braços abertos. Nossa anfitriã foi a Raimunda Teresinha Clemente da Silva, do Cartório, e junto com o Secretário do Meio Ambiente da Prefeitura, Carlos Antônio Pereira, ofereceram-nos um jantar, no restaurante da Dedé. Todos gostaram muito da comida. Fiquei numa mesa conversando com o Carlos e o Secretário de Cultura de Belo Horizonte,  Arnaldo Godói. Ficamos sabendo dos planos para movimentar o Ecoturismo na região. Estão levando a sério este projeto. Creio que, por fazer parte da região metropolitana de Belo Horizonte, deveremos sugerir ao SENAC-MG e à nossa patrocinadora BELOTUR (cujo presidente, José Francisco de Salles Lopes, é nascido ali) a constituição de um núcleo de turismo, onde poderemos gerar informações e capacitações que serão irradiadas em toda a região. Não nos faltarão parceiros. Há várias modalidades de turismo aplicáveis àquela região, especialmente facilitadas pela proximidade da capital. Assim, sob o prisma do excursionismo (que é a saída a campo com retorno para pernoite no ponto de partida, portanto, Belo Horizonte) terá muito a lucrar, pois aumenta a oferta de turistas nos hotéis, bares e no comércio da cidade. Dentre as opções, temos as cachoeiras para desfrutar. Há áreas onde já se praticam escaladas, rapel e há ali todo tipo de trilhas para caminhadas. Bicicletas contam com rotas planas,  beirando o Rio das Velhas. Atividades ecopedagógicas podem explorar, ali perto, a APA (Área de Proteção Ambiental) do Mingu. Tem, ainda, um restaurante com pesca esportiva, na fazenda do Marquinhos Fonseca. Tenho notícia de uma ONG, chamada VIVANATURA, ligada ao Condomínio Canto das Águas e investida dos melhores propósitos no desenvolvimento ambiental da região.


O potencial é grande e devemos, por isso, nos preocupar para que o turismo receba os devidos e convenientes cuidados.

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1] Esta Associação está muito bem organizada em Minas Gerais e tem criado o roteiro turístico da cachaça. Eles sempre prestigiam as iniciativas do setor turístico, fazendo muitas promoções dentro e fora do nosso Estado.

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