Turismo

Expedições e Aventuras

Projeto Expedição Estrada Real II - Diamantina - Rio de Janeiro

Projeto expedição Estrada Real II

Diamantina ao Rio de Janeiro

Apresentação
Oportunidade - Talento - Esforço


O Projeto Expedição Estrada Real II, mais do que uma resposta a um apelo histórico - cultural, foi um empreendimento bem sucedido da equipe participante.


Gui Figueiredo, Anselmo Junior e Wharley Marangon, unidos na aventura e pelo esporte, em contato agradável com a natureza e com muita superação, podem dizer que também deixaram seu marco nas trilhas da Estrada Real como outros tantos que as percorreram no passado.


Valeram - se do apoio que receberam, agarraram cada oportunidade, exercitaram seu talento, traduzido em habilidades esportivas e com muita resistência física, garra e esforço chegaram ao seu destino.

Inseridos nos cenários da Rota dos Diamantes, viveram e escreveram sua história pessoal e enriqueceram as páginas da história do turismo ecológico com suas experiências, seus relatos e fotos.

Estão, certamente, com a implementação de seu projeto, inscritos na memória da Estrada Real.


Introdução


O ano de 2004, para nós do Projeto Expedição Estrada Real, foi um ano de grandes realizações. Curtimos bastante nossa 1ª viagem. E, a partir de julho começamos a preparar a 2ª viagem. Sempre com o apoio de grandes empresas que nos dão grande suporte. O projeto superou nossas expectativas e resolvemos dar uma incrementada no mesmo. Introduzimos o rapel e o parapente. Duas modalidades radicais que se encaixam muito bem em nossa realidade. Eu, Gui Figueiredo, sou instrutor de rapel e o meu parceiro, Juninho, é piloto de parapente.


Como sempre houve um pouco de dificuldade nos patrocínios, mas isso nos estimula a buscar novas alternativas e nos superamos, para concretizar nossos ideais. Nossa equipe é a mesma da 1ª etapa Ouro Preto/Paraty: Gui Figueiredo, Anselmo Junior (Juninho) e o nosso grande apoio Warley Marangon.


1° Dia - Saída de Belo Horizonte

Saímos de Belo Horizonte às 9h45m da manhã, sentido Diamantina. O carro estava completamente lotado e, por esse motivo, o nosso companheiro de viagem, Warley Marangon, foi de ônibus. Encontramo - nos em Diamantina às 15 horas e fomos procurar um local para hospedarmos.


Encontramos aconchego na casa da Dona Luzia que nos acolheu com aquele jeito mineiro de receber. Rapidamente, fizemos amizade com todos da casa. Na casa da D. Luzia moram 5 pessoas: Luzia,Luiza, Rafael, Lucas e Pedro. Uma família simples que aluga sua própria casa para receber aqueles que buscam conhecer a rota dos diamantes.


Logo na seqüência, após guardarmos as bikes, saímos com o Rafael, para conhecer a Cachoeira dos Cristais. Antes disso; demos uma volta na cidade e passamos na Secretaria da Cultura, onde fomos recebidos pela Malu, que é formada em Turismo pela PUC e vem desenvolvendo um trabalho na cidade de Diamantina.


Durante o passeio na Cachoeira dos Cristais, observamos as belezas naturais no entorno da cidade, que nos causou uma boa impressão.

Voltamos para casa, preparamos um jantar, tomamos um bom banho e descansamos, porque foram 300 km de estrada e estávamos um pouco cansados. Dormimos cedo. O dia seguinte aguardava-nos, prometendo muita atividade. Pretendíamos fazer um rapel e conhecer vários pontos turísticos da cidade.


2° Dia - Diamantina

Como já é de costume, acordamos às 8 horas, tomamos um belo café da manhã e saímos para fazer um tour na cidade com o Pedro, neto da Dona Luzia. Ele conhece toda a cidade e iria mostrar-nos as belezas daqui.


Saímos às 9 horas, passamos pelo chafariz, pelo passadiço da casa da Glória, pontos tradicionais do turismo local. Buscamos o Pedro e fomos conhecer o caminho dos escravos, o início da Estrada Real na rota dos diamantes. O local nos impressionou e ficamos imaginando o que os escravos passaram, para construir aquele trajeto por onde passaram muitas pedras preciosas. Aquele trecho deve ter custado a vida de muitos escravos.


Logo após, fomos ao Cruzeiro, ponto de onde tivemos uma vista privilegiada da cidade. Partimos em direção a Gruta do Salitre, local um pouco afastado do centro da cidade, mas, em compensação, um local belíssimo que tem várias cavernas. Percorremos uma das suas grutas. Tentamos fazer um rapel, mas o local não nos deu segurança e achamos melhor deixar para uma próxima oportunidade.


Retornamos para casa onde nos ofereceram um almoço e é claro que não recusamos. Descansamos um pouco e fomos para a Cachoeira do Toca, local próximo da cidade e que nos ofereceu um rapel de altíssima qualidade. A cachoeira é muito bonita e nos proporcionou uma tarde maravilhosa.


É isso aí, pessoal. Realmente a cidade de Diamantina vai deixar muitas saudades, e muitos amigos que fizemos aqui. Mas o projeto não pode parar e amanhã iniciaremos o primeiro dia da viagem. O trecho que iremos percorrer é Diamantina, São Gonçalo do Rio das Pedras/ Milho Verde/Serro.


Aconteceu um pequeno incidente que nos deu um prejuízo, ou seja roubaram nossos energéticos no carro de apoio, mas isso não vai causar-nos tristeza ou desânimo. Estamos afins de pegar as bikes e começar nossa missão. Amanhã estaremos trazendo mais informações. Valeu.


3° Dia - Diamantina/ São Gonçalo do Rio das Pedras/Milho Verde/Serro

Nós não imaginávamos o primeiro dia seria um dia de superação. Saímos às 8h40m de Diamantina, com bastante disposição para os primeiros 60km. A primeira cidade na qual iríamos fazer uma parada seria São Gonçalo do Rio das Pedras.


Subidas radicais começaram a minar nossas forças e, debaixo de um sol, logo pela manhã, de 30 a 35 graus, passamos por São Gonçalo e não paramos. Decidimos ir direto para Milho Verde que fica a 5 km depois.


