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28 de julho de 1999 - (SxM) - Saída do Serro

© Diego Gazola Serro - Vista geral do Serro - Diego Gazola Vista geral do Serro

Seguindo viagem, dormimos neste dia em São Gonçalo do Rio das Pedras. Até alcançarmos essa cidade, vislumbramos belas paisagens e conhecemos duas comunidades. A primeira delas, Três Barras. Seu povo foi tão gentil e hospitaleiro que se deu ao luxo de retocar a pintura das fachadas das casas por onde “desfilou” nosso grupo de expedicionários. Não bastasse tamanha atenção, serviram-nos um almoço e tanto.


A segunda cidade, na rota daquele dia, era Milho Verde. Outro lugar desses em que você tem certeza de que voltará para conhecer com mais calma. Ficamos tocados com a camaradagem de sua população. Entre as construções e monumentos arquitetônicos, destacava-se uma capela que mais parece fantasia do que realidade. Outro fato que desperta o interesse naquele lugar encantado é constatar a presença de diversas placas identificando campings e atrativos, mas sempre enunciando uma postura ambiental correta (recolha seu lixo etc.). O ecoturista é muito exigente quanto aos cuidados aplicados às questões ambientais. Quanto mais rigor e atenção com o meio ambiente, mais recomendável se torna aquele destino.


Parece que aquela comunidade tinha plena consciência do seu potencial ecoturístico, que é, aliás, uma realidade. Desde placas dando boas-vindas aos turistas, até a existência de diversas pousadas na cidade confirmam isso. Ali por perto existem algumas cachoeiras. Uma delas, em Três Barras, é a primeira no curso do Jequitinhonha.


Estávamos entrando no Vale do Jequitinhonha
[1] desde o Serro, ao qual já pertenceram Milho Verde e São Gonçalo.


Depois de um cafezinho, gentilmente oferecido pelo Josias Ferreira de Morais
[2] na sua Pousada Morais - (38) 9971-0280 -, deixamos Milho Verde para aproveitar a lua, naquelas trilhas do sertão. A poeira podia ser vista com clareza quando uma brisa varria o chão do caminho sob a luz do luar, quase pleno. Quanto mais viajávamos, mais queríamos viajar. Não sei se era o fenômeno da endorfina, ou mesmo a vontade de mergulhar naquela inesgotável e aventurada sensação de contato com pessoas simples, paisagens rústicas, flores sempre-vivas, que nos atraía, cada vez mais, dando-nos ainda maior fôlego.


Nesse espetáculo, qualquer um pode ingressar. É só procurar uma operadora de turismo, que a AMO-TE - (31) 201-8782 - poderá indicar, ou simplesmente aventurar-se por lá. Nosso projeto dará muita importância e incentivo à criação de operadoras de turismo regionalizadas. Incentivará também a formação de condutores de turistas naqueles redutos históricos, culturais e naturais.


Chegando a São Gonçalo do Rio das Pedras, fomos recebidos por populares com aplausos. Nós é que lhes devemos aplausos. Onde no mundo vocês têm notícia de que se recebam pessoas de maneira tão carinhosa e calorosa? Sem falar na viola do Sr Tiãozinho, do Bar do Pescoço, das ruas gramadas e com grandes pedras que revelam terem sido passarela de muita história. A FUNIVALE, idealizadora da nossa Expedição, tinha sua sede naquela cidade. Por sua luta devemos muito da preservação daquela cidade. Lembro-me de que, quando conheci o seu presidente-fundador, Martin Kuhne (isso há 10 anos), ele lutava para conservar o calçamento original daquelas ruas. Hoje, e cada vez mais daqui para frente, esse será um fator de atrativo ecoturístico, por retratar autenticamente o cenário original da cidade. É triste ver tantos lugares em que, por engano ou “interesse” de seus governantes, asfalte-se ou se troque o calçamento original por bloquetes de concreto. Alterando-se a pavimentação original, comprometem-se as características que seriam matéria prima valiosa para o turismo. A loucura é que fazem isso em nome do progresso. Pobre o progresso, cuja visão é imediatista e de curto prazo. Já há muito
, o Martin já lutava contra a pavimentação da rodovia Diamantina/São Gonçalo. Ele sabia que isso comprometeria o sossego daquele lugar. O asfalto, além de estimular um ritmo frenético aos veículos, compromete os lençóis freáticos, por promover a impermeabilização do solo e tirar a segurança dos pedestres, que são os maiores usuários dos caminhos.


Há alguns anos, conheci também um projeto de resgate da tapeçaria smyrna na região, que até hoje é liderado pela Ana Kuhne, que organiza os artesãos em cooperativas. Assisti às primeiras sementes da FUNIVALE sendo lançadas.


