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14 de julho de 1999 - (SxM) - Saída de Raposos

Nossa ida para Sabará, por trilhas do passado, reserva-nos situações e locais muito interessantes. São riachos belíssimos. Aliás, a cada “pé de serra” geralmente encontramos um riacho e uma mata ciliar e, não muito raro, uma casa, sua roça, cultura e costumes adaptados àquele ecossistema. Passamos por uma fazenda, a do Cristal, toda circundada por um muro de pedras dos tempos imperiais. Vimos ainda uma velha casa de pedras, à beira do caminho, que chamou nossa atenção, pois suas paredes ainda estão de pé. Alcançamos Sabará pelo Arraial Velho, percebendo-se pela aparente idade de sua capela, que ali era rota característica do tempo áureo. Daí para Sabará, acompanhando o Rio das Velhas, foi um pulinho. O rio, hoje bastante assoreado, já foi navegável naquela região. Lembro-me de ter lido, há um tempo atrás, num jornal, que encontraram um grande barco soterrado na lama de suas margen.


Deserto de vidas,
de certo de dívidas.
que o “lucro” consente,
com o meio ambiente.
Criando esta trama,
em forma de lama.
a humanidade repete,
e o rio reflete,
esperança que jaz
neste atoleiro voraz.


Aliás, a madeira que construiu parte do casario colonial e igrejas barrocas daquelas cidades de onde vínhamos havia sido transportada no Rio das Velhas. E vieram de longe, rebocadas por embarcações, rio acima. Mercadorias que supriam Ouro Preto também eram descarregadas naquele porto de Sabará. Hoje, o rio agoniza, com o depósito de esgotos, dejetos das indústrias, agressões de lenhadores que desbastaram as matas ciliares, incorporadores imobiliários que incorretamente promovem assoreamentos como as ações às vezes irresponsáveis das mineradoras. É o lucro irresponsável que acabará transformando nosso futuro em deserto.


Nossa caminhada foi menor que a do dia anterior. Deixamos os cavalos num espaço reservado para um futuro Parque de Exposições da cidade. Dali fomos para o Hotel Del Rio, que nos hospedou de forma generosa, dando apoio ao nosso projeto. Sua proprietária, Vanessa Passos, quase estraga o nosso prazer de viajar. Explico: ofereceu-nos um pouso com qualidade de um hotel 05 estrelas e, daí para frente, ficaríamos “mal acostumados”. Mas é claro que o carinho e profissionalismo dos demais que nos receberam e nos abrigaram “estrada afora”, com tamanha cortesia e hospitalidade, tantas vezes primorosas, necessitariam de muitas constelações, para a Embratur poder classificar, em número de estrelas, a qualidade com que nos atenderam.


Mas aquela excelente estada revigorou-nos para prosseguirmos energizados no outro dia. À noite, tivemos a honrosa visita do Secretário de Turismo de Minas Gerais, Antônio Henrique, da Márcia Pereira (SETUR) e também do Dr. Sebastião (SENAC-MG). Na sala multimídia do hotel, ouvimos e fizemos considerações acerca do projeto. O Dr. Sebastião, em nome do SENAC-MG, comprometeu-se em efetuar um planejamento turístico para a região por onde viajávamos, tão logo nosso inventário apontasse um diagnóstico. Para provar que “não estava para brincadeira”, tratou logo de propor às nossas mobilizadoras sociais, Vânia e Andréa, que, ao final da Expedição, assumissem esta coordenação, [1]  junto ao Gerente de Turismo do SENAC-MG, nosso amigo Vinícius Horta.


No dia seguinte, sairíamos de Sabará, deixando para trás uma cidade com uma riqueza de história que recomendo a todos um pulo até lá. Estando próximo de Belo Horizonte, você pode ir a Sabará facilmente de carro, trem ou ônibus. Há uma infra-estrutura completa, cheia de restaurantes, hotéis, monumentos, chafarizes, igrejas barrocas, teatro antigo, rica em histórias e tradições, e um calendário super festivo. Agora, por exemplo, está acontecendo o Festival da Cachaça. Vale conferir o Guia, que vem junto com este livro, para mais informações sobre o potencial turístico de Sabará.


Embarcamos, rumo a Caeté. Poderíamos ter ido por Morro Vermelho, que é um caminho mais apropriado para a tropa e também usado no passado. Nosso dilema se dava porque a antiga estrada por que passaram Spix e Martius recebeu um asfalto, sem um acostamento seguro, podendo oferecer algum risco diante do fluxo eventual de trânsito rodoviário. Ponderamos então sobre transpor aquele trecho em veículos motorizados. A tropa foi levada de caminhão. Ajudaram-nos neste embarque o caminhão da prefeitura de Caeté e o caminhão de transporte cedido gentilmente pelo Nem do Caminhão, que veio de Raposos só para “dar uma mãozinha”.  Reitero aqui o agradecimento a ele que, numa iniciativa particular e desinteressada, solidarizou-se conosco, voluntariamente. Registro aqui seu telefone (31) 9970-8720, caso alguém precise transportar animais na região de Raposos/Belo Horizonte/Nova Lima/Rio Acima e adjacências.

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[1] Quando redigindo este relatório, ambas já integravam o quadro de colaboradores daquela instituição, desenvolvendo um belíssimo trabalho voltado para a qualificação do turismo na Estrada Real.

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