Chegando em Milho Verde, estávamos exaustos e nosso apoio nos aguardando com suplemento, água e gatorade. Não conseguimos nos alimentarr direito. O sol estava insuportável Paramos aproximadamente por meia hora e seguimos rumo ao Serro. Aí a situação ficou mais complicada ainda. As subidas pioraram e estávamos prontos para desmaiar. O Juninho teve um probleminha no joelho e eu, Gui Figueiredo, comecei a sentir dores na coluna. Sofremos um pouco. Mas mountain bike é isso. Superação acima de tudo.


Enfim chegamos na cidade chamada Serro. Nosso apoio, como sempre, estava com tudo preparado e nos alojou no clube da AABB, com direito a tudo: piscina, sauna e etc. Chegamos ao clube e a chuva começou a dificultar um pouco as coisas, para armarmos o acampamento.


Preparei um almoço para a equipe e fomos arrumar as barracas, tomar banho e descansar. Como se isso fosse possível... O corpo fica tão ativado que não se consegue dormir. Logo em seguida, tomamos uma sauna e caí na piscina, para relaxar um pouco.


Nossos planos eram sair pela manhã para Conceição do Mato Dentro, mas decidimos recuperar as forças, pernoitando por dois dias no Serro. Amanhã iremos conhecer a cidade que, pelo que já observamos, é muito rica para o turismo.


É isso aí, pessoal, O Projeto Expedição Estrada Real II parte para um percurso inédito feito de mountain bike que requer, além de um bom preparo físico, o amor pelo esporte e a vontade de desbravar o interior de nossas gerais.


4° Dia - Visitação a cidade do Serro

O dia de hoje foi riquíssimo e tenho muito a relatar a vocês. Saímos às 9 horas do nosso QG e fomos começar o nosso reconhecimento por toda a cidade. O primeiro ponto a ser visitado foi a matriz de Nossa Senhora da Conceição que fica em frente ao Centro de Apoio ao turista. Passamos pela igreja de Santa Rita, edificada no Século 18, no ponto mais alto do centro histórico. Proporciona uma vista privilegiada de toda a cidade. Esta igreja é símbolo da cidade do Serro. Conhecemos a casa General Carneiro, construção do Século 18, que atualmente, é a sede do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Pertinho dali está a casa do Barão de Diamantina, Francisco José de Vasconcelos Lessa, construída na segunda metade do século 19. Ficamos deslumbrados com outro atrativo turístico - histórico: a chácara do Barão que fica na Rua da Fundição s/n°, edificada na 2ª metade do século 19 para o Barão do Serro, José Joaquim Ferreira Rabelo. Belas janelas; túneis sobre os quais correm muitas lendas. Uma delas conta que o Barão usava um desses túneis, para encontrar com sua amante atrás do morro.


Um lugar espetacular com grande riqueza para o contexto de Minas. O museu Casa dos Otoni serviu de residência a Teófilo Otoni. A construção é do século 18. Hoje abriga imagens, utensílios e móveis de época. Vamos enumerar algumas preciosidades que estavam descritas nos museu.


Denominação do Serro
Primitivamente, o local, na língua indígena, foi denominado:

Iviteriú - ibiti - rei

Ibiti - frio

Riu - serro = serra


O nome Vila do Príncipe surgiu com a elevação do povoado a vila (1714). Em 1838, tomou o nome de Serro.


"A mineração dos diamantes era desconhecida inteiramente no Brasil, quando em 1728, alguns mineiros que se ocupavam principalmente na extração do ouro se deram ao trabalho de procurar as preciosidades que outrora desprezavam por não as conhecerem".


'Esta Vila está edificada sobre a encosta de um morro alongado e suas casas dispostas em anfiteatros; os jardins que entre elas se vêem, suas igrejas disseminadas formam um conjunto de aspecto muito agradável, visto das eleições próximas... "Augusto de Saint-Hilaire 1817


As informações sobre o museu foram relatadas pelo guia de sala João Antero dos Reis. A casa pertenceu a Teófilo e Cristiano Otoni. Depois de uma manhã de incursões pela cidade, paramos para o almoço porque ninguém é de ferro. O cardápio do dia era strogonoff com arroz e batata palha. Nada mau, não é? Após o almoço, descansamos.


Em seguida, tínhamos um encontro com o Jorge que nos levaria à sua fazenda para conhecermos a fabricação do famoso queijo do Serro. Encontramos com ele às 16 horas da tarde e partimos para sua fazenda, a uns 20 km da cidade. A fazenda chama-se Engenho da Serra. Produz leite e, como conseqüência, o queijo. O Sr. Jorge nos mostrou, passo a passo, a produção que será relatada a seguir. 1° passo - o leite é tirado da vaca em quantidade 10 litros para cada queijo a ser preparado. As vacas da fazenda são todas registradas e são, periodicamente, vistoriadas, para evitar qualquer risco de contaminação do leite. 2° passo - verifica-se se a vaca possui alguma infecção nas mamas, com teste feito na hora. 3° passo - o leite passa diretamente, após a ordenha, para uma salita hermeticamente fechada, para evitar a contaminação, sendo coado duas vezes. 4° passo - coloca-se o coalho (natural) e aguarda-se por 45 minutos para que aconteça a solidificação do leite. 5° passo - corta-se o leite ou seja, após ser colocado em um recipiente, com um pequeno bastão, fazem - se movimentos repetitivos para o seu corte. 6° passo - o leite já talhado é colocado em uma mesa de madeira em cima de uma tela, para separar-se a massa da água. Após esse processo, a massa é colocada dentro das formas. 7° passo - Espreme-se a massa até sair, praticamente, toda a água. 8° passo - O queijo é salgado e fica descansando, aproximadamente, por 4 dias, quando fica pronto para o consumo.


Realmente foi uma tarde especial para nós da equipe. Como sempre, fomos recebidos de maneira muito afável e ficamos na fazenda até as 20 horas. Oportunidade para prosear, apreciar o queijo e tomar café à beira do fogão de lenha.

O proprietário já está com idéias brilhantes para desenvolver o turismo em sua propriedade, com bastante consciência e preservando as características do local, tanto materiais como históricas. A fazenda possui um acervo de antigüidades: moinho, peças antigas de fabricação de queijo, etc.


Amanhã estaremos partindo para Conceição do Mato Dentro onde encontraremos alguns amigos e ficaremos instalados na belíssima Pousada do Angico, localizada no vilarejo de Tabuleiro. Aí fica também a Cachoeira de Tabuleiro uma das mais belas do Brasil, com 273 m de altura. No mais, Gerais.


