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A Mobilização Social e Ecoturismo na Estrada Real I - (SxM)

A Mobilização Social e  Ecoturismo na Estrada Real  

1. Apresentação
A intenção do nosso trabalho consistiu no levantamento diagnóstico da cultura da região compreendida entre Ouro Preto e Diamantina, de maneira a viabilizar a construção de um programa de desenvolvimento sustentável de Ecoturismo, visando à integração efetiva do potencial de empregabilidade das pessoas com o potencial ou vocação específica da comunidade.

Entretanto, o processo de desenvolvimento sustentável, pressuposto do Ecoturismo, está estritamente relacionado à capacidade das comunidades de gerir suas estratégias de sustentabilidade no presente, garantindo a qualidade de vida das gerações futuras.

Desenvolver a cultura de uma comunidade pressupõe, portanto, conhecer as suas crenças e valores, o seu potencial de crescimento e a forma como seus membros estão gerindo os recursos naturais, materiais e humanos, para alcançar os resultados desejados. A partir de então, é possível compreender as forças e limitações da cultura atual, e questionar criativa e positivamente os princípios que orientam as práticas empreendedoras operantes para promover sua renovação compartilhadamente.

Portanto, a nossa “viagem” na Expedição Spix & Martius - 1999 foi realizada com o objetivo de levantar informações que nos possibilitassem mediar a construção de uma identidade comunitária que fundamente um movimento estratégico consistente para a prática do Ecoturismo, onde as comunidades possam se responsabilizar pela demanda que criam, gerindo seus próprios recursos.

Este relatório apresenta o contexto cultural percebido em termos de valores e crenças, e a maneira de gerir recursos operantes nas comunidades vivenciadas, apontando uma perspectiva educativa que crie novos valores e qualifique pessoas para a gestão do Ecoturismo como propósito de desenvolvimento sustentável para a região.

2. Histórico
O convite para participação na Expedição nos foi agraciado às vésperas do grande acontecimento, e não apresentávamos o preparo físico necessário para acompanhar os caminhantes, nem tampouco atendíamos aos critérios estabelecidos para uma amazona. Nesse sentido, fizemos o percurso de Ouro Preto à Diamantina, em sua maioria de carro, alguns trechos a cavalo, e outros, menores, a pé.

Uma vez que o nosso propósito era estar junto com a comunidade, para ouvir suas histórias, conhecer os seus talentos, observar o modo de vida operante, admirando suas belezas, precisávamos chegar à frente para dispormos de tempo suficiente, e, nesse caso, ir de carro era fundamental.

Imbuídas desse intuito, realizamos entrevistas diretas com diferentes segmentos da sociedade civil, organizada e pública, coletando materiais, fotografando e observando as características marcantes de comportamento que nos revelassem a maneira como as pessoas se (inter)relacionam, para além do que as técnicas de investigação poderiam nos fornecer.

Era necessário conhecer as histórias e crenças que dão sustentação às suas ações, para compreendermos e analisarmos a passagem de uma cultura tipicamente agrícola para a extrativista e, ainda, para que fosse possível identificar os pontos de alavancagem para a implementação de uma consciência ecoturística e de perspectivas educativas.

As revelações foram estarrecedoras,  tanto no que diz respeito à riqueza de recursos físicos e humanos, quanto no que se relaciona ao estado de depredação do meio ambiente e das culturas locais.

A nossa convivência com os expedicionários durante todo o percurso foi um show de gratificação à parte. Um prêmio, na realidade! Éramos pessoas diferentes, de diversas formações profissionais, com interesses variados, compartilhando desejos comuns. Tamanha diversidade reunida revela, por si só, a intensidade e riqueza dessa convivência!

A essa altura da “viagem”, portanto, a esperança e o desejo de contribuir com a passagem da cultura extrativista para a ecoturística, de forma a torná-la mais harmoniosa e produtiva, apoderou-se de nós de tal maneira que nos permitiu constatar que esta é a hora e que essas populações clamam por uma convocação que as mobilizem, rumo a um futuro mais promissor.

3. Metodologia
O material coletado em entrevistas permitiu identificar a rede de crenças e valores que baliza as ações comunitárias e o modo de vida operante destas comunidades, constituindo-se enquanto um diagnóstico da cultura. 

Analisando tal diagnóstico à luz dos princípios básicos que regem o Ecoturismo (segundo diretrizes da EMBRATUR), será apresentado o foco das ações educativas necessárias para a construção do propósito do Ecoturismo como perspectiva de desenvolvimento socioeconômico sustentável para o trecho da Estrada Real que compreende os seguintes municípios e distritos:


Ouro Preto;

Glaura (distrito de Ouro Preto);

Honório Bicalho (distrito de Nova Lima);

Acuruí (distrito de Itabirito);

Mariana;

Catas Altas;

Santa Bárbara;

Rio Acima;

Raposos;

Sabará;

Caeté;

Barão de Cocais;

Cocais (distrito de Barão de Cocais);

Bom Jesus do Amparo;

Ipoema, Senhora do Carmo (distrito de Itabira);

Itambé do Mato Dentro;

Morro do Pilar;

Córregos (distrito de Conceição do Mato Dentro);

Conceição do Mato Dentro;

Itapanhoacanga (distrito de Alvorada de Minas);

Milho Verde, São Gonçalo do Rio das Pedras (distritos de Serro);

Vau (distrito de Diamantina);

Diamantina.

...Continua...


Texto de Andréa Labruna e Vânia Gomes -  psicólogas, pós-graduadas em Administração de Recursos Humanos e coordenadoras do Programa Estrada Real do SENAC-MG.

 

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