Turismo

Expedições e Aventuras

Projeto Expedição Estrada Real I - De Ouro Preto a Parati

© Gui Figueredo Ouro Preto - Expedição em Ouro Preto - Gui Figueredo Expedição em Ouro Preto

Participantes:

Guilherme Chaves Correa de Figueiredo (Gui)

Anselmo Junior (Juninho)

Warley


1° Dia – Ouro Preto-Conselheiro Lafaiete-Ouro Branco


Saída da casa do Guilherme às 6:00 horas. Chegada em Ouro Preto às 8:00 horas.


Preparamos as bikes e partimos em direção a Ouro Branco às 9:00 horas. O trecho, realmente, requer bastante preparo, pois, dos 60 km, 40 km são de “subida forte”. Passamos por pontes construídas por escravos e pela belíssima Serra de Ouro Branco. Chegamos a Conselheiro Lafaiete, aproximadamente, às 13:00 horas. Passamos a noite na casa do amigo Atael e nos preparamos para mais uma etapa, no dia seguinte. A temperatura era de uns 28º, requerendo dos atletas uma hidratação constante.


Ouro Preto,é realmente, belíssima. A praça principal (Tiradentes) chama a atenção de quem chega e atrai turistas de todo o mundo. O primeiro dia era muito importante para nós, porque estávamos todos ansiosos, para colocar em prática tudo o que vínhamos preparando ao longo de 3 meses. Todos os detalhes foram checados e, mesmo assim, alguma coisa é deixada para trás. O nosso amigo Juninho deixou nada mais nada menos que o protetor solar preparado, especialmente, para essa viagem. Mas não importa. Tudo isso foi superado. Tiramos as magrelas do carro e começamos a montá-las. A vontade de começar a pedalar era grande.


Ao sair de BH, deixei a minha esposa com muito pesar, mas ela sabe a importância desse projeto para mim. Quando o Diretor Geral do Instituto Estrada Real, Sr. Eberhard Hans Aichinger, fez uma palestra na Faculdade Estácio de Sá, comecei a idealizá-lo e fui procurar um parceiro, para partilhar minhas idéias.
Ao pensar um projeto desse tipo, o mais importante é você mesmo acreditar que esse sonho pode virar realidade e, dentro de mim, eu tinha a certeza de que, de alguma forma, eu poderia realizá-lo. No início, tive que investir algum dinheiro do meu bolso em peças novas para a montagem de uma nova bicicleta. As peças da bike são importadas e têm um custo um pouco alto.


Montada a nova bike, pensava em realizar esse projeto sozinho, mas achei interessante convidar uma ou duas pessoas para dividir esse sonho comigo. Isso nem sempre é fácil: fazer as pessoas acreditarem em um sonho seu... Quando o projeto está no papel, talvez seja a fase mais difícil. As pessoas não conseguem visualizar aquilo que você está vendo há muito tempo. Foi ai que resolvi convidar o meu amigo Juninho. Mostrei para ele o que eu tinha em mente e ele, de pronto, gostou da idéia e decidiu juntar-se a mim nessa empreitada. No início, confesso a vocês que pensei que essa parceria não iria para frente, achei que faria a viagem  sozinho mesmo.


Mas as coisas foram acontecendo, os primeiros patrocinadores foram chegando. Aliás, gostaria de agradecer a todos, um por um, porque demonstraram reconhecer a importância de se apoiar o esporte e acreditar em projetos que visam à divulgação do contexto cultural de nosso estado no cenário nacional e mundial.


Tento, de alguma forma, mostrar para todos que tudo na vida é uma questão de oportunidade. Esse projeto está sendo feito com muito carinho, para retratar todas as nossas belezas e todo o potencial turístico do nosso estado e vem-se concretizando, graças às empresas que nos patrocinam: Academia Sport Fitness, Água Mineral Viva, BH Signs, Faculdade Estácio de Sá, Farmácia Universal, Garage Floresta, Halt Gráfica, Hotel Classic, Instituto Estrada Real,LC PRO Áudio Studio, Mov-Máquinas, Oficina da Foto, Sopel, Supermercado Super Mais e Tripp Aventura. Todas essas empresas, insisto, merecem destaque, porque acreditaram na importância de um projeto para divulgação da Estrada Real. Gostaria de agradecer à minha Tia Lea Leda que, mesmo com as dificuldades que nós, brasileiros, estamos passando, acredita no meu potencial e me proporciona um curso superior. Gostaria de agradecer muito a Deus, acima de tudo e de todos, por me dar de volta, depois de tudo o que passei na vida, um corpo totalmente restaurado e um preparo físico que me possibilita a prática de esporte como esse que é o mountain bike.


É isso, galera. Quero chegar um dia e dizer para os meus filhos que, quando se tem um sonho, vale a pena persistir e buscar a sua realização, nem que seja necessário esperar uma vida inteira, mas o principal de tudo é nunca desistir de nada. Aprendi na minha vida três palavras que levo sempre comigo, aonde vou elas estão comigo: força, determinação e paciência:

- Força, para começar qualquer coisa na vida; 

- Determinação, para buscar  até o fim os objetivos;

- Paciência, (talvez a de maior importância), para esperar  que as coisas aconteçam no tempo certo, isso é fundamental.


2° Dia – Conselheiro Lafaiete-Queluzito-Casa Grande-Lagoa Dourada.