5° Dia - Serro/Conceição do Mato Dentro

O dia ainda amanheceu chovendo, após uma noite de chuva ininterrupta. Não posso deixar de relatar que, na noite passada, o nosso amigo Warley Marangon precisou ser medicado, pois um inseto não identificado o picou. Levamos o colega para a Santa Casa e ele foi medicado com uma injeção antialérgica e teve preferência que a mesma fosse nas nádegas, não sabemos por qual motivo.

Continuando o relato, levantamos e após a saída da AABB, pegamos a estrada.Chuva forte e muita lama nos esperava. O trecho que iríamos percorrer era de Serro à Conceição do Mato Dentro. Seguimos em frente com alguma dificuldade, mas a superação, sempre presente, ajudou-nos a eliminar mais esse obstáculo. O Anselmo sentiu o joelho e teve que diminuir o ritmo, mas seguindo firme para nosso objetivo. O trecho é repleto de muito verde e algumas fazendas. Observamos a sinalização dos totens da Estrada Real.


Sentíamos o corpo tão cansado que não conseguíamos imprimir um ritmo mais forte em nossa viagem. Chegando em Conceição, lavamos o carro, as bikes e fomos direto para o vilarejo Tabuleiro onde nossos amigos Lucas, Marcelo e Rodrigo nos aguardavam. A beleza do local é simplesmente exuberante, principalmente quando tivemos o contato visual com a Cachoeira do Tabuleiro que se impõe majestosa no meio de tanto verde, com suas águas de grande volume e força.


Gostaríamos de agradecer a nossos amigos Astolfo e Rogério, proprietários da Pousada do Angico que nos receberam com um tratamento VIP, proporcionando - nos descanso e tranqüilidade, para continuarmos nossa expedição rumo a próxima cidade. Amanhã iremos ver de perto a Cachoeira de Tabuleiro.


6° Dia - Tabuleiro

Dormimos até mais tarde e, após um café na pousada, reunimos a galera e fomos conhecer de perto a Cachoeira de Tabuleiro. Fomos de carro até o ponto que permite acesso com o veículo e depois partimos para uma caminhada até o ponto central da cachoeira. A caminhada é de, aproximadamente, duas horas e vale a pena, mesmo apesar de a volta ser super difícil.


Ficamos maravilhados com a beleza e a quantidade de água que a cachoeira apresenta. Nadamos no poço principal e fizemos um rapel em cachoeiras menores, perto de Tabuleiro. O cenário é deslumbrante. Um imenso paredão de 300m e um vento intenso que nos proporciona um banho d'água sem mesmo você querer. A cachoeira é uma das coisas mais bonitas que já vi na natureza. Realmente é impressionante! Ficamos um pouco na cachoeira até que chegou a hora de partirmos de volta para a pousada.


Subida radical, duríssima até o carro. Precisávamos de um almoço urgente. A princípio iríamos ficar três dias na pousada, mas pensamos bem e decidimos partir no dia seguinte, porque há muitas cidades ao longo da Estrada Real e temos de visitá-las. No fim do dia descansamos, para amanhã partirmos. Nosso destino seria Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro.


A viagem está demais, espero que nas próximas cidades o Anselmo Júnior consiga condições adequadas para um vôo de parapente. Vamos aguardar.


7° Dia - Tabuleiro/Conceição/Morro do Pilar/Itambé do Mato Dentro

Reunimos a turma toda, os proprietários da Pousada do Angico, Astolfo e Rogério, a nossa equipe e a equipe da RV Montanhismo, e fizemos uma pequena confraternização, com várias fotos. Depois partimos rumo a Conceição. Nosso apoio Warley Marangon foi pedalando para Conceição e iria nos aguardar por lá. Astolfo insistiu várias vezes para ficarmos em Tabuleiro mais um dia, mas, infelizmente, nosso tempo é um pouco corrido. Se formos conhecer todos os atrativos de cada cidade, acaba ficando inviável cumprir o número de dias que temos para completar o percurso, que é de aproximadamente 20 dias.


Chegando em Conceição, preparamos as bikes para a partida rumo a Morro do Pilar. Não posso deixar de relatar que vimos as pinturas rupestres nas rochas (muito interessantes) e que temos a companhia do meu primo Lucas, vindo de Belo Horizonte e que vai seguir com a gente até Ouro Preto.


O trecho de Conceição para Morro do Pilar foi bastante tranqüilo, 30 km aproximadamente. Chegamos muito bem. A partir daí a coisa começou a complicar. Estávamos eu, Gui Figueiredo, e Warley Marangon pedalando. O trecho é de muitas subidas e tivemos que nos superar, porque a estrada estava muito enlameada e começou a chover na chegada em Itambé do Mato Dentro Nossa maior preocupação é a questão da hidratação dos atletas. O sol estava fortíssimo,escaldante (30º ou 35º ) o que dificultava muito mais a evolução ao longo do trecho. O Warley estava bem, mas eu, Gui Figueiredo, estava em um estado lastimável. Super cansado, quase desidratado, mas reuni minhas últimas forças para os 5 km finais até Itambé. Foi demais a chegada. Muita vibração da equipe. Comparada a nossa última expedição Ouro Preto/Paraty, o grau de dificuldades desta viagem é bem superior, tendo em vista inúmeros obstáculos naturais que temos de superar.


Montamos nosso acampamento em uma área de camping, ajeitamos tudo e fomos almoçar. Indicaram-nos a Dona Dalva, figura tradicional do local, que serve uma excelente comida e nos proporcionou um belo banquete, para recuperarmos nossas energias.


Proseamos um pouco, rimos bastante e voltamos para a nossa 'casa'. Um merecido descanso. Aqueles que buscam aventuras por este trecho Diamantina/Ouro Preto terão que se preparar bastante e não fazer as coisas de qualquer jeito. Os trechos são de grandes dificuldades. Não há qualquer tipo de socorro entre as cidades e, se acontecer algum acidente, pode ser fatal.


No mais é isso ai. Sebo nas canelas, que tem muito pedal pela frente. Já pedalamos 200 km e paramos por mais um dia em Itambé do Mato Dentro. O local é repleto de cachoeiras e estamos com a idéia de fazer um rapel no dia de hoje.