A Expedição, de certa forma, era fruto dessa busca. Torço para que o Vale colha tantos benefícios quanto os propósitos da FUNIVALE. Espero também que em seu corpo docente encontre pessoas tão decentes como as do alto colegiado da FUNIVALE que nos acompanhavam: seu Diretor; o advogado ambientalista dedicado e idealista, Evandro; a Lúcia, sua companheira, competente operadora de turismo - (21) 609-1069 - que, em seu jipe, estava sempre alerta às nossas necessidades e tecia sensatas ponderações; o jornalista Pucu, mestre Pucu, uma espécie de duende, artista plástico e dublê de poeta e mateiro; o ornitólogo Beto, que entende a linguagem dos pássaros
[3] – nicho de grande potencial para o turismo de observadores de aves; a Renata do Pucu da Renata, “peso pesado” em sua leveza de ser; a Lúcia Miranda, que conosco esteve nas reuniões preliminares da Expedição, no chute inicial em Ouro Preto e agora em São Gonçalo, conferindo o desempenho de nossa missão e desde nossas primeiras reuniões colocando-se à disposição por acreditar nos objetivos da FUNIVALE. Nós estaremos torcendo por esse time!


Estávamos chegando ao destino final. Num misto de alegria e cansaço, já nos batia a saudade. Aquela distância, vencida palmo a palmo, lembra-me um poeminha que tive que decorar no curso primário:
Seguindo viagem, dormimos neste dia em São Gonçalo do Rio das Pedras. Até alcançarmos essa cidade, vislumbramos belas paisagens e conhecemos duas comunidades. A primeira delas, Três Barras. Seu povo foi tão gentil e hospitaleiro que se deu ao luxo de retocar a pintura das fachadas das casas por onde “desfilou” nosso grupo de expedicionários. Não bastasse tamanha atenção, serviram-nos um almoço e tanto.


A segunda cidade, na rota daquele dia, era Milho Verde. Outro lugar desses em que você tem certeza de que voltará para conhecer com mais calma. Ficamos tocados com a camaradagem de sua população. Entre as construções e monumentos arquitetônicos, destacava-se uma capela que mais parece fantasia do que realidade. Outro fato que desperta o interesse naquele lugar encantado é constatar a presença de diversas placas identificando campings e atrativos, mas sempre enunciando uma postura ambiental correta (recolha seu lixo etc.). O ecoturista é muito exigente quanto aos cuidados aplicados às questões ambientais. Quanto mais rigor e atenção com o meio ambiente, mais recomendável se torna aquele destino.


Parece que aquela comunidade tinha plena consciência do seu potencial ecoturístico, que é, aliás, uma realidade. Desde placas dando boas-vindas aos turistas, até a existência de diversas pousadas na cidade confirmam isso. Ali por perto existem algumas cachoeiras. Uma delas, em Três Barras, é a primeira no curso do Jequitinhonha.


Estávamos entrando no Vale do Jequitinhonha
[1] desde o Serro, ao qual já pertenceram Milho Verde e São Gonçalo.


Depois de um cafezinho, gentilmente oferecido pelo Josias Ferreira de Morais
[2] na sua Pousada Morais - (38) 9971-0280 -, deixamos Milho Verde para aproveitar a lua, naquelas trilhas do sertão. A poeira podia ser vista com clareza quando uma brisa varria o chão do caminho sob a luz do luar, quase pleno. Quanto mais viajávamos, mais queríamos viajar. Não sei se era o fenômeno da endorfina, ou mesmo a vontade de mergulhar naquela inesgotável e aventurada sensação de contato com pessoas simples, paisagens rústicas, flores sempre-vivas, que nos atraía, cada vez mais, dando-nos ainda maior fôlego.


Nesse espetáculo, qualquer um pode ingressar. É só procurar uma operadora de turismo, que a AMO-TE - (31) 3201-8782 - poderá indicar, ou simplesmente aventurar-se por lá. Nosso projeto dará muita importância e incentivo à criação de operadoras de turismo regionalizadas. Incentivará também a formação de condutores de turistas naqueles redutos históricos, culturais e naturais.


