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31 de julho de 1999 - (SxM) - Chegada à Diamantina

© André Fossati Diamantina - Por-do-sol em Diamantina - André Fossati Por-do-sol em Diamantina

Partimos cedo, pois tínhamos a intenção de chegar a Diamantina às 10:00. Haveria uma grande festa para nós, no histórico e tradicional Mercado dos Tropeiros. Aquele horário estaria coincidindo com a presença de tropeiros que sempre participam das atividade de sábado naquele local, marco do desenvolvimento da cidade.

No caminho, mais de uma centena de cavaleiros seguia animadamente a tropa. Na frente, mantínhamos a bandeira da Expedição Spix & Martius - 1999. Diversos cavaleiros erguiam suas bandeiras que oscilavam ao vento, dando uma conotação quase medieval àquele desfile. Parecia uma cruzada! Verdadeira epopéia!


Passamos por uma formação exótica de pedras pontiagudas que compunham, com nossa passagem, um cenário quase bíblico. A emoção aumentava, e já batia saudade daquela viagem que se tornava, cada vez mais, uma missão.


No caminho passamos perto da gruta do Salitre, local onde se pratica caving na região e de frequente visitação.


Chegando à cidade, encontramo-nos com os caminhantes, logo após o ribeirão do Inferno, e descemos juntos para uma entrada apoteótica na praça. Os sinos de todas as igrejas nos saudavam. Já havia uma energia diferente no ar. Mas a emoção, quando chegamos ao mercado, foi demais! Centenas de pessoas nos aguardavam. A Banda Municipal Antônio de Carvalho, a Banda da PMMG, grupos folclóricos apresentavam marujadas e dança típicas (como, por exemplo, o Congado de Felício dos Santos). A festa contou com muita música. O prefeito, Dr. João Antunes de Oliveira, saudou-nos, reforçando sua esperança no turismo. O Dr. Sebastião e o Vinícius, do SENAC-MG, foram até lá para nos receber, também com um entusiasmado discurso. Também estavam presente o Secretário de Turismo, Prof. Tarcísio Ferreira. Em nome da FUNIVALE, o Evandro agradeceu aos expedicionários. Brindando o êxito e diante daquela força encerrei minha fala, com o 'grito de guerra', repetido pelos expedicionários: SELVA!


Selva, sinônimo de desafio. De inexplorado. De vida natural. Fascinante mundo de mistérios e novidades. Certeza de grandes tesouros. Cultura de nossa existência. Selva, onde você só se garante se tiver harmonia com a natureza. Onde cooperar com o grupo é lei natural. Onde você sobrevive exercitando a cooperação com o grupo. Selva, símbolo de fertilidade. Um clamor para o futuro. Selva, em todos os níveis de nossa busca, esperança de um novo tempo. Espaço para o Ecoturismo. Uma maneira certa para tratar este mercado em todas as frentes. Com responsabilidade, parceria e, acima de tudo, com sustentabilidade. Selva é atitude!


Aqui vou terminando meu relato, deixando a meu amigo Ted, enquanto turismólogo, a função de revelar-nos o inventário e diagnóstico turístico do município, que você poderá conferir no guia que acompanha este livro. Sei que ele terá muito a nos contar, desde o período da extração de diamantes a essa riqueza atual, que é o mais novo, promissor e redentor ciclo econômico de Minas Gerais - o Ecoturismo. Onde não se remove terra e nem rios.


O Turismo Cultural naquela região estará sendo revigorado, com o justo título de Patrimônio Cultural da Humanidade, que devem outorgar a Diamantina.


Mais tarde, jantamos na Pousada do Garimpo, ao som do Grupo de Seresta de Diamantina. Nesse jantar, estavam todos do nosso grupo inicial, e alguns que se juntaram a nós ao longo do caminho: o operador de Ecoturismo Lindocélio - Lindinho: (33) 764-1277 -, que tem agência em Minas Novas; o "Sem- Terra", apelido que dei ao Luiz de Niterói (pois caminhou usando sandálias havaianas); as novas amazonas, Mariana Felício e Érika Miranda; Isabela, a filha do nosso ambientalista, Humberto; a filha do Pucu e da Renata; Mateus, o filho do Márcio; Sérgio Túlio e Vítor Andrade (que entraram nessa jornada como repórteres da revista Caminhos da Terra e terminaram como companheiros totalmente engajados ao projeto e integrados ao grupo); a Elisa, mulher do Pepe Quintero (video-maker que, a partir de Córregos, deixou sua rotina de roteirista e diretora, para se tornar personagem no elenco dos caminhantes); enfim, participantes daquela aventura, na qual cada um, embora bastante afinado com a equipe, contracenou fundamentalmente consigo mesmo, crescendo e superando o cansaço e as dificuldades que todos tiveram que contornar.


Num cenário tão rico quanto a história contida na Estrada Real, em que convivemos com tanta gente maravilhosa - aventureiros e bem-aventurados habitantes daqueles caminhos, íamos aos poucos nos despedindo.


Haverá sempre muito mais a descrever. Cada vez que a gente se lembrar desta viagem, ver uma das fotos tiradas pelo André, encontrarmos uns com os outros, a gente vai se lembrar de novos detalhes, e novos casos vão surgir. Esta viagem não terá mais fim na memória de todos...

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© André Fossati Diamantina - Meninas em Diamantina - André Fossati Meninas em Diamantina
© André Fossati Diamantina - Caminhantes - Expedição - André Fossati Caminhantes - Expedição
© André Fossati Diamantina - Cruz com sempre viva - André Fossati Cruz com sempre viva
© André Fossati Diamantina - Caminhantes se aquecendo à noite - André Fossati Caminhantes se aquecendo à noite