8° Dia - Itambé/Senhora do Carmo/Ipoema/Bom Jesus do Amparo

Acordamos no horário tradicional às 8 horas e resolvemos fazer diferente. Descansamos pela manhã, visitamos a Cachoeira da Vitória, belíssima, com uma trilha muito agradável e, relativamente, fácil. O local está bem conservado, mas a infra - estrutura ainda é um pouco precária, para receber o turista mais exigente. Para aqueles turistas que buscam uma natureza exuberante é o local ideal para descansar.


Almoçamos. Eu, Gui Figueiredo e Anselmo Júnior partimos. Ate Bom Jesus do Amparo, são mais 60km. A primeira cidade em que passamos foi Senhora do Carmo. Só de passagem mesmo, pois tínhamos programado parar em Ipoema. São 16 km até Senhora do Carmo e mais 17 km até Ipoema. O trecho é tranqüilo. Não apresenta subidas fortes e nos proporciona um visual belíssimo. Em Ipoema, visitamos o Museu do Tropeiro e conhecemos as histórias daqueles "trabalhadores" que, há bastante tempo, já percorriam essas bandas daqui. Em Ipoema aconteceu um incidente chato, um garoto da cidade começou a arrancar os adesivos do carro, ficamos com vontade de 'matá-lo', mas tudo bem. Tínhamos mais um trecho pela frente. Seguimos viagem e foram mais 20km até Bom Jesus do Amparo e mais 10km até o posto Campo Alegre, onde acampamos. Esse percurso é ideal para o cicloturismo, tranqüilo, com vários atrativos e bastante diversão para aqueles que fazem o percurso.


Tudo está correndo como o planejado. Pretendemos chegar a Ouro Preto, no dia 19 de janeiro e estamos adiantados em um dia. Amanhã iremos descansar um pouco na fazenda do nosso amigo e patrocinador, o Sr. Heracles, proprietário da empresa Garage Floresta e teremos um pequeno trecho até Barão de Cocais de 20km apenas. Faltam aproximadamente 170 km até Ouro Preto. Estamos quase na metade da viagem. Estamos bem fisicamente e as bikes estão sendo lubrificadas todos os dias pelo nosso apoio Warley,. Os trechos estão muito enlameados, dificultando mais o nosso trabalho. Valeu.


9° Dia - Barão de Cocais - 20km

Tivemos uma noite um pouco conturbada, pois nossas acomodações não são próprias para uma boa noite de sono, mas está tudo bem. Levantamos, tomamos café e pegamos a estrada, seguindo para Barão de Cocais. No caminho, avistamos o vilarejo de Cocais, mas não paramos. Seguimos em frente.


A garoa estava constante e não dava trégua. Chegamos até a cidade e fomos direto à empresa Garage Floresta nesta cidade, e a proprietária Patrícia, irmã do Sr. Heracles, nos encaminhou para a fazenda Haras Acalanto, local em que fomos recebidos e muito bem instalados.


Descansamos o dia todo, ensaiamos uma pescaria, vimos nossas filmagens e nos concentramos para o próximo trecho: Barão de Cocais, Santa Bárbara /Catas Altas/Mariana. A chuva parece que vai dar uma trégua e vamos seguir em frente com ou sem ela.


Agradecimentos especiais ao amigo Heracles e a sua irmã Patrícia pela acolhida que nos proporcionou muito prazer e descanso. Até Mariana.


Não posso deixar de relatar o sensacional Campeonato de Futebol Bimbolim que foi realizado na fazenda. Fizemos campeonato de duplas no qual Gui Figueiredo e Warley Marangon derrotaram Anselmo Júnior e Luquinhas. Fizemos partidas emocionantes, mas a experiência valeu. No campeonato individual, tivemos Anselmo Júnior, o grande campeão, Gui Figueiredo em 2° lugar e Marangon em 3°. O nosso convidado especial (Lucas) ganhou experiência, mas, sendo o mais novo da turma, ele acabou aprendendo. Foi demais!

 
10° Dia - Barão de Cocais/Santa Bárbara/ Catas Altas/Mariana

Depois de um descanso merecido, partimos em direção a Santa Bárbara (17 km), não paramos e seguimos direto para Catas Altas. Chegando na cidade, fomos conhecer a Igreja N. Senhora da Conceição, que está passando por um processo de restauração e tivemos o privilégio de ver de perto os restauradores trabalhando. O que pudemos constatar é que a localidade, através de suas autoridades, tem dado um grande valor à história da cidade e o seu patrimônio histórico tem sido preservado. A cidade passa por um momento bom no sentido turístico. Algumas pessoas da cidade, já vivem do turismo, pousadas, restaurantes, etc. Tiramos várias fotos e seguimos em direção a Mariana. Sabíamos que existia um atalho até Mariana, mas não conseguimos uma informação segura e preferimos ir pelo asfalto. São 52 km até a cidade e conseguimos completar o percurso sem maiores problemas.


Chegando em Mariana, encontram nosso apoio que nos esperava no Hotel Miller, um dos nossos apoiadores, e fomos recebidos com festa, por seu proprietário o Sr. Vanderlei que já é nosso amigo e sempre nos trata de uma maneira mais que especial.


Estávamos com fome e fomos direto almoçar. Servido no hotel, o almoço, por sinal, estava uma delícia. Vanderlei, como sempre, deixou-nos muito à vontade e nos deu liberdade de ficarmos no hotel ou irmos para a sua fazenda "Caminhos do Ouro" no vilarejo de Bento Rodrigues, 20km de Mariana. Escolhemos ir para a fazenda, pois queríamos descansar, ficar bem à vontade e fazer um churrasquinho, que ninguém é de ferro. Chega de Power Bar, granola, mel, Nescau. Queríamos uma picanha bem suculenta e uma lingüicinha especial. Passamos no supermercado, fizemos algumas compras e fomos para a fazenda, debaixo de um intenso temporal.


Chegando à fazenda, organizamos um pouco as coisas, colocamos algumas coisas para secar no fogão a lenha e tomamos um bom banho. Mais tarde, fizemos nosso churrasquinho. Aproximadamente às 19 horas, apareceram, por aqui, Vanderlei e Evandro que nos ajudaram no preparo do arroz e das batatas fritas. O churrasco estava simplesmente maravilhoso, um tempero especial que, modéstia à parte, eu preparei. Ficamos jogando conversa fora até mais tarde. Vanderlei e Evandro voltaram para Mariana e fomos dormir. Estávamos cansados.


