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Observação de pássaros: Vocação da Estrada Real - (SxM)

À minha mãe, Ingeborg Martins Marques,
por estimular-me a estar nesta Expedição,
a qual acompanhou em diversos momentos.
Dedico-lhe, 'in memoriam', este texto.


O  espectro de pesquisa que se criou com a Expedição Spix & Martius - 1999 foi muito vasto. Diversos temas foram estudados. A área biológica foi, sem dúvida, uma das mais ricas para o desenvolvimento de trabalhos, visto que Spix e Martius muito contribuíram para a classificação de nossa fauna e flora. À Martius é creditada a classificação de nada menos que 40% das espécies da flora brasileira. E à Spix é creditada a classificação de muitas outras espécies de nossa fauna.
 

1. Objetivos biológicos da Expedição
De modo concreto, a Expedição se baseou em parâmetros que pudessem caracterizar a conservação ou não do meio ambiente. Além de promover a rota ecoturística da Estrada Real, visou-se reconhecer o estado de conservação do ecossistema mineiro na região visitada. Para isso, foram definidos objetivos específicos de observação durante o percurso, quais sejam:
-  fazer um levantamento da avifauna durante o percurso e nos locais de pouso;
-  procurar identificar, durante a viagem, animais e vegetais que fossem citados na obra dos naturalistas Spix e Martius;
- coletar espécimes vegetais cujas sementes sejam disseminadas por aves ou morcegos ou que tenham relevância para o ambiente e regeneração da flora;
- coletar espécimes animais encontradas no percurso, a serem conservadas em álcool (70%), para futura identificação;
- caracterizar as diversas regiões, de acordo com os biomas que representam, observando as variações dos ambientes naturais;
- analisar  a qualidade do ambiente e retratar a degradação oriunda do extrativismo vegetal contínuo e o uso de grandes áreas para pastagens e produção de carvão a partir de matas nativas;
 - analisar o impacto ecológico causado pela implementação de grandes extensões de  plantio de eucalipto em detrimento da flora e fauna locais;
- observar a modificação do ambiente, causada pela mineração e garimpo (eliminação de morros, o assoreamento de cursos d'água e a extirpação de barrancos para lavagem de minério na atividade de garimpagem);
- coletar sementes para a produção de mudas que pudessem marcar, de forma significativa, a passagem da Expedição pela região.


Para se alcançar tantos objetivos propostos, concatenando com o propósito primordial da Expedição, que era de levantamento e divulgação do Ecoturismo, foi definida uma vivência com os dois segmentos de expedicionários. De início, iria-se com a tropa a cavalo, passando-se, em seguida para o grupo dos caminhantes. Essa transição de um grupo a outro ocorreu prematuramente, devido à impossibilidade de se observarem as aves e coletar espécimes vegetais na montaria.


2. A observação da avifauna na Estrada Real
Com 780 espécies de aves, Minas Gerais é um Estado privilegiado quanto à diversidade de sua avifauna (Mattos et al.; Parrini e Pacheco. Apud Costa, C. M. R., 1998). Essa riqueza, que representa 46,5% do total brasileiro - 1.677 espécies (Sick, 1997) -, é superior às 768 espécies de aves que podem ser encontradas, por exemplo, nos Estados Unidos da América (Mittermeir et al., 1997).


Em nossa Expedição, pudemos registrar 110 espécies diferentes de aves. Vale destacar que qualquer pessoa com sensibilidade e interesse pode perfeitamente se tornar um observador de pássaros. Não há grandes dificuldades. O material básico, usado diariamente, consistia em um binóculo Zenith 10 x 50, um gravador para registro dos dados em campo, uma prensa para fixação do material coletado, máquina fotográfica, bolsa para coleta de sementes, caderneta de anotações, óculos, mosquetão, cantil, bota para caminhada e mochila com pertences. Esse material era constantemente carregado durante o percurso.


Minas Gerais abriga três dos seis principais biomas brasileiros. A Mata Atlântica, o Cerrado e a Caatinga. A Estrada Real avança do sul para o norte e, paulatinamente, altera vegetação de mata atlântica para cerrado e daí para campos rupestres ou de altitude. Destaque singular se fez na Expedição ao trecho entre Cocais, Campo Alegre e Bom Jesus do Amparo. Pôde-se observar, numa área restrita, rica em coqueiros, três populações de pássaros-preto com cerca de 60 indivíduos cada. Estavam a cantar, numa manhã de céu claro, uma melodia que lembra uma sinfonia. Justificam seu nome científico: Gnorimopsar chopi. 'Chopi', em homenagem ao ilustre músico francês Chopin.


A análise crítico-ambiental procurava buscar áreas que fossem conservadas e que pudessem, de alguma  forma, vir a se tornarem Unidades de Conservação Ambiental (UCAs) ou Reservas Particulares de Preservação Permanente (RPPNs), cujos donos são proprietários particulares que têm extremo senso de conservação do meio ambiente e colocam suas áreas particulares sob preservação permanente. A esses é necessário resguardar a garantia de que suas propriedades ficarão, realmente, protegidas e preservadas permanentemente. Para tal, o insumo da comunidade científica é primordial. Somente com o resguardo da comunidade científica é que estes proprietários se sensibilizarão  para tão dispendiosa investida.


2.1. Tabela das aves observadas durante a Expedição Spix & Martius - 1999
(Acesse a Tabela no menu do lado direito)
É necessário ressaltar que a tabela apresentada segue foi elaborada a partir de observações feitas durante o percurso da Expedição, com todos seus percalços, sem a elaboração prévia de transectos específicos. Sintetiza o que poderia ser observado por qualquer transeunte ou turista que passasse com olhos atentos pela antiga Estrada Real. Não houve disponibilidade e tempo para se procurar biótipos específicos, o que certamente proporcionaria o enriquecimento desta lista. Não se trata de um levantamento completo da avifauna mineira nessa região, mas, sim, de um retrato do que foi visualizado durante a Expedição. A descrição é aqui feita de acordo com a seqüência das famílias listadas no Guia de Campo para Identificação: todas as aves do Brasil, de Deodato Souza,  impresso pela Editora Dall, em 1998.
 

Texto de  Humberto Martins Marques - biólogo

 

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