Partimos de Lafaiete às 8:20 da manhã  rumo  a  Queluzito. Um trecho de


20 km de asfalto pela BR040. Chegando em Queluzito, fomos direto para Casa Grande. A partir daí o trecho é de terra, proporcionando-nos um prazer imenso, pois gostamos muito de pedalar na terra. Não imaginávamos o que nos aguardava. Tive a oportunidade de conhecer o Sr. Valdir Dutra, proprietário da Mercearia São Sebastião. Paramos em sua mercearia e começamos a bater papo. Uma prosa realmente de mineiro. Contou-nos que a Estrada Real passava exatamente dentro de suas terras. Disse que teve dificuldade de fazer a fundação da sua casa por causa do terreno super batido pela passagem dos escravos e das caravanas naquela época. Depois de sairmos da mercearia, fomos em direção às 3 fazendas indicadas para visitação: Fazenda do Vau, Fazenda Boa Esperança e a Fazenda do Engenho, muito conhecida na região e com mais de 300 anos de existência.


Chegando na Fazenda do Vau, um grande reduto de criação do jumento “Pega”, fomos recebidos pelo Senhor Toninho que, atenciosamente, começou por mostrar as dependências da fazenda. Visitamos o curral onde houve uma apresentação dos garanhões “Pega” da Fazenda; um espetáculo à parte. Andamos de carro de boi, passeamos, fomos convidados para almoçar na propriedade. Ficamos um pouco sem graça, mas nosso amigo Juninho, pelo fato de estar morrendo de fome, resolveu aceitar o convite. Conhecemos a sede da fazenda e fomos, finalmente, para a cozinha, local desejado por todos. Cozinha simples, um belo fogão de lenha, completamente cheio de delícias, como por exemplo: arroz, feijão, couve, angu, mandioca frita, batata frita e bife, uma delícia. Detalhe: quem cozinha é um Sr. de 81 anos morador da fazenda há 30 anos.


Em tempo: O nome “Pega” dos jumentos origina-se de uma espécie de laço (braga) de ferro que era colocada nas pernas de escravos fugitivos. O dono da marca “Pega” era o bisavô do Sr. Toninho.


Descansamos um pouco e partimos para a Fazenda do Engenho, uma bonita fazenda, imponente, toda cercada por muros feitos pelos escravos. Infelizmente, não tivemos a oportunidade de conhecer suas dependências, porque o novo proprietário não autorizou a visitação.


Seguimos em frente e chegamos à cidade de Lagoa Dourada, muito pacata. Acampamos no parque de exposições da cidade. Ficamos bem à vontade, pois a chave do parque de exposições ficou com a gente. À noite, um céu maravilhoso anunciava um dia seguinte de muito sol, rumo a São João Del Rey e Tiradentes.  Agradecemos ao Sr. Izídio pela hospitalidade em Casa Grande.


3° Dia – Lagoa Dourada-Bichinho-Prados-Tiradentes


A chegada a Tiradentes superou as expectativas. Ficamos maravilhados com a praça principal da cidade. Um aspecto acolhedor com várias casas que parecem uma cidade em miniatura. O nosso apoio conseguiu um local para hospedarmos (de graça, é lógico), no ginásio poliesportivo. Ficamos com a chave do ginásio. Eu e o Juninho saímos para dar uma volta pela cidade, enquanto o Warley saiu para dar um pedal básico. Passeamos pela cidade a pé e, em cada cantinho, a cidade tem algo precioso, para oferecer-nos. Muitas igrejas, o chafariz, a vista belíssima da Serra de São José. A igreja matriz de Santo Antônio tem uma vista preferencial da cidade de Tiradentes. Essa igreja, dentre todas as igrejas do Brasil, tem a 2ª maior quantidade de ouro (480 kg de ouro) e é a 1ª em arte sacra. Foi totalmente reformada pela Fundação Roberto Marinho e o BNDS. É a igreja que aparece no comercial da Rede Globo. Outros destaques na cidade: a Banda Ramalho, muito importante na região; a igreja de Nossa Senhora das Mercês, – obra do Rococó Mineiro onde se encontra um dos cemitérios da cidade; Largo ou Praça das Mercês, casa da família (Tiradentes) Quinta das Pitangueiras. Praça muito gostosa. As ruas são de pedras, que dão todo o charme à cidade.


Agradecimentos à Zezé (assim ela  gosta de ser chamada), dona do Ponta do Morro Artesanato.


À noite, fomos jantar no Restaurante UAI, um local tradicional de Tiradentes. No cardápio, experimentamos o ora -  pro - nobis com frango e um tropeiro completo. A comida estava maravilhosa. Logo em seguida, um café com rapadura. A cozinheira era a Maria que nos recebeu com carinho.


4° Dia – Manhã


No dia 21, pela manhã, tomamos um café reforçado. Hoje é um dia de descanso. Vamos fazer algumas filmagens e conhecer o marco da Estrada Real. A tarde, vamos fazer o passeio na Maria Fumaça. Tiradentes/São João Del Rey, o máximo. Horário da Maria Fumaça – Saída de Tiradentes 13:00 e 17:00 horas – Valor do tickets 6 a 10 anos R$ 5,00; a partir de 11 anos R$10,00. Ida e volta 18:00 horas.


Até agora tudo tem dado certo: as bicicletas suportam bem o terreno e o cansaço não nos afetou até agora. Já foram 200 km de pedal, o que aconteceu foi uma corrente arrebentada e um pneu furado. Tudo bem, consertamos e seguimos em frente.