11° Dia - Fazenda Caminhos do Ouro (Mariana)

Fui o primeiro a levantar, preparei um café, chamei a equipe, mas parece que meus companheiros não estavam dispostos a levantar cedo. O primeiro que apareceu foi o Warley e depois nosso amigo Luquinhas. O Juninho permaneceu dormindo.


Fomos para o curral ver a tiragem de leite. Como é de costume nas fazendas, fizemos uma coisa que, dificilmente, faríamos em Belo Horizonte. Copo na mão, Nescau e colher, e leite ao pé da vaca, fresquinho, foi demais. Luquinhas e Marangon ficaram um pouco receosos com esse tipo de procedimento, mas mandaram bem. O Juninho acordou e também foi - se alimentar dessa forma pouco tradicional.


Resolvemos dar um passeio a cavalo, melhor dizendo: eu, a cavalo e Warley, de bike. Fomos até Camargos, um vilarejo a 5 km da fazenda, que ainda guarda vestígios da Estrada Real. Vilarejo pequeno, esquecido no tempo, entre matas e pequenos cursos d'água que produzem em nós, seres humanos, amantes da natureza, momentos de puro prazer e inigualável tranqüilidade. Tiramos algumas fotos e voltamos para a fazenda. Preparamo - nos para o almoço e, à tarde, planejamos um passeio à Mina da Passagem, ponto turístico de Mariana. Saímos às 13 horas da fazenda Caminhos do Ouro e fomos almoçar no Hotel Miller. Fomos direto conhecer a Mina da Passagem. É impressionante! Túneis, a descida no carrinho, os lagos. Vocês não imaginam a beleza daquele lugar que ainda conserva características da época. A mina era de extração de ouro. Eram 1200 escravos trabalhando e cavando à procura do ouro. A mina hoje está desativada, aberta somente para visitação. No momento em que estávamos lá, o fluxo de turistas, principalmente estrangeiros, era intenso. Após a visitação da mina, fomos conhecer as igrejas de Mariana, mergulhando, mais uma vez. na história de Minas.


Minha gente, essa viagem nós não vamos esquecer tão cedo, o enriquecimento cultural é inevitável a cada parada. Uma parte da história do nosso país que não pára de crescer, mas do seu passado ficaram histórias lindas e contos que nos encantam até hoje, por tamanha riqueza e variedade de fatos. À noite, em Mariana, saímos para o Restaurante La Taberna, onde nos deliciamos com uma apetitosa pizza, para encerrar um dia que vai ficar realmente na memória.

 
Voltamos a pé para o hotel. Era preciso descansar para a etapa Mariana/Ouro Preto.


12° Dia - Mariana/Ouro Preto

Levantamos no horário tradicional e fomos direto para um café reforçado no Hotel Miller, saindo logo em seguida para Ouro Preto. Subidinha difícil, 10km até Ouro Preto. Precisamos de uma ajudinha do apoio. Nesse dia, quem estava pedalando era eu, Gui Figueiredo, e o Warley.


Chegamos a Ouro Preto e o Juninho foi levar o Luquinhas para comprar sua passagem de volta. Fizemos uma pequena despedida, algumas fotos, uma filmagem e pau na máquina em direção a Ouro Branco. O trecho de asfalto é oscilante com bastante descidas e subidas fortes. Passamos por pontes centenárias e chegamos tranqüilos em Ouro Branco indo logo procurar os pontos turísticos da cidade.


Na saída da cidade, encontramos a casa de Tiradentes. O local guarda várias histórias e grandes riquezas que nos levam ao passado e a uma grande viagem no tempo. A casa conta com um anexo, que servia para obrigar os tropeiros, e continua em perfeito estado de conservação. Pedalamos mais um pouco e chegamos a Lafaiete. Fomos direto para a casa do amigo Atael, que na primeira expedição nos acolheu. Dessa vez não foi diferente. O amigo Atael não estava, mas quem nos recebeu foi o Sr. José e, da mesma forma, nos proporcionou uma acolhida prazerosa. Tomamos banho e saímos para dar uma volta na cidade de Congonhas que fica a poucos quilômetros daqui. O Warley e o Juninho não conheciam a cidade e todos nos ficamos admirados com a beleza e a imponência das obras da cidade. Os profetas, as igrejas os passos da Via Sacra, todo esse contexto histórico.


A cada cidade que passamos, ficamos mais deslumbrados com toda a história do nosso país. A partir daqui, ou seja, de Lafaiete, não conhecemos nada e vamos ser pioneiros neste trecho. Não temos cidades pré - escolhidas para visitar, nem local definido para nos instalarmos, mas com nosso espírito aventureiro e explorador, vamos buscar as pérolas de cada cidade a ser visitada. Um detalhe, já há alguns dias, uma dor forte vem atingindo-me a coluna e estou à base de Dorflex e, em alguns momentos, é até um pouco de sacrifício realizar a nossa expedição. O Warley está com uma gripe alérgica que tem prejudicado o seu rendimento, trazendo - lhe um pouco de desconforto. Mas é isso aí. Buscamos superação para alcançarmos nossos objetivos.


Abraços e muitos beijos para minha esposa. A cada telefonema a saudade invade o meu peito e aumenta o meu amor por ela. A saudade tem - me mostrado o quanto ela é importante na minha vida. Amanhã o próximo trecho será até Barbacena. Aguardem.


13° Dia Lafaiete/Barbacena

O dia em Lafaiete foi marcante, pois encontrei muitos amigos e a despedida foi bastante emocionante. Esqueci de relatar que foi em Lafaiete que fiquei internado, para me livrar do vício das drogas (cocaína). Voltar a esse lugar traz - me lembranças de todos os tipos.


Partimos em direção a próxima cidade, que, a princípio, seria Carandaí. Chegamos rápido nesta cidade e tocamos em frente para Ressaquinha e encontramos com o Gomes que nos deu a dica para entrarmos logo após a cidade, para passarmos por trechos da Estrada Real. Saímos em Alfredo Vasconcelos e depois Barbacena. O trecho não é sinalizado. Tivemos muita dificuldade em achar o caminho certo e acabamos por completar o dia com 90 km.


Chegamos em Barbacena e ainda tive um pequeno desencontro com o apoio. Os rádios não funcionavam e saímos em pontos diferentes da cidade. Quando encontramos o Warley, ele já tinha feito contato e conseguimos um lugar para ficarmos; grátis é claro. Esperamos um pouquinho pela autorização e, quando a pegamos, fomos para a sala VIP do parque de exposições de Barbacena. Foi fantástico. O local é excelente e nos acomodamos muito bem.