Chegando a São Gonçalo do Rio das Pedras, fomos recebidos por populares com aplausos. Nós é que lhes devemos aplausos. Onde no mundo vocês têm notícia de que se recebam pessoas de maneira tão carinhosa e calorosa? Sem falar na viola do Sr Tiãozinho, do Bar do Pescoço, das ruas gramadas e com grandes pedras que revelam terem sido passarela de muita história. A FUNIVALE, idealizadora da nossa Expedição, tinha sua sede naquela cidade. Por sua luta devemos muito da preservação daquela cidade. Lembro-me de que, quando conheci o seu presidente-fundador, Martin Kuhne (isso há 10 anos), ele lutava para conservar o calçamento original daquelas ruas. Hoje, e cada vez mais daqui para frente, esse será um fator de atrativo ecoturístico, por retratar autenticamente o cenário original da cidade. É triste ver tantos lugares em que, por engano ou “interesse” de seus governantes, asfalte-se ou se troque o calçamento original por bloquetes de concreto. Alterando-se a pavimentação original, comprometem-se as características que seriam matéria prima valiosa para o turismo. A loucura é que fazem isso em nome do progresso. Pobre o progresso, cuja visão é imediatista e de curto prazo. Já há muito
, o Martin já lutava contra a pavimentação da rodovia Diamantina/São Gonçalo. Ele sabia que isso comprometeria o sossego daquele lugar. O asfalto, além de estimular um ritmo frenético aos veículos, compromete os lençóis freáticos, por promover a impermeabilização do solo e tirar a segurança dos pedestres, que são os maiores usuários dos caminhos.


Há alguns anos, conheci também um projeto de resgate da tapeçaria smyrna na região, que até hoje é liderado pela Ana Kuhne, que organiza os artesãos em cooperativas. Assisti às primeiras sementes da FUNIVALE sendo lançadas.


A Expedição, de certa forma, era fruto dessa busca. Torço para que o Vale colha tantos benefícios quanto os propósitos da FUNIVALE. Espero também que em seu corpo docente encontre pessoas tão decentes como as do alto colegiado da FUNIVALE que nos acompanhavam: seu Diretor; o advogado ambientalista dedicado e idealista, Evandro; a Lúcia, sua companheira, competente operadora de turismo - (21) 609-1069 - que, em seu jipe, estava sempre alerta às nossas necessidades e tecia sensatas ponderações; o jornalista Pucu, mestre Pucu, uma espécie de duende, artista plástico e dublê de poeta e mateiro; o ornitólogo Beto, que entende a linguagem dos pássaros
[3] – nicho de grande potencial para o turismo de observadores de aves; a Renata do Pucu da Renata, “peso pesado” em sua leveza de ser; a Lúcia Miranda, que conosco esteve nas reuniões preliminares da Expedição, no chute inicial em Ouro Preto e agora em São Gonçalo, conferindo o desempenho de nossa missão e desde nossas primeiras reuniões colocando-se à disposição por acreditar nos objetivos da FUNIVALE. Nós estaremos torcendo por esse time!


Estávamos chegando ao destino final. Num misto de alegria e cansaço, já nos batia a saudade. Aquela distância, vencida palmo a palmo, lembra-me um poeminha que tive que decorar no curso primário:


 
A saudade é calculada
Por algarismos também,
Distância multiplicada
Pelo fator querer-bem.


É como recordaremos essa viagem. A conquista de um caminho que nos conquistou. Crescemos muito. Ficamos mais brasileiros, mineramos valores muito preciosos. A amizade é um bem lapidado. O conhecimento de nossa história é o diamante deste caminho. O Ecoturismo é a força viva das serras de Minas que ao futuro cabe batear.A maioria dos expedicionários recebeu seus 'amores' em visita, nesse dia. Faltavam só dois dias para chegarmos a Diamantina, e familiares e amigos vieram juntar-se a nós, para desfrutarmos do gran finalle. Jantamos no Bar do Pescoço, com muita música e cantorias e, depois, distribuídos em pousadas e no Grupo Escolar, fomos dormir.

[1] O Vale do Jequitinhonha, na região nordeste de Minas Gerais, é de grande riqueza cultural. Os seu inúmeros arraiais e 53 municípios não têm merecido a devida atenção do setor turístico. Esse mercado pode representar a redenção do Vale. Seu povo, castigado pela seca, poderá reverter suas dificuldades, adotando uma fonte de renda turística. O artesanato é intenso na região, faltando um maior incentivo que o turismo pode levar. Maior privilégio ainda terá o turista, que poderá vivenciar a história, a poesia, a musicalidade, o folclore e outros valores que brotam em todas as direções.  Conhecê-lo, mesmo sabendo que encontrará caminhos empoeirados e simples, torna-se uma experiência enriquecedora. É uma região bem pobre, como pobres seremos enquanto não a conhecermos. Só indo lá para saber do que estou dizendo.

[2] Durante a redação deste relatório, tive conhecimento de que ele se elegeu o novo Presidente da FUNIVALE.

[3] Ele me fez uma exposição da atribuição de sentido aos cantos dos pássaros (contínuo sonoro) conforme o imaginário e a cultura regionais. Um mesmo piado determina diferentes apelidos para a mesma ave.

E como o futuro começa hoje, no entrelace do passado com o presente, hoje, dia 29 de julho, Quinta-feira, tínhamos uma eternidade para curtir. Afinal, era dia de folga da "galera"!


 

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