Cachoeira do Porto. Vamos visitá-la. Cachoeira de Paulo André ,caminhada na bela Serra São José. Sr. Nildo deu várias informações e sugestões.


Esses três pontos turísticos ficam bem próximos a Tiradentes, uns 5 ou 6 km. A cachoeira nasce no meio da serra e forma piscinas ao longo de sua queda. O marco da Estrada Real se impõe e está em total harmonia com toda a paisagem local. A vista lá de cima da serra é fantástica, podem -se ver belos vales e também a vista de Tiradentes. Fomos fazer um lanche e depois fazer o passeio na Maria Fumaça.


4° Dia – Tarde


Em 1881, os trilhos da Estrada de Ferro Oeste de Minas chegaram a Tiradentes, acompanhando a sinuosidade do Rio das Mortes e serpenteando a importante Serra de São José.   A medida ampliou o traçado urbano na direção da pequena estação, construída com materiais importados da Europa. As locomotivas, de origem americana, foram compradas no início do século 20. Hoje só resta desta ferrovia o trecho de 12 km de extensão que liga Tiradentes a São João Del Rey em 35 minutos.


O apito da Maria Fumaça, cruzando o vale, proporciona aos turistas a emoção de uma viagem no tempo. A máquina é movida a óleo Piche e BPF. (Baixo Ponto de Fulgor). Começamos o passeio e, realmente, voltamos no tempo pensando como era naquela época. Muitas paisagens observando o Rio das Mortes. Avistamos o marco da Estrada Real em Santa Cruz de Minas e a Cachoeira do Porto. Os vagões estavam lotados e a Maria Fumaça, com força, levava adiante todos os vagões. Chegamos à estação de São Del Rey onde há um Museu Ferroviário muito interessante.


E fomos procurar um local para nos hospedarmos. Fomos à Pousada Beco do Bispo, mas estava lotada. Bom sinal, sa cidade está recebendo muitos turistas. Tivemos a indicação de um hotel no centro, chamado Sinhá Baptista. Fomos até lá e decidimos ficar. Preço acessível, um quarto aconchegante e muito limpo. A vista do nosso quarto é para a Ponte Real, muito antiga. O hotel fica localizado bem no centro da cidade.


Arrumamos nossas coisas e saímos para almoçar no restaurante “Pelourinho”, para mais tarde conhecermos algumas igrejas. Deixamos de lado as bikes e fomos fazer um tour pelos pontos turísticos de São João Del Rey. Visitamos várias igrejas e vamos dar destaque à de São Francisco de Assis pela sua imponência e por suas palmeiras antiqüíssimas, com aproximadamente uns 20 a 30 metros de altura ou mais. As outras igrejas são Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora do Pilar (Matriz), Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora das Mercês. Ficamos imaginando como foram construídas essas igrejas na época. Outro detalhe que podemos destacar é a força do catolicismo naquela época e que permanece até hoje com muita história, fé e dedicação. Pessoas de todo o Brasil e do mundo vêm visitar todo esse conjunto arquitetônico que é deslumbrante. À tardinha, tivemos o privilégio de subir ao terraço do nosso hotel e vimos uma vista belíssima de toda a cidade de São João Del Rey.


No mais, dormir cedo, que no dia seguinte a viagem continua. Vamos para Caquende e já tivemos informação de que é belíssima, cheia de novidades e atrações naturais. Até lá.


5° Dia – São João Del Rey - Caquende 55km - Carrancas


Na saída do hotel, avistei uma coisa estranha, barulhenta e um homem com um chapéu de cowboy. Observando melhor, vi que a “coisa” era uma bicicleta. Uma bicicleta não, uma obra de arte. Nunca vi coisa parecida na minha vida, tamanha era a criatividade daquele sujeito que conseguiu transformar uma barra circular em obra de arte. Olhei para o Juninho e nos aproximamos para ver de perto tamanha beleza. Chegando próximo, perguntei o nome do senhor, proprietário daquela “magrela”. O nome dele era: Toninho da Bicicleta ou Toninho do Cavaco, figura tradicional da cidade de São João Del Rey. Convidei-o para uma foto, e ele, mais que depressa, prontificou-se a vir tirá-la com a gente. Fez pose e... pronto! Estava já registrada na memória aquela raridade. Só vendo mesmo para acreditar. Tinha tudo, a bike: relógio de parede (grandão), calculadora, rádio com bateria, buzina, despertador. Toda ornamentada, colorida, pura alegria. Resolvemos fazer uma filmagem e Toninho da Bicicleta colocou uma música que tinha tudo a ver com a gente e dizia assim: “Já é hora da partida”. Ele disse também que era tocador de cavaco e que cantava, porque era alegre e chega de tristeza em sua vida. Encheu a gente de alegria e percebemos que para ser feliz não é só dinheiro e sim um jeito simples de ser. Um abraço para o Sr. Toninho da Bicicleta que, com o seu incentivo, nos motivou para mais uma etapa.


Saímos do hotel, aproximadamente, às 8:30 da manhã em direção a Caquende. Pegamos o asfalto e encontramos um pouco de dificuldade, porque esta estrada não possui acostamento. Esse trecho não tem muitas novidades.