Descansamos por toda a tarde. Vimos as fitas gravadas, demos muitas risadas e fomos dormir.


14° Dia - Barbacena/Juiz de Fora

Fizemos um contato no dia anterior com o meu amigo Sr. Antônio, marido da Sra. Inês, que é da minha sala na faculdade. Tínhamos a intenção de chegar à sua fazenda dentro de dois dias.


Começamos a pedalar. O dia estava rendendo bastante. Alcançamos 20,30, 50 km de asfalto num ritmo muito bom. O trecho é bastante plano e com bastantes descidas. A Br 040 está em obras e qualquer desatenção pode causar um acidente. Não encontramos nenhum atrativo que chamasse nossa atenção. Seguimos em frente parando um pouco para descansar.


Chegando em Juiz de Fora, nosso apoio nos esperava na fábrica Mercedes Benz onde tínhamos combinado. Após um consenso de equipe, preferimos ir para a fazenda do Sr. Antônio e Sra. Inês em Belmiro Braga, de carro mesmo.


Colocamos as bikes no carro e seguimos em direção a Belmiro Braga. Pedimos algumas informações e chegamos a Fazenda Malacacheta. Nos receberam com muita alegria, mas surpresos, pois nos esperavam no dia seguinte. Chegamos na hora exata do almoço e não perdemos tempo, fomos logo para a mesa. Imaginem só o que foi servido: arroz, feijão, frango, angu, quiabo, estava divino. Após o almoço, fomos conhecer o bicão, pertinho da fazenda, uma ducha para relaxar. Estava sensacional!


Sentamos à tarde na varanda da fazenda, o canto das maritacas, o relincho dos cavalos, uma boa prosa, fotos e filmagens para guardarmos tudo no nosso arquivo. No final do dia, resolvemos fazer um rapel em frente à fazenda, bem tranqüilo, 10 metros, só para o nosso apoio Warley ficar mais aclimatado com nosso equipamento.


À noite, tomamos outro banho, jantamos e fomos descansar. Antes, porém, colocamos nossa conversa em dia e fomos ler o relato da viagem. Afinal, já estamos no 14.º dia da nossa aventura e o Juninho e Warley estão me cobrando a leitura do nosso diário de bordo. Amanhã, vamos visitar algumas fazendas, saborear o queijo da região, que é o frescal e passear um pouco.


Queremos descansar bastante, porque o trecho que temos pela frente é a subida até Petrópolis. O trecho é bastante íngreme (de 80 km aproximadamente) e vai nos exigir bastante. O Projeto Expedição Estrada Real II está - se aproximando do final e não sabemos como agradecer a Deus a oportunidade que estamos tendo de viajar por todo o nosso estado e conhecendo as grandes riquezas de Minas. Desde já agradecemos a todos os nossos patrocinadores que são de total importância para a realização de nosso projeto.


15° Dia - Fazenda Malacacheta (Belmiro Braga)

Saímos logo cedo para conhecer fazendas históricas. Conhecemos um alambique e a sede da Fazenda do Barulho do Dr. Antônio Carlos Botti. Ficamos maravilhados com sua beleza e pela sua restauração que ficou perfeita, após oito anos de intenso trabalho.


Após conhecermos parte da região, voltamos para casa e almoçamos. O almoço que foi oferecido para todos da equipe foi de tirar o chapéu. Estávamos bem à vontade à mesa. Lombo assado fenomenal, uma saladinha deliciosa e as sobremesas. Goiabada, queijo frescal, bananada e doce de leite. Meus amigos, esse doce de leite é simplesmente maravilhoso. Uma, duas, três vezes, é irresistível comer uma só vez. Acho que os anfitriões queriam que nos ficássemos pelo menos mais um dia e capricharam no almoço. Brincadeirinha. Toda a atenção nos foi dispensada desde o início, após a chegada á fazenda.


Agradecimentos especiais ao casal Antônio e Inês pela recepção impecável para a Expedição Estrada Real II.


Depois do almoço revisamos as bikes e fomos conversar um pouco. Brincamos de colocar apelidos uns nos outros e ficou assim definido: Warley, Garotão Big Brother, eu, Gui Figueiredo, o Prosinha, aquele que gosta de conversar e o nosso amigo Anselmo, ainda precisamos de arrumar um apelido para ele. Você tem alguma sugestão? Que tal Juninho Balofo, por exemplo.


Preparamo-nos à tarde para um passeio, em Belmiro Braga a cavalo, ou melhor dizendo, nas éguas da fazenda. Estávamos com vontade de ver nosso apoio em cima de um animal, pois ele tinha andado muito pouco a cavalo. Ao cair da tarde, pegamos os animais e fomos para o vilarejo de Belmiro Braga. O passeio foi bem tranqüilo. O nosso amigo Warley adorou e correu tudo bem.


Voltamos para a nossa casa e jantamos para, logo em seguida, descansarmos.O próximo trecho vai exigir muito esforço. Amanhã faremos um novo contato.


Ainda relatando os fatos da fazenda Malacacheta, não me esqueci da história do nosso amigo Anselmo Júnior, uma história de amor que vai marcar a nossa expedição.


Juninho, um olhar fulminante


Anselmo vinha em sua égua, cavalgando pela cidade de Belmiro Braga, quando avistou, mais adiante, uma donzela com curvas bem "arredondadas". Ao passar ao lado dela, a mocinha lhe dirigiu um olhar apaixonado e pediu uma carona em sua égua marron. Anselmo, mais que depressa, se prontificou a levá-la, mas, por um instante, pensou bem e viu que poderia acontecer um acidente, pelo tamanho da donzela que iria montar em seu animal. Preferiu assim trocar olhares com a donzela e, para uma próxima oportunidade, marcar um outro encontro. O tempo era curto e ficou na nossa memória aquela imagem "rechonchuda" que Anselmo, com certeza, vai guardar no seu coração.


16° Dia - Fazenda Malacacheta/ Petrópolis

Depois de muitas dúvidas entre ir pelo asfalto ou passar pela estrada de terra, definimos que o primeiro trecho seria de terra. Partimos, passando pelo vilarejo de Belmiro Braga (mas não revimos a donzela do Anselmo) e foram 35 km de estrada de terra, passando por várias fazendas centenárias. O percurso é ótimo, somente retas e descidas, chegando a São José das Três Ilhas.


