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30 de julho de 1999 - (SxM) - Saída de São Gonçalo do Rio Abaixo

© Henry Yu Praticando tropeirismo - Henry Yu Praticando tropeirismo

Logo ao sair, atravessamos uma ponte sobre o Rio Jequitinhonha. A turma do rapel é tão fanática com essa atividade que não hesitou em lançar suas cordas e descer por elas até o rio. Quase fiquei maluco, porque pretendíamos captar em vídeo a imagem da passagem da tropa sobre a ponte, e eu havia feito um acordo com os “rapeleiros”: a ponte deveria estar livre de qualquer atividade que interferisse no visual bucólico que fazia parte da nossa concepção da cena.


Havia um ângulo em que pretendíamos gravar a imagem para o documentário, em teleobjetiva, cujo plano deveria registrar nossa passagem de forma bem “natural”. Combinamos previamente com a turma do rapel para que “resistissem à tentação” de lançar suas cordas em suas habituais descidas em pontes, pois a ação pretendida era o deslocamento da tropa, em cadência de viagem.

 

Quem disse que resistiram? Pois bem, eu (que estava coordenando com o Toni a gravação das imagens) fiquei bastante “invocado” na hora. Essa lembrança que aqui registro tem dois objetivos: primeiro, mostrar o quanto apaixonante é a prática do rapel, e segundo, o quão desgastante era, às vezes, coordenar aquele bando de voluntários, todos com forte personalidade, independência e força criativa própria.


Por mais improvisos com que contássemos àquela altura, confesso, estava super preocupado com a concepção do vídeo-documentário, pois ele será um instrumento de grande valor para alcançarmos alguns objetivos na reta final do projeto. Porém, não conseguia que todos compreendessem tais preocupações.


Mas, na “dança” do caminho, conseguimos logo a coreografia necessária e seguimos em frente. Logo adiante, nossa atenção ateve-se a um trecho com calçamento feito por mão-de-obra escrava. Só para que se registre o nosso esforço na gravação do documentário, tivemos que percorrer esse trecho, por quatro vezes, indo e vindo, até conseguirmos a imagem ideal. Mas valeu todo o nosso esforço e tantas colaborações e desempenho de todos, pois estou apostando todas as fichas nesse documentário.


Uma vez mais, uma bela manifestação de cordialidade. Próximo a um local chamado Val, a fazenda São José dos Borbas brindou-nos com uma recepção de “arromba”. Churrasco, descontração e muita amizade marcavam nossa entrada nas divisas de Diamantina. Essas boas-vindas foram patrocinadas pela família do Renato Brandão, irmão do Bueno Brandão (do Skal Clube) e que esteve conosco no Parque do Itacolomi, na véspera da nossa viagem e ali novamente se encontrava, nos prestigiando.


Dali à Fazenda Boa Vista, onde seria nosso último pernoite, só faltavam uns 7 km. Segundo o GPS do “E.T.”, desenvolvíamos a tropa em uma velocidade de 06 km por hora. A esta altura, o grupo dos cavaleiros já havia aumentado muito. O Renato em seu pequira, Bueno no mangalarga, e vários cavaleiros da região de Diamantina em cavalos, burros, bestas, de todas as raças e misturas. Era um desfile espetacular.


Nesse caminho, notei um fato preocupante. É que algumas pedras, típicas daqueles campos rupestres, estavam sendo coletadas por um caminhão. Elas são fáceis de recolher, pois estão à tona no chão. Seu aspecto exótico, muito utilizado em decoração de jardins, encanta as pessoas pelo acabamento abaulado promovido pela ação do vento ao longo de milhares de anos. Usam-nas, também, na construção de muros de arrimo. Os decoradores as chamam de pedras de escravos, pois são as mesmas utilizadas nos tempos coloniais. Mas será que o projeto de paisagismo de uma residência, longe dali, está levando em conta a alteração daquele cenário natural definido e de grande beleza? Não tenho conhecimento de uma lei ambiental que proteja e garanta a conservação dessa matéria prima específica. O ecoturista prefere vê-las in loco, como as sempre-vivas, que constituem a vegetação daquelas paragens do sertão de Diamantina.


Chegamos à Fazenda Boa Vista. A lua nos coroava em sua plenitude. Todos festejaram aquela que seria a mais longa das noites de nossa viagem. O Maurício preparou uma autêntica comida de tropeiros. Recebemos a visita do Zé do Cachimbo, do prefeito de Itabira (Jackson) e sua esposa, que providenciaram o churrasco. Eu vinha trazendo em minha matula uns filés de peroá, secos com sal e sol, ao vento. Foram pescados em Porto Seguro (Bahia) e assados na grelha da churrasqueira. Hum!
Fogueira, música, luar, bate-papo e registros finais das impressões da viagem sendo gravados em vídeo. Nostalgia pura já batia. Sabíamos que no outro dia não teríamos condições de “trocar figurinhas”, pois o Américo Antunes, junto com a Prefeitura de Diamantina, havia preparado o maior “auê” para nos receber. Além do grande interesse daquela comarca em promover o turismo, o seu prestígio do Américo com o prefeito é grande. Afinal, ele é filho do prefeito!


A grande maioria acampou em redor da sede da fazenda. É mais um produto viável para a região. Campismo, montanhismo e todas as atividades já mencionadas, bike, cavalgada, caminhadas, off-road, rapel, escalada, ecopedagógico, turismo espeleológico, caving... Sem falar que a Fazenda Bela Vista estava se organizando para se tornar um centro de atividades hípicas, preparando-se para o Turismo Esportivo.

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© Maurício Vasconcelos Jequitinhonha - Vista parcial do Rio Jequitinhonha - Maurício Vasconcelos Vista parcial do Rio Jequitinhonha