Mais adiante, uns 20 ou 25 km pedalando no asfalto, avistamos a placa, mostrando a direção da nossa próxima parada. Esse trecho a seguir é todo em terra e propício para o mountain bike. É o famoso “estradão”. Você pode impor uma velocidade razoável, uns 20 km por hora e desenvolver a viagem melhor. O visual é belíssimo, muitas fazendas, muito verde. Encontramos, no caminho, uma cobra e uma seriema. Durante esse trecho fomos conversando um pouco, agradecendo a Deus e a todos aqueles que apoiaram nosso projeto. Sem a ajuda de nossos patrocinadores, seria um pouco inviável realizá-lo.


Chegando a Caquende, após uma bela descida, logo encontramos o nosso apoio, o Warley, aguardando-nos na balsa que faz a travessia para Capela do Saco, do outro lado da represa. Um visual belíssimo, mas observamos que a represa está diminuindo o seu nível de água. Os nossos planos eram parar em Caquende, mas decidimos continuar a pedalar mais uns 40 km até Carrancas. Estávamos muito bem. Achamos melhor parar em Carrancas e descansar lá por um dia. A cidade tem nada mais que 110 cachoeiras, algumas delas são inexploradas. Paramos um pouco na praça principal, compramos alguns mantimentos, buscamos algumas informações no local e fomos acampar na Cachoeira da Fumaça, que fica a uns 6 km do centro de Carrancas. O trecho é de fácil acesso e, rapidinho, já estávamos alojados de frente para a belíssima cachoeira. O local é tranqüilo, muitas  pessoas acampadas e (o melhor) o preço é bem baratinho. Para quem quer saber: R$3,00 por pessoa/dia.


Nesse percurso, aconteceu um incidente com a minha bike. Fui pular um mata-burros e a minha roda traseira bateu, com toda a força, na quina do mata-burros. Adivinhem o que aconteceu? A roda virou um 8 na gíria dos ciclistas, ficou totalmente empenada. Estávamos tão felizes! Nada estava dando errado. Pequenos desacertos que eram reparados rapidinho. Não posso deixar de relatar um pouco sobre a Serra do Salto, imponente, mas que requer do ciclista um preparo de atleta profissional. Muito íngreme...e já tínhamos pedalado uns 80 km. Estávamos mortos.


Chegamos à cachoeira e fomos preparar o almoço, pois estávamos famintos. O cardápio foi: arroz, lingüicinha defumada, lá da Fazenda do Vau e legumes. Estava uma delícia. Conhecemos também a Cachoeira Véu de Noiva, pertinho da Cachoeira da Fumaça. Vamos descansar aqui mais um dia, para depois seguir adiante para Cruzília. Eu e o Juninho estávamos pedalando bem a média de 60 km por dia e até agora foram 300 km aproximadamente. Estamos pedalando em média, 3 a 4 horas por dia. Hoje foi um pouco mais.


A viagem tem sido demais! Tenho aprendido muito. Em companhia de outras pessoas; temos de tomar decisões em conjunto; isso fortalece a equipe e o grupo aprende a superar-se. Para todos que gostam de aventura, natureza, história, vale a pena conhecer a Estrada Real e os seus caminhos. No dia de hoje, fomos dormir com o som da Cachoeira da Fumaça, noite tranqüila, serena, relaxando bastante sem preocupar com o amanhã.


6° Dia – Cachoeira da Fumaça (acampados)


Senti uma tristeza no meu coração, pois no dia anterior não tinha conseguido ligar para minha esposa. Nesse local não existe telefone e o celular não pega em hipótese nenhuma. Tive uma vontade muito grande de escrever; relatar os fatos, colocar as minhas idéias no papel. Gostaria de destacar uma pessoa que não foi citada ainda e que teve um papel fundamental no Projeto Expedição Estrada Real. O meu amigo Cássio, funcionário da gráfica, na qual eu trabalho. Uma pessoa que se mostrou sempre atenciosa comigo, perdendo horário de almoço para mandar e-mails, escaniar marcas e criar a adesivação do nosso carro e nossa camisa da viagem. Quero dizer a você um “muito obrigado”, meu e do Juninho, pelo carinho com que você fez as coisas para nós.


Teríamos muita dificuldade em desenvolver tudo isso sozinhos. O mais importante de tudo é que Deus propiciou tudo de tal forma que colocou as pessoas certas no nosso caminho.


Gostaria de agradecer a minha querida esposa por dividir comigo todas as frustrações do projeto, pois às vezes chegava em casa abatido, quando um patrocínio era negado. Mas aprendi muito com isso. Pude observar que, quando alguém diz a você “não”, nada está acabado. Temos que seguir em frente e retomar todo o processo novamente.


É isso aí, galera. Escrevo aqui este pequeno relato, agradecendo a todos pelo nosso sucesso. Um abraço do Juninho e meu que estou escrevendo.


Continuando relatando a nossa trajetória, depois de uma noite chuvosa, acordamos. Tomamos um belíssimo café e ficamos esperando o sol aparecer. O dia amanheceu nublado, com perspectiva de chuva para os dias seguintes. Guardamos as bikes e saímos de carro para conhecer a famosa Cachoeira da (Zilda).  Fomos até o centro de Carrancas e nos informaram que essa cachoeira ficava a 12 km do centro. Pegamos o trecho todo em estrada de terra e, depois de algumas bifurcações, conseguimos chegar até lá. Ficamos deslumbrados com tamanha beleza! Por ser um pouco afastada do centro está impecável.