Pegando o trecho de asfalto, encontramos outro ciclista que promove provas nessa região e que pedalou conosco até Três Rios, onde tem uma oficina de bike na cidade. Ele se chama Txai, é conhecido dos ciclistas de BH e promove provas nesse estado. Até 55 km de pedaladas no dia, estávamos em companhia do nosso apoio, depois disso fomos encontrá-lo no pedágio a 20km de Petrópolis. O dia foi bastante desgastante, pedalamos, no total, 100 km e decidimos chegar em Petrópolis com o nosso apoio. Após contato telefônico do nosso amigo Marcelo da RV Montanhismo com amigos em Petrópolis, partimos para o endereço que ele, Marcelo, tinha nos fornecido. A princípio, iríamos guardar as nossas coisas e descermos para o Rio de Janeiro. Entramos em Petrópolis, buscamos informações do endereço que tínhamos e, bem rápido, chegamos ao local. A proprietária da casa é a Sra. Graça que ficou assustada com a presença nossa em sua residência. Chegamos de surpresa. O contato que o Marcelo tinha nos dado é o filho dela, o Leonardo, que nos recebeu e abriu a sua residência para nos hospedarmos. Rapidamente, estávamos entusiasmados e já fomos conhecer a cidade. Ele nos sugeriu um lugar que se chama "Bonfim", onde ficam as cachoeiras (bem perto de onde ele mora, e onde estávamos hospedados). Guardamos as bikes, nossos objetos e fomos conhecer o local. Após 30 minutos de carro chegamos ao Parque Açu - uma reserva ecológica - controlada pelo IBAMA. Fomos recebidos, logo à entrada, pelo Sr. Carlos, que é proprietário do Centro de Aventuras Paraíso Açu e de uma pousada na localidade. Recebeu - nos com muito carinho e colocou a nossa disposição seus conhecimentos na região, para nos dar maiores informações. O parque está situado na Serra dos Órgãos. O local é de rica beleza. A Mata Atlântica é a vegetação do local; várias cachoeiras e uma riqueza e espécies de fauna e flora. Tomamos um banho de cachoeira, que nos relaxou completamente. Combinamos conhecer uma outra que ficou para ser visitada no dia seguinte, pois já estava tarde para entrarmos no parque.


Voltamos para casa com a expectativa de que a cidade de Petrópolis nos surpreenderia, por seus vários atrativos. Um lanche maravilhoso nos aguardava preparado por D. Graça, que, realmente, nos encantou com suas gentilezas.


Pegamos logo no sono e descansamos, porque o dia tinha sido duro. Percorrer 100 km não é tão fácil assim, depois de 12 dias consecutivos de pedal, ou 700 km percorridos.


17° Dia - Petrópolis

A família nos recepcionou incrivelmente bem. Dona Graça, com toda a sua simplicidade e carisma, observou que o nosso apoio Warley estava de saída com sua blusa em condições horríveis. Mais que depressa se prontificou a passar a blusa e a entregou passadinha. Esse episódio serviu de piada e "pegamos no pé" do nosso apoio. Como tínhamos combinado com o Carlos do Parque Açu, fizemos uma incursão no parque. Pagamos uma pequena tarifa no Ibama para entrarmos e foi indicada para nós a Cachoeira do Véu. São quarenta metros de altura no meio da mata e própria para um rapel de alta qualidade.


Caminhamos uma hora e depois de alguns errinhos e chegamos ao cenário desejado. Bastante água, limpíssima, difícil acesso e mata preservada por onde passamos. O trecho é difícil, só subida e requer, no mínimo, um condicionamento adequado. Subimos mais um pouco até o alto da cachoeira, preparamos o equipamento para a descida.


Lá do alto, uma vista privilegiada da cidade de Petrópolis. Um friozinho está no nosso coração e crescendo sempre o medo, comecei a descida. O local é bastante tranqüilo para a prática do rapel, mas causa uma sensação de ser muito mais alto, por ficar no meio da mata por todos os lados. Fizemos muitas descidas e o nosso apoio Warley desencantou e fez descidas radicais, unindo cada vez mais a equipe em prol dos esportes radicais.


Já passavam das 14 horas, recolhemos o equipamento e nos preparamos para a descida. Uma hora de caminhada e já estávamos na entrada do parque. O nosso apoio Warley estava com vontade de comer lasanha e fomos providenciar os ingredientes para a preparação da mesma. Dona Graça tem uma fama de boa cozinheira e nos preparou "aquela lasanha" que saboreamos até quase explodirmos.


À noite tomamos um bom banho e desmaiamos. O dia nos exigiu um grande esforço, pois a caminhada não foi fácil. Carregar a corda, armar os equipamentos é uma tarefa que nos requer bastante disposição.


18° Dia - Petrópolis

A princípio a nossa saída seria ontem, mas decidimos aguardar mais um pouco, porque está faltando um vôo do nosso amigo Anselmo. Fizemos contato com o Igor, irmão do Leo que é piloto de parapente de Petrópolis. Estávamos aguardando condições favoráveis para um vôo. Infelizmente, amanheceu chovendo e não foi possível realizarmos nossos propósitos. Mudamos os planos e fomos visitar o Museu Imperial. Depois de resolvermos algumas coisas burocráticas, banco, etc. fomos conhecer, talvez, o ponto turístico mais famoso de Petrópolis. O Museu de Petrópolis está situado no centro da cidade, está aberto a visitação de 8 horas às 17h30m e cobra uma taxa de oito reais para visitação com 50% de desconto para estudantes.


O Museu Imperial, ou seja, o palácio de verão de D. Pedro, II foi residência predileta do Imperador onde passou os melhores momentos de sua vida. Sua construção, iniciada em 1895, deu origem a cidade de Petrópolis. Já no início da visita, o museu se impõe pelo tamanho e por suas instalações de grande porte e pela infraestrutura que apresenta aos seus visitantes. É difícil traduzir em palavras o que foi visto nesse lugar. Obras belíssimas, quadros de muito bom gosto, ambientes requintados, e todo o contexto da nossa história traduzidos em um espaço de raríssima beleza. Precisamos nos concentrar em cada detalhe, cada peça, não queríamos perder nada. O museu tem um grande acervo como, por exemplo: salas de jantar, instrumentos musicais, acessórios e a belíssima coroa imperial de D. Pedro II. Essa peça, em especial, é de rara beleza. Traduz toda a imponência do reino e toda a sofisticação que a época traduzia. O museu tem tudo a ver com a nossa viagem e vem ilustrar, com um toque maravilhoso, essa época, que até hoje atrai turistas do mundo todo interessado em nossa história.