Andamos um pouco, mais uns 20 metros dali e encontramos outra cachoeira, não sabemos o nome, mas parece que é continuação da Zilda. Eu, particularmente, não conhecia cachoeiras tão belas como as daqui. Realmente impressionantes!


6° Dia – Tarde


Passamos no centro, compramos uma carne e fomos preparar o almoço. Ah! Esqueci de relatar o encontro com o Marcos, estudante de Geografia que estava fotografando e colhendo amostras de material rochoso. Ele também estava encantado com a beleza local. Voltando ao almoço, preparamos bife de contra-filé e arroz. Estava muito bom.


Pelo que temos informação, a viagem até Cruzília vai ser dura. Haverá muita subida. Vamos relaxar à tarde, para partirmos, ao amanhecer. A tarde estava chuvosa, mas nos arriscamos a dar o último mergulho na Cachoeira Véu de Noiva. Voltamos para o acampamento, fizemos algumas filmagens e, ao anoitecer, tomamos banho, acendemos uma fogueira, lanchamos e nos preparamos para dormir.


Um detalhe interessante que deve ser ressaltado é o nosso apoio Warley. É um rapaz jovem, em fase de crescimento e tem nos dado uma despesa que, realmente, não estava nos nossos planos. Ele mistura tudo: leite com bife, miojo com chocolate, é uma beleza! Mas, falando sério, ele tem sido fundamental na expedição. Tem desempenhado um papel que tem nos dado segurança. Tem feito imagens belíssimas e, no acampamento e no carro, parece uma dona de casa, (nervosa, por sinal). Tudo tem que ficar bem arrumadinho.


É isso aí pessoal. Vamos dormir e amanhã tem mais Expedição Estrada Real.  Valeu.


7° Dia Carrancas - Cruzília – Fazenda Traituba – 80km em 4:13


Levantamos cedo, fomos até o centro. Não tinha necessidade, pois a estrada que vai para Cruzília passa na porta da Cachoeira da Fumaça. O trecho é de terra e seguimos viagem em um ritmo tranqüilo. Depois de uns 30 km, avistamos a tão famosa Fazenda Traituba, um casarão imponente à beira da estrada. Fomos entrando e recebidos pelo Mateus, um funcionário da fazenda, formado em Turismo em Caxambu, ou seja, um turismólogo.


A fazenda é berço do cavalo manga - larga marchador. A proprietária, atualmente, é a Sra. Alice Aguiar Junqueira. Traituba significa “pedra grande do criador”. A fazenda foi construída de 1827 a 1831 a pedido de Dom Pedro I. Ele já conhecia o local e fez o pedido para sua construção. A fazenda hoje funciona como Fazenda Hotel, recebendo turistas através de reserva. A sede conta hoje com 14 quartos imensos, com peças antigas, muito bonitas e bem distribuídas pela casa. A Sra. Alice é muito gentil e, realmente, gosta muito da fazenda. Hoje, com problemas de saúde, vive em Cruzília, mas está sempre indo à sede. A fazenda tem muitas curiosidades como por exemplo: um grande quintal que, na época,  abrigava os  veados, frutos das caçadas e que ficavam de quarentena, por causa das doenças e eram trocados por cachorros de caça. Conta com beirais de arquitetura portuguesa “Bera de Siveira”, uma cama construída para Dom Pedro I, belíssima, inglesa. Também conta com cama de recosto que nada mais é uma cama em couro, para descanso dos fazendeiros, para não sujar a cama principal. A casa é toda decorada com quadros do século 18 e 19 com detalhes em ouro, representando o poder. Um lustre, a gás, feito de esterco de gado. Observamos também uma bengala, aparentemente inofensiva, mas, olhando bem vi que é uma cartucheira calibre 44. Interessante também é a palmatória, objeto usado para castigo dos alunos e um pente indígena de osso de macaco e lã de carneiro trançada, ambos, palmatória e pente, encontrados na senzala. A fazenda passou por uma reforma em 1905, quando o 2° andar foi demolido. Uma das coisas que chamou a nossa atenção foi o quarto chamado “ALCOVA”, quarto sem janela, com a melhor mobília. O quarto era o mais luxuoso e seguro da casa. Era usado pelos forasteiros, moças solteiras e pessoas importantes. Conhecemos toda a sede e fomos conhecer as baias onde ficam os garanhões da fazenda e um deles é o Vapor, Radical, Salmão, Zorro, Yoyo, nomes esses relacionados pelo Mateus. O amansador de cavalos é o Luiz Ferreira que demora entre seis meses a um ano para preparar um animal para a lida.


Eu e o Juninho ficamos impressionados com toda a história da fazenda. Isso nos enriqueceu culturalmente e queremos divulgar essa preciosidade para aqueles que se interessam pela história do nosso país. A peça, se é assim que se pode chamar, que mais nos chamou atenção pela sua beleza foi a “liteira”, uma espécie de carruagem de tração animal, que carregava as madames da época. A fazenda está em processo de tombamento. Estão sendo catalogadas todas as suas peças. Gostaríamos de agradecer a atenção que nos foi dada pela senhora Alice Aguiar e o Mateus, pessoas realmente muito agradáveis que falam da fazenda com entusiasmo e paixão.


Agora, vou passar algumas curiosidades e os preços que são bastante convidativos.


Os preços são:

Suíte grande: R$120,00 casal – pensão completa

Suíte pequena: R$110,00 casal – pensão completa

Quarto simples R$100,00 casal banheiro separado


A fazenda trabalha somente com reservas. Caso esteja passando pelo local e queira ]hospedar-se, há a possibilidade, se os aposentos não estiverem lotados.


Como chegar – Acesso
Acesso através de Cruzília. 50km até a fazenda ou passando  por Minduri mais


17 km de terra até a fazenda.


Curiosidades

- A casa conta com um pé-direito de 4,80 metros. Isso proporciona uma grande ventilação e claridade em toda a casa.
- Silhão – Selas próprias para mulheres. A mulher sentava de lado, pois era deselegante a mulher abrir as pernas para montar, principalmente porque montava de saia.
- Moleque – peça usada para tirar a bota dos coronéis.
- O piso era inclinado para escorrer a água,
- Na época não havia enceradeira, usava-se o escovão.
- Adobe – bloco de construção feita de terra, esterco, capim.


Gostaríamos de recomendar essa fazenda, rica em história e que está pronta, para receber turistas, contando com uma infra-estrutura muito boa para todos que querem conhecer os caminhos da Estada Real.


Reservas – (35) 3327-1477


Ficamos com um aperto no coração, mas tivemos que ir embora. O nosso apoio já estava em Cruzília, aguardando-nos. Seguimos firmes por mais 30 km de terra até Minduri, uma cidadezinha perto da fazenda. Continuamos pelo asfalto até Cruzília mais uns 22 km. Um dia cansativo, pois já tínhamos pedalado 80 km nesse dia. Entramos em contato com o nosso apoio, via rádio e ele nos deu a notícia de que já tinha arrumado um local para nos hospedarmos. O nosso apoio,  Warley, tem-se saído muito bem nessa tarefa, pois conseguiu com o prefeito de Cruzília a nossa hospedagem.


Chegamos vibrantes em Cruzília, pois mais uma etapa tinha sido concluída. Nossos agradecimentos ao Sr. Zé Maria, vice-prefeito e ao senhor Dr. Carlos Orlando que nos permitiu ficar no parque de exposições daqui. O local chama-se Ventania e tem instalações que nos acomodaram muito bem. Após chegarmos, montamos acampamento como de costume e fomos almoçar. Depois dessa etapa, fomos descansar um pouco, porque no dia seguinte mais 100 km de pedal nos aguardavam.


Valeu, pessoal. Até amanhã.


8° Dia – Cruzília - Caxambu - Pouso Alto - Passa Quatro – Tempo: 4:20 – 88km


Depois de sairmos de Cruzília, pegamos a estrada em direção a Passa Quatro pelo asfalto. O trecho requer um pouco de habilidade, porque a estrada não tem acostamento e os carros, infelizmente, não respeitam os ciclistas. O trecho é tranqüilo. São 90 km entre subidas e boas descidas que servem para aliviar o cansaço da viagem. A pista também é muito sinuosa, com curvas fechadas, bastante perigosas e toda atenção é sempre bem vinda. Depois de pedalar uns 30km, chegamos a Caxambu, terra de águas minerais. Resolvemos parar, para conhecer o Parque das Águas. Trancamos as bikes, pagamos uma taxa de R$2,00 para entrar e fomos conhecer uma das atrações mais bonitas da cidade. Começamos a passear e provar de todas as águas do parque. São muitas as fontes, águas para todos os tipos e gostos. A fonte que nos chamou a atenção foi a Dom Pedro que tem a réplica da coroa usada por ele. O parque é belíssimo com um lago grande todo rodeado de muitas flores e traz uma tranqüilidade que nos proporciona prazer e descontração. Conta com uma infra-estrutura completa, lanchonetes, passeio de charrete (fora do parque) e um teleférico que nos leva ao ponto mais alto de Caxambu. Mais do que depressa fomos correndo dar uma volta no teleférico. Pagamos a taxa de R$5,00 que realmente é barata e fomos curtir um visual lá de cima, tanto do parque, quanto de todas a cidade. Notamos que o nosso apoio Warley começou a ficar nervoso e com uma tonalidade amarelada. Depois acabou confessando  que morre de medo de altura. Pegamos o teleférico e fomos subindo em direção ao topo e ao Cristo. Não sei precisar a altura, mas sei que a sensação é de frio na barriga, mas depois que se passam alguns segundos a sensação é de puro prazer. A vista é lindíssima e, finalmente, chegamos ao topo, paramos um pouco, tiramos algumas fotos, fizemos alguns comentários a respeito do nosso apoio, e já era hora de ir embora. Demos mais uma voltinha rápida e nos preparamos para partir.


Não podíamos desconcentrar, ainda restavam 60 km para o dia. Pegamos as bikes, partimos em direção a Passa Quatro. Por opção, não quisemos passar em Cambuquira. O nosso objetivo do dia era Passo Quatro. Pedalando firme, pegamos um trecho, pela primeira vez na viagem, de chuva. Colocamos o anorak (jaqueta de chuva) e seguimos em frente sem nos intimidar com ela, a chuva, é claro.


Estávamos um pouco cansados. Já é o 8º dia pedalando e o cansaço é inevitável. Depois de bastante esforço físico, avistamos a placa que indicava a chegada da referida cidade. Entramos em contato, via rádio, com o nosso apoio e, quando menos esperávamos, ele já estava nos filmando na entrada da cidade. Comemoramos a chegada. Mais uma etapa vencida e ele já anunciou que já estava tudo preparado. Perguntamos o que ele tinha arrumado e ele disse:


– Consegui uma pousada para nós totalmente grátis, e o melhor, dentro do Parque do Ibama, na Serra da Mantiqueira.