Petrópolis, realmente, nos surpreendeu, e muito. Não imaginávamos toda essa riqueza cultural em um só lugar. Conhecia a cidade, mas não sabia dos seus atrativos.


Voltando para casa, maravilhados com as imagens do museu, fomos de encontro a outro banquete que Dona Graça nos preparara. Uma bela macarronada, risoto, frango assado, tudo preparado com muito carinho para essa turma de ciclistas famintos. Á tarde, após o almoço, desmaiamos. A chuva não dava trégua. Acho que teremos que ficar em casa curtindo esse ambiente familiar e esse carinho dessa família petropolitana.

Garoto Big Brother

Vinte e dois anos de muita saúde! Esse é o nosso apoio Warley Morangon (mais conhecido na região como Garoto Big Brother) devido ao físico bem definido e pela sua capacidade fantástica de devorar pratos assustadores que realmente nos matam de vergonha. Brincadeirinha. Todos sabem que ele está em fase de crescimento e precisa alimentar - se bem. Dona Graça, praticamente, o adotou nesse período aqui em Petrópolis. Passava sua roupa, lavava seu tênis, fazia seu prato preferido. Sabemos que sua simplicidade cativa todas as pessoas, mas tudo isso é demais, vocês não acham? Por todos os lugares por onde passamos todos se impressionam com suas comilanças. Come de tudo, não rejeita nada. À tarde, só vídeo game. Está sempre esperando a hora do lanche. Resumindo, apesar dos grandes desfalques em nossa e em outras despensas por onde passamos, ele é peça fundamental da nossa equipe. Valeu, Marangon.


19° Dia Petrópolis - Rio descida da serra

Sem que a chuva desse trégua, chegou a hora de partir. Queríamos fazer uma descida na Serra de Petrópolis. Partimos, para iniciar a descida. No início do trecho em declive, a neblina estava forte e não víamos nada para o lado direito nem esquerdo. O frio estava forte e tivemos que colocar mais agasalhos. Encontramos com o nosso apoio, para que ele iniciasse a filmagem. Montamos nas bikes e começamos a descer. São 17 km de descida íngreme que proporciona a nós, ciclistas, um visual deslumbrante de toda a serra, apesar da neblina. Fizemos imagens belíssimas do trecho. A velocidade era de 50 km por hora, não dava para aumentar, pois a pista estava toda molhada. Valeu a pena encerrarmos o nosso projeto com esse visual. A serra de


Petrópolis é incrível e bem arriscada, emocionante.


Após 20 minutos de descida, chegamos á cidade de Xerém, interior do Rio de Janeiro e a primeira cidade depois da serra, início da Baixada Fluminense. Por esse motivo, não achamos viável continuarmos pedalando até o centro. O local é perigoso não só pelos assaltos como também o trânsito que é infernal. Colocamos as bikes nos carros e nos dirigimos para nosso hotel. A sensação era de dever cumprido e uma emoção muito forte com a realização de mais um projeto. Realmente a equipe foi e permaneceu unida até o final. Alguns contratempos não nos impediram de alcançar nosso objetivo.


Rio de Janeiro (Cidade maravilhosa)


Chegamos bem rápido ao Rio de Janeiro. Fomos para nosso hotel no bairro do Flamengo, tomamos um banho e saímos para o almoço. Bem acomodados, fomos percorrer a cidade.


O primeiro ponto turístico visitado foi o Memorial Getúlio Vargas, uma viagem pela história desse grande homem. O museu fica perto do hotel e fomos a pé.


Voltamos para o hotel, pegamos o carro e fomos ao Cristo. Infelizmente estava fechado por causa do mau tempo e tivemos que voltar. Fomos a Copacabana, Ipanema, Leblon. O tempo não ajudava. Estava garoando e ventava muito.


Resolvemos dar uma esticada até a Barra da Tijuca. O nosso apoio Warley estava fascinado pela cidade. O trânsito muito louco, as praias, mesmo chovendo, são belíssimas. Todo o contexto da cidade é incrível!


Fomos ao shopping na Barra. Fizemos um lanche, fomos em uma livraria e voltamos, à noite, para o hotel.Amanhã é dia de despedirmos da cidade. É o fim, realmente, da viagem.


20° Dia - Rio de Janeiro/Belo Horizonte

Café no quarto, uma mordomia que a equipe não dispensa. Não podíamos perder tempo, fomos de novo ao Cristo e, dessa vez, não houve problemas. Conseguimos chegar e, mais uma vez, a vista belíssima da cidade. O vento estava a 70 km por hora lá em cima, o frio intenso e não demoramos muito, apenas o suficiente para tirarmos algumas fotos, e ver toda a cidade. Descemos rápido e fomos para o centro da cidade, para visitar o Museu Histórico Nacional.


Chegamos rápido. A cidade está bem sinalizada na zona sul e o acesso é bem tranquilo.


O museu é belíssimo e faz uma viagem em várias áreas na nossa história. Vários quadros, esculturas, objetos e utensílios usados no século 17, 18, 19, muito bem relacionados e que impressionam por sua autenticidade.


Voltamos para o hotel, arrumamos as coisas e pé na estrada. Deixamos o nosso apoio na rodoviária e passamos em Petrópolis, para pegar algumas coisas que ficaram lá. Uma parada bem rápida para arrumar o carro e fomos embora.


A saída de Petrópolis estava terrível, a neblina muito forte e tivemos que reduzir a velocidade. Na estrada, quando menos esperávamos, passou um ônibus da Viação Cometa e quem estava lá? O nosso apoio Warley, outra vez bem perto da equipe.


Seguimos em frente e, chegando em Belo Horizonte, fomos à rodoviária para buscá-lo e, logo em seguida, cada um para sua casa. Estávamos cansados desses 20 dias na estrada, ou melhor dizendo, nas 'magrelas', tentando de várias formas conhecer e assimilar nossa história, vivendo uma aventura que reuniu num só contexto cultura, esporte, lazer e contato direto com a natureza.


Esperamos que vocês tenham gostado da 'nossa' aventura. Preparamos toda a viagem com muito carinho, para que o resultado final possa influenciar outros aventureiros, incentivando-os a realizar outra expedição, para desfrutar também das belezas da Estrada Real.


Gui Figueiredo

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