Vibramos muito. Queremos dar destaque ao nosso apoio. Ele tem sido fundamental na nossa expedição. Tem realmente vestido a nossa camisa e, graças a Deus, foi a pessoa certa para estar junto com a gente. Ele está demais. A gente contando parece mentira, mas a casa é toda mobiliada, com fogão, cama, geladeira, e para variar um pouco ficamos com a chave.


Gostaríamos de agradecer o carinho do proprietário do Hotel Pousada São Rafael, o sr. César, que foi muito atencioso, cedendo a sua casa para nós.  Nós conseguimos através dele ficar nessa casa na Serra da Mantiqueira. Acomodamo-nos na casa, e ainda não acreditávamos que fosse verdade. A casa é espaçosa e muito bem situada em um condomínio fechado da região. Almoçamos, tomamos banho, colocamos as coisas em ordem e fomos, sem perder tempo, conhecer um pouco o parque. Primeiro fomos até a cachoeira, andando pelas trilhas do parque e conhecendo um pouco o local. Fomos avisados que o parque está infestado de cascavéis e não era para entrarmos na mata. Tivemos o privilégio de passear por todo o parque de uma forma especial: o parque já estava fechado e tivemos total privacidade, para explorar cada cantinho. O parque é todo rodeado por pinheiros, mata fechada, entocada e sempre sob os olhos atentos dos fiscais do Ibama, que fazem a proteção do parque 24 horas por dia. Fizemos filmagens por onde passávamos e ficou uma sensação de que, a cada dia pedalando, tínhamos uma espécie de recompensa por todo o esforço e empenho durante toda a nossa viagem. Uma coisa muito legal que filmamos e também fotografamos foi o serpentário ,ou seja, o local onde ficam as serpentes capturadas no parque. Elas ficam em local apropriado e são aproximadamente 14 cascavéis prontas para dar o bote em qualquer um que se atreva a mexer com elas.


Fomos também dar uma volta de reconhecimento até a cidade, pois o parque fica um pouco distante do centro. A cidade é rodeada de muito verde e um clima muito aconchegante. Conta com vários atrativos turísticos, que pela falta de tempo, não pudemos conhecer.


É isso aí, pessoal. Voltamos para nossa casinha, é assim que a chamamos. Vamos preparar um belo lanche e nos prepararmos para um novo dia amanhã. São mais 100 km pela frente. Valeu, galera. Detalhe que não foi registrado: a cachoeira passa na porta da nossa casa e nos proporciona um suave barulho que nos convida a uma bela noite de sono.


9° Dia – Passo Quatro- Guaratinguetá


Depois de um dia maravilhoso na Serra da Mantiqueira, saímos em direção a Guratinguetá, conhecida também por “Guará”. O trecho é todo em asfalto e não tivemos nenhum problema, para completarmos o percurso nesse trecho. Após uma subida de 16km, chegamos à cidade chamada Cruzeiro, que é também divisa de Minas Gerais com São Paulo. Nesse trecho houve uma descida radical de 8km, descendo a Serra da Mantiqueira. Seguimos firme e na descida da serra fizemos algumas filmagens com a câmera adaptada na bike, ficou demais. Continuando a pedalar, passamos por Cachoeira Paulista, Canas, Lorena. Aí tiramos algumas fotos. Depois de Lorena, pegamos a Via Dutra, onde imprimimos um ritmo mais forte, porque o trecho é todo plano. Após uns 15 km ou 20 km na Dutra, chegamos em Guará, assim carinhosamente chamada pelos moradores da cidade.


Tivemos um pouco de dificuldade em entrar em contato com o nosso apoio, o Warley. O rádio estava falhando muito. Após um pouco de paciência, fomos encontrá-lo na praça da igreja matriz de Guará. Ele logo veio nos dar boas notícias. Tinha conseguido um hotel, para hospedarmos. Grátis, é claro. Ele entrou em contato com a Prefeitura e foi encaminhado para a Secretaria de Turismo e Cultura e através do Sr. João, foi-nos disponibilizado um apartamento no Hotel Royal, no centro da cidade. Gostaríamos de destacar a hospitalidade que nos foi proporcionada. Fomos muito bem acomodados e muito bem atendidos pelo Sr. Airton, funcionário do hotel. Guardamos as bikes, tomamos um belo banho para relaxar e fomos almoçar, porque ninguém é de ferro. Preferimos ficar no hotel descansando e assistindo a um pouco de TV. Há nove dias que não assistíamos à televisão. Queríamos um pouco de informações, pois  estávamos muito concentrados na viagem. Conversamos um pouco e estávamos questionando qual teria sido o dia mais difícil da viagem até agora. Achamos que foi o primeiro. Era o início de tudo e as subidas eram realmente muito fortes. Mas, não imaginávamos que o dia seguinte, o último dia, o finalíssimo, seria tão doloroso, em todos os sentidos.


Fomos dormir e concentrar para o último dia.


10° Dia – Guaratinguetá - Cunha- Parati


Levantamos muito bem dispostos, depois de uma noite de sono excelente. Fomos tomar um belo café, oferecido pelo Hotel Royal e pela Secretaria de Turismo, na qual fomos muito bem recebidos, diga-se de passagem.


O dia amanheceu com uma leve garoa, típica de São Paulo, mas, como sempre, a expedição não podia parar, ainda mais no último dia.  Arrumamos o carro, as bikes e pé na estrada, rumo finalmente à cidade de Parati. Na saída da cidade, erramos o caminho e tivemos um pequeno atraso. Nos informamos direito e tomamos o rumo certo. Passamos por baixo da Via Dutra e seguimos, em primeiro lugar, para a cidade de Cunha que é antes de Parati.


Sabíamos que o dia ia ser difícil com muitas subidas, mas não imaginávamos que seria da forma que foi. Logo saindo de Guará, o trecho já começou com subida, tipo assim 30 km básicos. Para o último dia, nada mal, não é?


A bike do Juninho teve um probleminha que foi uma corrente arrebentada. Solucionamos rápido e seguimos em frente. Notamos que o cansaço, realmente, tinha tomado conta do nosso corpo. Tínhamos andado somente 10 km e já estávamos mortos de cansaço. Diminuímos bastante o ritmo e fomos bem devagar, para prosseguirmos. Já com bastante dificuldade e com 3 horas e meia de pedal,conseguimos chegar em Cunha, são 45 km até essa cidade.


Para piorar um pouco mais, esquecemos o dinheiro, cartão de crédito e não conseguimos nos alimentar, ou seja, comer alguma coisa de sal. O corpo já apresentava sinais de fadiga muscular e tremores, sinais visíveis de fome.Depois da parada em um posto de gasolina, achamos melhor continuar e não deixar o corpo esfriar.


Esse dia realmente foi a nossa prova final. Os funcionários do posto de gasolina nos avisaram que havia ainda, pela frente, mais 50 km até Parati, sendo que 35 km de subida. Se você imaginar uma subida até o posto Chefão, em BH, vou te dizer que não é nem o começo. Tínhamos de enfrentar  subida longa com um grau de inclinação muito forte. Nessa altura, o que nos restava era pedalar, pedalar e pedalar, somente isso. Quatro horas, cinco horas parecia que não ia acabar nunca.


A primeira serra chama-se “Quebra-Cangalha”. Ela realmente quebrou tudo. E a última é a Serra do Mar, um visual belíssimo, mas você tem que gostar muito de pedalar, senão você desiste, arruma outro meio para transpor esse grande obstáculo.


Depois de horas pedalando, sem parar, chegamos à conclusão de que o dia mais difícil fora o de hoje. Primeiro por ser o último, o cansaço acumulado e segundo pelo nível de dificuldade, de 0 a 10 eu e o Juninho demos nota 10,5, tamanha era a força que tínhamos que fazer. Finalmente, depois de uma ajudazinha de um tratorzinho amigo que nos rebocou 3 km serra acima, chegamos ao trecho final que é de terra.


Meus amigos, vocês não imaginam o que é descer a Serra do Mar: 17km de Dow Hill a 40 km ou 50km com abismo de um lado e do outro! Foi demais, adrenalina pura. Tanto na subida, quanto na descida tivemos atenção redobrada, porque qualquer descuido nessa hora  poderia até ser fatal, tamanha era a altura e os precipícios.


Para descer, testamos os freios e “descemos o bambu” e essa é a forma que os ciclistas usam para descer em alta velocidade. A descida parecia não ter fim, os braços doendo, perna doendo, tudo já estava no limite, mas mesmo assim estávamos muito felizes.


Estava chegando a hora de atingir nosso objetivo final. Comecei a pensar desde o dia em que tive a idéia de realizar esse projeto e estávamos a poucos minutos de completar esse sonho, que, por muitas vezes, achei que seria impossível, pois o custo dessa viagem não foi barato. Mais uma vez gostaria de destacar os nossos patrocinadores pela importância do apoio que eles nos deram. Se hoje somos vitoriosos, eles têm grande parte nisso.


Na descida, também tivemos a oportunidade de ver grandes cachoeiras que, posteriormente, iremos visitar. Depois dessa adrenalina toda, tivemos o privilégio de ver o mar pela primeira vez. Foi demais todo esse contexto: trilhas, Serra do Mar, velocidade, adrenalina e o visual belíssimo que o mar nos proporcionava.


A aventura estava chegando ao fim, pessoal.


Avistamos a cidade de Parati e a descida começou a ficar mais suave e a satisfação de dever cumprido já estava aparente dentro de nós. Já quase chegando no centro de Parati, avistamos o nosso apoio Warley. Fizemos sinal e ele estava preocupadíssimo com a nossa demora. Demoramos 6 horas para completar o último percurso.


É com muita satisfação que venho escrevendo dia a dia, descrevendo  passo a passo os lugares  por onde passamos, nos caminhos da Estrada Real. Essa foi a primeira etapa e já estamos pensando na segunda etapa que é Ouro Preto/Diamantina.


Gostaria de indicar esse tipo de viagem para aqueles que gostam de aventura e conhecer lugares novos.


Um abraço ao meu amigo Juninho que caminhou firme ao meu lado esses 10 dias de estrada e também ao Warley que realizou um apoio perfeito.


É isso, galera. Aguardem a nossa exposição de fotos e o lançamento do nosso site que, em breve, será divulgado. Um abraço do Gui, Juninho e Warley. Valeu!!!

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